Capítulo 6

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Anastásia

Acordo, e Christian ainda está dormindo e eu estava abraçada com ele, me afasto rápido e vou para o banheiro, faço minha higiene, tomo um banho demorado.
Vou para o closed me troco e saio do quarto, preciso tomar um remédio pra dor, meu pé está doendo demais.
_ Bom dia Gail.
_ Bom dia Ana, como está seu pé e seu joelho?
_ Meu pé está doendo bastante, um sacrifício pra descer essa escada enorme.
_ Porque não pediu ajuda do Christian?
_ Ele ainda está dormindo.
Me sirvo um xícara de chá e pego uma torrada, passo geleia de me morango que eu amo.
_ Nossa que delícia essa geleia, minha favorita é de morango, mas essa está surreal Gail.
_ Obrigada querida, eu mesma que fiz, Christian também ama ela.
Termino de comer e fico ali conversando com a Gail, com ela brigando comigo ajudo ela lavando a louça.
_ Bom dia.
Ouço a voz grossa, olho para a porta da cozinha e Christian está entrando só de calça de moletom sem camiseta.
_ Bom dia.
Gail responde, eu fico em silêncio, saio da cozinha com o pé doendo bem menos, os remédios devem estar fazendo efeito.
Coloco mais chá na minha xícara e vou para onde Gail já me disse que é a biblioteca, é uma sala enorme, me sento na poltrona que fica perto da janela, observo que o clima está totalmente diferente de uns dias atrás, está esfriando a temperatura caiu muito hoje, o inverno promete judiar esse ano.

Coloco mais chá na minha xícara e vou para onde Gail já me disse que é a biblioteca, é uma sala enorme, me sento na poltrona que fica perto da janela, observo que o clima está totalmente diferente de uns dias atrás, está esfriando a temperatura ca...

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Fico ali pensando na minha vida, não sei por quanto tempo fiquei ali, escuto a porta abrir e olho vendo Christian entrar já trocado, com sua roupa preta.
_ Christian eu posso sair um pouco de dentro de casa por favor, eu juro que não vou fazer nada de errado.
_ Não.
_ Por favor, Gail pode ir comigo, eu não vou tentar nada idiota, pode confiar em mim.
Ele para e me encara.
_ Confiar em você? Tá bom.
Ele fala com ironia.
_ Pode ir, mas Gail vai com você e Mattias seu segurança também.
_ Tá ótimo.
Ele sai e eu subo para o quarto me troco e Gail já está me esperando pronta na sala.
_ Gail, obrigada por aceitar ir comigo.
_ Não precisa agradecer minha querida, vai ser bom passear um pouco.
Passeamos no shopping e a todo momento Mattias atrás de mim e da Gail, comprei algumas roupas pra mim e dei uma pulseira linda para Gail de presente, ela não queria mais eu insisti até ela aceitar.
_ Vamos almoçar, naquele restaurante que tem aqui perto de comida italiana Gail?
_ Vamos sim querida.
Quando estamos saindo do shopping chega uma notificação no meu celular de um número desconhecido.

VOCE ME PAGA SUA VADIA.

Guardo o celular na bolsa e não falo nada pra Gail, almoçamos em meio a conversas animada, mas algo está me incomodando.
_ Gail, posso ti fazer uma pergunta?
_ Claro Ana.
_ Ele já levou a Nicole muitas vezes no apartamento dele.
Ela respira fundo.
_ Pode falar Gail.
_ Não, ela nunca foi lá, ele nunca levou ninguém lá.
_ Mas eles tem algo.
_ Tinha Ana, por isso ela fez tudo aquilo ontem.
Espera o que ela fez ontem, Gail começou vai ter que terminar.
_ O que a Nicole fez ontem?
_ Ele não ti falou, então é melhor deixar isso pra lá.
_ Não faz isso comigo Gail, me conte por favor.
_ A Nicole tentou se matar ontem de noite, tomou muito remédios e ele precisou ir ajudar ela e leva lá para o hospital.
Por isso ele saiu quando ela ligou e por isso chegou tarde.
_ Agora vamos embora Ana, está tarde né?
Concordo com a cabeça, pago a conta e saímos do restaurante e eu perdida nos meus pensamentos, até que vejo uma menininha sentada na calçada, encolhida deve estar morrendo de frio.

