six.

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REBEKAH MIKAELSON ON:

Elijah e eu nos viramos para Freya ao mesmo tempo, o peso daquele momento refletido em nossos rostos. Depois de tantos anos de silêncio e incerteza, finalmente havia algo concreto. Uma resposta. Uma chance.

— Onde ela está? — Elijah perguntou de imediato, a voz baixa, mas carregada de urgência, enquanto se aproximava para analisar o mapa.

Freya apontou para um ponto marcado com um pequeno símbolo no mapa, indicando uma localização distante.

Senti meu coração falhar por um instante.

— -Meu Deus. Ela está onde costumava ser a vila que a conhecemos, ela voltou para casa... — sussurrei, mais para mim mesma do que para eles.

A ideia de Serena estar ali, no mesmo lugar onde tudo começou, fez uma enxurrada de memórias me invadir. Risos, treinos, promessas e o dia em que tudo foi destruído. Talvez o retorno àquele lugar não fosse coincidência, mas uma tentativa silenciosa de reencontrar quem ela havia sido antes de nós a arrancarmos de sua humanidade.

— Precisamos ir até lá imediatamente — declarei, sentindo a determinação tomar conta de mim. — Kol precisa saber que ela está viva. Precisa saber a verdade, tudo aquilo que foi escondido dele.

Elijah assentiu, os olhos escurecidos por culpa.

— Vamos consertar isso, Rebekah. Mesmo que tenha demorado séculos, vamos trazê-los de volta um para o outro.

Troquei um olhar com meus irmãos. Encontrar Serena não significava apenas reunir dois amantes separados à força; significava encarar nossos próprios erros, assumir as consequências e tentar, pela primeira vez em muito tempo, fazer a coisa certa.

— Posso fazer um feitiço de rastreio avançado e trazê-la até o círculo — disse Freya, já se abaixando e organizando os elementos mágicos. — Não é agradável e exige tempo. Kol e Klaus provavelmente retornarão antes que eu finalize.

— Faça — respondi sem hesitar. — Eu mesma falo com Niklaus. Quanto a Kol, ele merece essa verdade, doa o que doer. — respirei fundo 

Enquanto Freya iniciava o feitiço, minha mente se fixou em Kol. No sorriso debochado que ele usava para esconder a dor. Nas noites em que o ouvi vagar pela casa, incapaz de encontrar descanso. Ele sempre disse que Serena o abandonara e nós deixamos que ele acreditasse nisso. O peso dessa culpa queimava em meu peito.

O ar ao nosso redor começou a vibrar, carregado de uma energia densa e antiga. O brilho ao redor de Freya se intensificou, e símbolos começaram a surgir no chão. Então, o portal se abriu.

Serena surgiu do outro lado.

Ela estava diferente, mas inegavelmente a mesma. Os olhos atentos, o corpo em posição defensiva, como se esperasse um ataque a qualquer segundo. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma voz ecoou pelos corredores do complexo.

— Isso é sério, Hayley, esse lugar não é apropriado para a Hope... — a voz de Kol soou próxima. Familiar. Dolorosamente familiar.

Vi Serena congelar.

Seus olhos se arregalaram levemente, e por um segundo achei que ela fosse recuar para dentro do portal. Mas ela respirou fundo e deu um passo à frente.

— Rebekah... — disse ela, a voz carregada de confusão. — O que está acontecendo? Onde eu estou?

Aproximei-me com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse fazê-la desaparecer outra vez.

— Você está em Nova Orleans — respondi suavemente. — Na nossa casa. Nós te trouxemos porque precisávamos te encontrar.

Ela olhou ao redor, reconhecendo o ambiente pouco a pouco. A tensão em seus ombros aumentou, e então seu olhar voltou para mim, carregado de algo que eu conhecia bem demais: medo misturado com saudade.

— Por quê? — perguntou, engolindo em seco. — Por que agora?

Antes que eu pudesse responder, ela ouviu novamente a voz dele, mais próxima desta vez. Serena fechou os olhos por um instante, como se reunisse coragem.

Quando os abriu, havia lágrimas contidas ali.

— Ele está aqui, não está? — perguntou, quase em um sussurro. — Kol... ele está aqui?

Elijah se aproximou com cuidado, a expressão séria, porém gentil.

— Está, Serena — respondeu. — E chegou a hora de vocês finalmente conversarem.

Antes que qualquer outra palavra fosse dita, passos ecoaram pelo corredor.

— O que está acontecendo aqui?



PERSPECTIVE; kol mikaelsonOnde histórias criam vida. Descubra agora