Violet sentiu o vento gélido tocar em seu corpo nu. Seu corpo inteiro doía, resultado do intenso treinamento com seu pai na noite anterior. O treinamento era tão rigoroso que, quando ia dormir, nem os pesadelos eram capazes de acordá-la. Mas naquela noite, ela não teve nenhum pesadelo. Ela mal se lembrava da última vez que havia dormido tão bem. Seu quarto ficava no ponto mais alto do castelo de seu pai, e à noite, o som do vento frio era como música para ela.
Batidas na porta se fizeram presentes.
– Entre! – gritou, ainda sonolenta.
– Senhorita, trouxe o café da manhã – disse a empregada, fazendo uma breve reverência ao entrar – e o duque deseja vê-la.
Violet revirou os olhos. Ela conhecia seu verdadeiro pai há pouco mais de cinco anos e já o odiava. Ele havia tirado tudo dela e a levado embora de sua casa, de sua família e de sua mãe. Mesmo que Elena tivesse mentido para ela sobre quem era realmente seu pai por 14 anos, se soubesse tudo o que ia acontecer ao descobrir a verdade sobre sua origem, ela preferiria não saber de nada.
– Qual o humor dele hoje? – perguntou Violet, enquanto comia uma maçã.
– Péssimo. Eu ouvi dizer que o duque recebeu uma carta do rei com péssimas notícias – disse a empregada, enquanto ia até o guarda-roupa.
– Sério? E o que dizia a carta? – perguntou Violet, curiosa.
– Eu não sei, mas parece que tem algo a ver com bruxaria – disse a mulher, trazendo um dos milhares de vestidos que Violet tinha.
– Certo. Acho melhor ir saber direto da fonte – disse Violet, levantando-se da cama.
– Você está horrível com essas roupas – disse o espírito da fada que caminhava ao lado de Violet.
– Você acha que eu gosto de me vestir assim? – Violet estava vestida em um vestido longo que ia até os tornozelos, e as mangas iam até as mãos, que estavam cobertas com uma luva vermelha de seda, cobrindo as runas tatuadas por todo o seu corpo.
Violet finalmente chegou ao escritório de seu pai. Ela respirou fundo, tomando coragem antes de bater na porta de madeira, escutando a voz grave de seu pai.
– Entre.
Ele estava sentado atrás de sua grande mesa, o homem grisalho vestido em suas roupas escuras. A primeira vez que ela o viu, Violet sentiu medo. Ela não sabia por que, mas havia algo nele de que ela realmente não gostava, e não era apenas pelo fato de ele basicamente a ter sequestrado, mas pela energia misteriosa que o cercava e pelo cheiro de morte que ele emanava, algo que, por algum motivo, só ela podia sentir.
– Bom dia, pai, o que você quer? – falou Violet com um tom sarcástico.
O homem a analisou de cima a baixo.
– Tenho notícias de sua mãe – disse Brander, frio.
Violet não conseguia compreender o que havia de errado.
– Eu não tenho boas notícias – disse o duque, levantando-se e indo até ela.
Violet começou a suar frio, temendo o pior.
– Houve um ataque em Lorburn. Sua antiga casa foi destruída – o homem não soube o que fazer quando viu as lágrimas surgirem no rosto de sua filha.
– Minha família está bem? – falou ela, com a voz trêmula.
– Sua mãe, o John e seus dois irmãos estão bem, mas sua irmã mais nova foi levada, junto com várias outras crianças da vila. Eu sinto muito – disse Brander, enquanto tentava acalmar sua filha, que o abraçou.
– Você disse que iria cuidar deles. Disse que, se eu viesse por vontade própria, cuidaria deles! Por que você mentiu? – gritou a garota em meio às lágrimas.
– Me desculpe, eu sei que disse isso, mas os cavaleiros fizeram o possível para proteger sua família, mas tudo aconteceu muito rápido – disse ele, segurando-a pelos ombros.
– Quem foi que os atacou? – disse ela, tentando conter o choro, mas sem sucesso.
– Foram infernais, milhares deles. De alguma forma, eles conseguiram atacar durante o dia. Tomaram Lorburn em minutos; foi um banho de sangue – disse o duque, preocupado.
– Eu preciso ir até lá. Preciso achar minha irmã.
– Não! Eu vou pessoalmente até lá e vou salvá-la – disse ele.
– Eu não posso ficar aqui parada sem fazer nada. Ela é minha irmã, e eu vou de qualquer maneira – disse Violet, secando as lágrimas.
O homem olhou para os olhos determinados de sua filha e soube, ali, que não importava o que ele dissesse, não iria convencê-la de ficar. Ele respirou fundo.
– Certo, mas você tem que prometer que vai fazer o que eu mandar.
– Eu prometo – disse Violet, determinada.
– Então partimos ao amanhecer.