_ Agora vamos embora Ana, está tarde né?Concordo com a cabeça, pago a conta e saímos do restaurante e eu perdida nos meus pensamentos, até que vejo uma menininha sentada na calçada, encolhida deve estar morrendo de frio

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_ Oi lindinha.
Falo me aproximando dela e tocando no seu ombro.
_ Oi tia.
Ela me vê e vejo que está chorando bastante.
_ Cadê sua mamãe, lindinha?
_ Minha mamãe virou estrelinha e o tio mal disse que é minha culpa.
Ela chora mais e eu abraço ela por instinto.
_ Você quer que eu leve você pra sua casa?
_ Não tia, ele vai me bater mais, tá dodói aqui.
Ela me mostra suas costas, quando levanto sua blusa ela está toda roxa, meu coração se aperta e eu seguro as lágrimas, tão bebê e já sofreu tanto.
_ Mattias, eu preciso levar ela conosco.
_ Não podemos Senhoras Grey, vamos deixar ela em algum hospital.
_ Não, eu tô comunicando, não estou pedindo permissão, não vou deixar ela sozinha.
Ele baixa a cabeça, pego a menininha no colo e Gail continua em silêncio.
_ Gail, fala alguma coisa.
Falo assim que chegamos no apartamento do Christian de novo.
_ Ele vai surtar, vai querer levar ela daqui.
_ Eu não vou deixar, eu preciso cuidar dela Gail, me ajuda, por favor.
_ Claro, o que eu puder eu faço, já mandei uma loja infantil trazer roupas e calçados pra ela, eles chegando você da um banho nela, vou preparar uma sopa bem quentinha e gostosa pra ela.
Fico com a menininha na sala, ligo a tv e coloco um desenho, pego meu celular e ligo para o Christian, ele atende no terceiro toque.
_ O que você quer?
Grosso como sempre, mas não ligo.
_ Christian, você vai demorar, preciso muito falar com você urgente.
_ O que aconteceu Anastácia, que voz é essa?
_ Eu só preciso que você venha, assim que puder, por favor.
Ele desliga na minha cara, mas é um babaca mesmo, sem educação.
_ Qual seu nome lindinha?
A menininha olha pra mim com olho brilhando.
_ Bianca, e o seu tia?
_ Ana, pode me chamar de tia Ana.
_ Qual sua idade?
_ Quatro, assim oh.
Ela mostra quatro dedinhos da sua mãozinha minúscula, ficamos ali conversando, ela me conta tudo que aconteceu com ela, sua mãe estava bem, mas o homem mal chegou bêbedo e bateu na mãe dela e nela também, quando ele pegou uma faca a mãe dela entrou na frente e a facada acerto o peita da mãezinha dela.
Escuto tudo aquilo com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, e a Bianca não está diferente.
_ Quem essa menina Anastácia, o que ela está fazendo na minha casa?
Olho para atrás e Christian está ali com uma cara nada boa.
_ Calma Christian, eu encontrei ela na rua, e trouxe ela, pra mim ajudar ela.
_ Quero essa menina fora daqui agora, deixe ela em um hospital, orfanato qualquer coisa, quero ela fora daqui.
Bianca se encolhe e me abraça forte.
_ Não vou fazer isso.
Ele se aproxima e sei que vai tirar ela do meu colo, mas coloco Bianca no sofá e fico em pé, pra enfrentar ele.
_ Ela não vai sair daqui Christian, só se você me matar primeiro.
_ Não me testa Anastásia.
_ Gail, leva Bianca para o meu quarto por favor.
Gail leva a Bianca quase correndo dali.
_ Você está louca? Vai trazer uma menina que nem conhece pra dentro da minha casa, porra!
_ Christian a mãe dela morreu e ela sofre...
_ Não me interessa o que ela sofre, só tire ela daqui.
_ Não vou, já disse.
Ele segura meu queixo com força.
_ Você está abusando da sorte doutora.
Escuto passos na escada, olho pra lá e vejo Bianca chorando.
_ Não bate dela por favor, não faz ela virar estrelinha também não, tio.
Christian, me solta e parece que aquilo que Bianca falou desarmou esse homem de um jeito que nunca vi.
_ Eu vou embora, só não bate na tia Ana.
Ele se aproxima da Bianca rápido, e passa a mão no seu rostinho.
_ Não vou bater nela princesinha, só estava conversando com ela, jamais faria isso com ela.
_ Você quer que eu vou embora tio?
Christian me encara e volta a olhar para Bianca, respira fundo, fecha os olhos e quando abre diz algo me surpreendendo.
_ Não, você não vai embora princesinha, aqui é sua casa agora.
Ela gruda nas pernas dele e ele sem jeito alisa os cabelinhos da Bianca.
_ Vai cuidar da menina doutora, que agora vou ter que arrumar essa merda toda que você inventou.
Fala e sai andando rápido para longe dali, e eu subo com Bianca no meu colo.

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