À noite, o corpo de Evelyn se agitava contra o chão coberto de folhas. Seus dedos se fechavam e abriam involuntariamente, como se procurassem algo para segurar — ou afastar. O rosto se virava de um lado para o outro, e murmúrios quebrados escapavam de seus lábios.
Tadoki dormia serena ao seu lado… até perceber.
Um som baixo. Um suspiro trêmulo. Depois, uma palavra quase inaudível.
Evelyn
“…não…”
Tadoki abriu os olhos devagar, poderia achar que era qualquer som mas algo dentro de si era inquietante, não pode deixar que ignorasse Evelyn. Parecia escutar algum choro baixo, então se sentou e a observou com atenção verificando se estava tudo bem.
No sonho, o mundo ardia.
O Santuário estava em chamas, mas não como antes. Não havia ordem, nem guardas, nem magos tentando conter o caos. Apenas gritos. Crianças correndo. Corpos caídos no chão de pedra.
Anomalias surgiram das sombras, se arrastando, se multiplicando.
Evelyn estava ali. Parada.
O corpo não respondia. As pernas não se moviam. A respiração vinha curta, presa no peito. Ela queria correr. Queria gritar. Queria salvar alguém.
Mas não conseguia.
Uma voz ecoou atrás dela.
— “Foi você.”
Evelyn virou-se num sobressalto.
Era uma criança.
Era alguém do passado.
Alguém que ela reconhecia… e preferia esquecer. Metade do seu rosto corrompido, olhos mortos, sangue saindo da cabeça
No mundo real, Evelyn se contorceu levemente, com os ombros tensos. Tadoki se aproximou mais, sem tocar ainda. Observava cada reação, calculando.
Evelyn
“…eu não quis…”
— “Você sabe o que fez… por que não fez nada? Eu não queria morrer.”
Começou a suar frio, apertando mais os olhos, fechando mais as mãos.
— “Você tirou minha vida, eu tinha muito o que viver, você poderia ter me salvado dessa maldição.”
Evelyn ainda continuava encarando a criança sem saber o que dizer, nada desse sonho desgraçado fez ela se lembrar que essa criança está morta faz anos.
— “Deveria decapitar sua cabeça, pelo monstro que você é!”
Evelyn
“Para!!”
Evelyn começou a chorar enquanto dormia,Tadoki percebendo isso foi limpar as lágrimas, O toque foi leve, quase inexistente, mas bastou.
Evelyn puxou o ar de forma brusca, como se tivesse sido arrancada do fundo de um lago. Um gemido escapou de sua garganta antes que o corpo reagisse por completo. Ela se sentou num movimento rápido demais para quem ainda estava entre o sonho e a vigília, o coração disparado, os olhos arregalados procurando ameaças onde só havia sombras e árvores.
A respiração vinha curta, irregular. Suor frio escorria pela têmpora.
Por um segundo inteiro, ela não reconheceu onde estava.
Depois, viu Tadoki.
Tadoki havia recuado instintivamente assim que Evelyn se ergueu, as mãos levantadas em um gesto claro de não ameaça. Os olhos estavam atentos, mas não assustados — mais preocupados do que qualquer outra coisa.
Tadoki
“…ei. Calma. Tá tudo bem.”
A voz era baixa. Controlada. Nada que pudesse soar como ordem.
Evelyn
“...Meu Deus…”
Ela leva a mão até a testa sentindo o suor de sua pele.
Tadoki
“Você teve algum pesadelo?”
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Éter Negro
AcciónO que você faria se o mundo que está em caos é por culpa de sua existência, mas você não descobriu por que não recuperou suas memórias? Em um mundo corrompido pelo Éter Negro, Tadoki carrega dentro de si algo que não deveria existir. Entre anomalia...
