eight.

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TERCEIRA PESSOA ON:

— Precisamos conversar.

Serena sentiu o coração acelerar ao sair do quarto de Hope. A simples frase foi o suficiente para fazê-la parar por um segundo no corredor. Uma avalanche de memórias invadiu sua mente: as noites de conversas intermináveis, os risos compartilhados, os toques suaves que prometiam eternidade — tudo voltou com uma força esmagadora, quase dolorosa. O passado nunca tinha realmente ido embora, apenas estava silencioso.

Ela não sabia se deveria se aproximar ou se afastar. Parte dela queria correr, fingir que aquele reencontro não estava acontecendo; a outra parte, mais forte, a mesma que nunca deixou de amá-lo, já sabia para onde ir. Seus pés começaram a se mover por conta própria, conduzindo-a em direção a Kol, que se encontrava apoiado na parede, à sua espera, como se soubesse exatamente que ela viria.

Quando ficaram frente a frente, o mundo ao redor pareceu se desvanecer. O barulho distante da casa, as vozes, tudo se dissolveu. Só existiam eles dois. Kol a observava com atenção, como se estivesse tentando memorizar cada detalhe, cada mudança. Então, com um meio sorriso — aquele que apenas ele sabia fazer —, quebrou o silêncio.

— Você não mudou nada.

Serena soltou um leve suspiro, sentindo o peso daquelas palavras.

— Mudei mais do que gostaria — respondeu. — Foram alguns séculos longe um do outro.

— Você não sabe o quanto eu senti sua falta, Serena — disse ele, com a voz mais baixa. — Não consigo acreditar que passamos tantos anos separados por culpa daqueles que dizem ser minha família.

Ela sustentou o olhar dele, mesmo sentindo o coração apertar.

— Você sabe que eles não estavam errados em nos separar. Éramos um risco um para o outro e para os outros também.

O silêncio se estendeu por um instante, pesado, carregado de tudo o que não foi dito ao longo dos séculos.

— Senti sua falta — o moreno soltou, quase como uma confissão, fazendo com que a loira o encarasse e sorrisse, um sorriso pequeno, sincero, doloroso.

— Eu também. Foram longos séculos sem você ao meu lado.

— Uma eternidade — Kol riu de leve, tentando disfarçar a emoção. — Ainda bem que passei alguns bons anos dormindo.

— Você, sim, não mudou nada, pelo jeito.

O riso suave de Kol ecoou entre eles. Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre ambos, como se temesse que, se não o fizesse, ela pudesse desaparecer novamente, como tantas vezes havia acontecido em seus pesadelos.

— Gosto de pensar que evoluí o que podia sem ter você ao meu lado.

O encontro estava carregado de uma intensidade silenciosa. Cada movimento era cuidadoso, quase reverente, cada palavra carregava peso. Kol estendeu a mão, hesitante, dando a ela a chance de recuar. Serena não recuou. Ela segurou a mão dele, sentindo uma onda imediata de familiaridade e calor, algo que nenhum século conseguiu apagar. Era como se todos os anos de separação tivessem desaparecido naquele instante, como se estivessem de volta ao ponto onde tudo começou.

— Bom, precisamos agradecer Rebekah e Freya — Kol murmurou, entrelaçando os dedos aos dela. — Sem elas, continuaríamos separados e acreditando nas mentiras que nos foram contadas.

— Engraçado pensar que dois dos seus irmãos nos separaram e, anos depois, dois dos seus irmãos nos uniram novamente — Serena disse, sentindo os olhos marejarem.

A verdade era simples e cruel: apesar de todas as experiências, dores e desafios que enfrentaram, o amor que sentiam um pelo outro nunca havia desaparecido. Ele apenas esteve adormecido, esperando pelo momento certo para ressurgir.

Com um sorriso cúmplice, Kol inclinou a cabeça e beijou a mão dela, demorando-se um pouco mais do que o necessário, como se aquele gesto selasse não apenas o reencontro, mas também a promessa silenciosa de um novo começo.

— Aliás — a loira empurrou o Mikaelson, quebrando levemente a tensão —, que história é essa de bruxinha?




PERSPECTIVE; kol mikaelsonOnde histórias criam vida. Descubra agora