A respiração de Tadoki ficou presa na garganta.
O incômodo no peito começou aparecer.
O mundo ao redor se dissolveu sem transição, não houve queda, nem escuridão repentina. Apenas a sensação de que o tempo tinha sido desligado.
Ela estava em pé.
Em algum lugar que não tinha chão definido nem céu reconhecível.
Tudo era feito de tons claros e sombras longas, como se a luz viesse de direções erradas. Fragmentos flutuavam ao redor, pedaços de algo antigo demais para ter nome.
O frio no peito se intensificou. Ela levou a mão até lá. O cristal pulsou. Uma presença se formou à frente dela.
Não surgiu caminhando. Não apareceu de repente. Simplesmente passou a existir.
Uma mulher.
A silhueta era nítida o suficiente para ser reconhecida como humana, mas os detalhes se desfaziam quando Tadoki tentava focar. O rosto nunca ficava completo. Os olhos pareciam olhar através dela.
Parecia uma alma iluminada naquele lugar. A mulher não falou.
Mesmo assim, Tadoki sentiu algo tocar seus pensamentos, não palavras, mas sensações.
Peso. Antiguidade. Reconhecimento.
O ar ficou mais denso.
O cristal respondeu com um pulso lento, profundo, quase doloroso.
Tadoki deu um passo para trás.
Tentou se perguntar quem era ela mas a voz não saia.
A mulher inclinou levemente a cabeça.
Não houve resposta.
Apenas a sensação clara de que ela já sabia. Algo se moveu no canto da visão. Entre as sombras, o gato surgiu. O mesmo de sempre.
Caminhava com calma, como se aquele lugar fosse familiar. Os olhos brilhavam, atentos. Ele passou por Tadoki sem tocá-la, circulou a mulher, e então parou.
Sentou. Observou. O espaço vibrou.
Imagens começaram a se formar e desaparecer rápido demais para serem compreendidas:
luz se quebrando,
vozes abafadas,
uma dor que não era dela,
um calor que queimava sem fogo.
Tadoki levou a mão ao peito com mais força.
O cristal pulsou mais uma vez. Aquilo estava doendo
A mulher ergueu lentamente a mão.
Não tocou Tadoki.
Mas a distância entre elas encolheu.
Por um instante breve, quase inexistente, Tadoki sentiu algo que não era medo.
Era familiaridade.
E isso a assustou mais do que qualquer ameaça.
O gato se levantou.
O olhar dele se fixou nela, sério demais para um animal.
O espaço começou a rachar, como vidro sob pressão.
A figura da mulher começou a se aproximar mais do que devia, sua forma se dissolvendo como se algo a sugasse.
Estava entrando no centro de seu peito.
Sentia está sufocando, sua visão estava ficando, uma pressão entrando em seu corpo.
Antes de desaparecer por completo, Tadoki viu o gato começar a se levantar.
Ele piscou uma única vez.
E tudo se apagou.
Tadoki acordou sobressaltado, o corpo suado, o coração batendo forte demais.
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Éter Negro
AcciónO que você faria se o mundo que está em caos é por culpa de sua existência, mas você não descobriu por que não recuperou suas memórias? Em um mundo corrompido pelo Éter Negro, Tadoki carrega dentro de si algo que não deveria existir. Entre anomalia...
