Um passeio que deu errado
POV WENDY
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Despertei de meu sono tranquilo, por um barulho estridente que ecoava pelo quarto. Levantei-me subitamente, sentindo uma leve tontura proveniente do brusco movimento. Ainda sonolenta, esfreguei os olhos e observei atentamente o ambiente ao meu redor. Ao lado da escrivaninha, percebi alguns papéis caídos, testemunhas silenciosas do distúrbio que me despertara.
Uma brisa fria acariciou meu rosto, fazendo com que meus cabelos dançassem suavemente ao seu comando. Segui o rastro dessa brisa com o olhar e deparei-me com a janela entreaberta, uma visão que me surpreendeu. Tinha a nítida lembrança de tê-la fechado antes de me entregar ao sono , mas diante da cena diante de mim, comecei a duvidar de minhas próprias lembranças. Talvez o cansaço tivesse turvado minha percepção.
Levantei-me decidida, ignorando os pensamentos confusos que permeavam minha mente, e me dirigi até a janela que, até então, eu jurava ter fechado. Estava prestes a empurrá-la para fechar quando uma sombra fugaz passou rente à janela, me fazendo sobressaltar . Meu coração acelerou descompassado, e um arrepio percorreu minha espinha enquanto eu ofegava, ainda sob o impacto do susto. Com cautela, aproximei-me novamente da janela entreaberta, vasculhando com os olhos o exterior em busca de qualquer sinal do que quer que tivesse provocado aquela perturbação. No entanto, nada anormal se revelou diante de mim. Comecei a duvidar de meus próprios sentidos, atribuindo a visão da sombra à exaustão proveniente do sono escasso.
Por fim, cerrei a janela e retornei à cama, mas a sensação persistente de estar sendo observada não me abandonava. Tentei encontrar uma posição confortável para dormir, mas a inquietação ainda pairava sobre mim. Por fim, entreguei-me ao cansaço e adormeci de bruços.
Na manhã seguinte, enquanto passava geleia em um pedaço de torrada, comentei o episódio da noite anterior à mesa do café.
"Ontem à noite, aconteceram algumas coisas estranhas no meu quarto" - compartilhei, sentindo o olhar curioso de todos sobre mim.
Minha avó, focada em minha narrativa, perguntou:
"Que tipo de coisas estranhas?"
Refleti por um momento antes de responder, percebendo a expectativa estampada nos rostos ao meu redor.
"Do tipo em que você acorda com um barulho, encontra papéis caídos no chão, a janela que você jurou ter fechado está misteriosamente aberta, uma sombra fugaz passa pela janela e a persistente sensação de estar sendo observada" - concluí enfatizando a última parte, que me perturbava profundamente.
"Acredito que você só estava cansada e acabou imaginando demais. " - Comenta minha vó com uma cara nada convencedora
É compreensível que minha avó tenha tentado atribuir os acontecimentos estranhos a meros enganos ou a fatores naturais, mas a nitidez da sombra que vi próxima à janela não me permitia simplesmente descartar a experiência como fruto da imaginação.
"Pode até ser, mas qual a explicação para a sombra que eu vi nitidamente próxima à janela?" - questionei, ainda não convencida.
Minha avó sugeriu: "Ora, pode ter sido apenas algum pássaro."
Com um toque de ironia, respondi: "Um pássaro bem grande, pelo visto."
Percebi minha avó suspirar e mudar de assunto, provavelmente buscando evitar prolongar a conversa sobre o assunto delicado. Então, ela propôs:
"Hoje iremos à cachoeira. Quer ir com a gente?"
"Não precisa perguntar de novo", digo animada.
Eu simplesmente amo ir à cachoeira, tenho boas lembranças daquele local. Pensando bem, desde que me mudei para a cidade, não tinha ido à cachoeira.
Termino meu café e vou até o meu quarto, pegando algumas coisas. Visto uma roupa de banho e um vestido por cima. Logo corro até onde meus irmãos, minha vó e meu tio me aguardam.
"Só vai a gente?" - pergunto, referindo-me ao fato de minha mãe, meu pai e minha tia Emma não estarem.
"Sim, seus pais e sua tia disseram que não estão afim de ir" - comenta minha vó.
"Então tá" - falo dando de ombros.
Vamos seguindo uma trilha cheia de mato, que nos levará até a cachoeira. Durante o percurso, vou conversando com meus irmãos, que estão atualmente com 16 anos. Percebo o quanto cresceram e mudaram; inclusive, estão bem mais altos que eu .
De longe avisto as águas caindo violentamente, e o barulho é possível escutar de longe. Com muita empolgação, apresso meus passos até chegar ao local. Por fim, jogo a bolsa que estava carregando de lado e corro até a beirada das águas.
Minha vó logo grita: "Cuidado, Wendy, para não escorregar", adverte minha vó.
"Relaxa, vó, tomarei cuidado", digo admirando a paisagem.
Retorno até onde deixei minha bolsa, tiro o meu vestido, ficando apenas com a parte de cima do biquíni e um short. Vejo meus irmãos de bermudas correndo para dentro da água. Não fico para trás e corro até eles.
Entro na água que desce entre as pedras, sinto um pouco de frio, o que me deixa receosa para me molhar toda. Mas logo passou quando uma chuva de água é lançada contra mim. Meus irmãos com as mãos jogam água em mim, me deixando completamente molhada.
Apesar do susto , logo me entreguei à brincadeira e retribuí a água jogada pelos meus irmãos. Divertimo-nos por um bom tempo, até que decidi aventurar-me um pouco mais adiante. Ao avançar, meus pés escorregaram em um musgo sobre uma pedra e, em um instante, caí na parte mais profunda da água. No impacto, minha cabeça encontrou algo e, gradualmente, fui perdendo a consciência. Senti meu corpo afundar lentamente, mas então duas mãos agarraram minha cintura e me levaram até a borda do outro lado. Por fim, tudo se apagou.
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Nunca É Tarde Para O Amor/Peter Pan E Wendy
FantasyCAPÍTULOS POSTADOS DIARIAMENTE (Em revisão) Imerso na sinuosidade do gênero dark romance, este livro narra a história intensa e complexa de Peter e Wendy, personagens emblemáticos cujo destino se entrelaça em um romance sombrio. Sob o cenário de gue...
