Infância

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Infância é chama que arde,
Mesmo sem se viver.
Chama muda, já passou;
Mas continua a doer.

Passava o dia sozinho;
Deu pra sentir a diferença.
Chegava junto à minha mãe
Só pra poder pedir a bença.

Acreditava em tudo,
Pois era fácil desejar.
Influência vinha rápido
E não havia como parar.

Fiz um país de uma só pessoa,
Com a bandeira erguida no mastro.
Já fui tudo não tendo nada,
Em um lugar pequeno e vasto.
Seus cidadãos, só no papel,
Viviam em suas vitórias.
Por um ditador tão cruel
Que decidia suas histórias.

Mesmos rostos, novos corpos
Que só mudava o seu pesar.
Quem era você mesmo?
Eu não consigo me lembrar.
Eu não me lembro do seu nome,
Nem do rosto ou sua voz;
Mas sei que foi meu amigo,
Quem quer que seja vós.

Eu te amo, pequeno.
Desculpe por não ter me tornado
O herói tão descolado
Que você sempre desejou ser.
Talvez em outra vida.
Pois me tornei ainda mais,
Não do que você foi capaz
De conceber em mente ainda.

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