Na floresta
Tadoki ainda caminhava sem hesitar, mas algo em seus olhos não eram normais, eram bem abertos quase avermelhados, seu olfato estava aguçado
Ela ainda se cobra como não pode evitar o que viu, poderia facilmente usar os poderes de Dankora, mas nada parecia atiçar esse sentido de alguma forma.
Seus punhos ficam apertando bastante.
Quando aparece uma árvore, grande o suficiente, ela simplesmente começa a socá-lo, gritar, e arranhar, eram golpes que exigiam de seu oxigênio, golpes profundos capazes de formar um miolo de uma maçã
Foram tanta raiva descontada até que a cabeça de Tadoki permanecia encostada no tronco marcado pelos próprios golpes. A respiração vinha irregular, raspando na garganta como se cada inspiração carregasse espinhos invisíveis. As lágrimas ainda desciam, mas já não eram violentas — eram pesadas. Constantes. Silenciosas. Seus olhos continuavam abertos demais, avermelhados, fixos em um ponto vazio entre as copas das árvores.
O cristal em seu peito pulsava em um ritmo estranho, quase hesitante, como se estivesse tentando se alinhar ao coração dela e não conseguisse. A energia de Dankora não desaparecera; estava ali, viva, densa, comprimida sob a pele. O problema não era falta de poder. Era excesso sem direção. Quanto mais ela tentava expandir a percepção, mais sentia um bloqueio invisível, como se algo tivesse selado o rastro de Evelyn e Kael da própria estrutura do mundo.
Ela inspirou fundo outra vez, forçando o olfato até o limite. Vieram cheiros demais — folhas esmagadas, resina fresca, terra úmida, pequenos roedores escondidos sob raízes. Conseguiu até distinguir a diferença entre musgo antigo e musgo recém-formado. Mas nada deles. Nenhum traço humano. Nenhuma assinatura energética residual do portal. Aquilo não fazia sentido. Mesmo que tivessem atravessado dimensões, algo deveria ter ficado para trás.
A frustração começou a se transformar em outra coisa, mais perigosa. A energia ao redor dela oscilou novamente, sutil no início. As folhas próximas vibraram sem vento. Um galho acima estalou e quebrou sozinho. A floresta reagia ao estado dela, não por ataque, mas por instinto — como um organismo que reconhece um predador ferido.
Tadoki levou os olhos aos próprios punhos. A pele estava aberta, linhas vermelhas cruzando os nós dos dedos, fragmentos escuros de madeira presos nas feridas. A dor física finalmente começou a se manifestar, latejante, insistente. Ela fechou as mãos outra vez, não para atacar, mas para sentir. Precisava de algo concreto. Algo que doesse de forma compreensível.
A culpa voltou como uma onda lenta e sufocante. A lembrança do portal se repetia em detalhes cruéis: a distorção no ar, o som grave e profundo da ruptura, o instante exato em que percebeu que algo estava errado. Ela tinha poder suficiente para atravessar montanhas, para quebrar estruturas inteiras com um único impulso de Dankora. E ainda assim, naquele segundo decisivo, hesitou. Não por medo, mas por cálculo. Pensou demais. E o tempo não esperou.
O pensamento de que eles poderiam estar mortos era pesado, mas o pensamento de que poderiam estar vivos e sofrendo era pior. Se o portal não os destruiu, então os levou para algo planejado. Algo preparado. Algo que queria exatamente aquilo. E ela estava do lado de fora.
O cristal voltou a pulsar, dessa vez em sintonia com a aceleração do coração dela. Uma leve pressão começou a se espalhar pelo ar, como se a própria atmosfera estivesse sendo comprimida ao redor do corpo dela. A floresta ficou ainda mais silenciosa. Pequenos animais começaram a se afastar, instintivamente. O chão sob seus pés vibrou quase imperceptivelmente.
Tadoki percebeu. Se perdesse o controle ali, poderia rasgar mais do que pretendia. Poderia abrir outra fenda. Poderia piorar tudo.
Ela forçou a respiração a desacelerar. Inspirou contando. Expirou contando. Repetiu até que a pressão ao redor diminuísse. Não era o momento de explodir. Era o momento de entender.
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Éter Negro
AcciónO que você faria se o mundo que está em caos é por culpa de sua existência, mas você não descobriu por que não recuperou suas memórias? Em um mundo corrompido pelo Éter Negro, Tadoki carrega dentro de si algo que não deveria existir. Entre anomalia...
