Sirius Black - Ecos do Passado

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Sirius Black x Leitor masculino

O vento frio soprava pelas ruas estreitas do Beco Diagonal enquanto você caminhava em direção ao bar "Cabeça de Javali". Um lugar discreto, quase escondido, mas que você sabia que seria o ponto de encontro com Sirius Black. Desde que o Ministério da Magia foi tomado, ele havia se refugiado, escondido entre sombras e boatos, e você, como um dos poucos amigos em quem ele confiava, foi chamado para um encontro.

Era impossível não lembrar da primeira vez que o encontrou. Sirius, com sua aura rebelde e imponente, era alguém que exalava liberdade. E mesmo agora, apesar de tudo o que passou, ele continuava com aquela energia indomável que tanto o definia. Você se viu ansioso por vê-lo de novo, por sentir aquela conexão que sempre existiu entre vocês, algo que sempre esteve além da amizade.

Quando você entrou no bar, seus olhos o encontraram de imediato. Sirius estava em uma mesa ao fundo, longe das vistas curiosas, envolto em sombras. Seu cabelo escuro caía desleixado pelos ombros, e sua barba mal feita lhe dava um ar ainda mais sombrio e misterioso. No entanto, o sorriso de canto, aquele sorriso malicioso, estava lá, como sempre.

— Finalmente — ele disse, levantando o copo de cerveja amanteigada. — Achei que tinha se esquecido de mim, garoto.

— Esquecer de você, Sirius? Impossível. — Você se aproximou da mesa e se sentou em frente a ele, sentindo aquela familiar sensação de estar em casa. Havia algo sobre Sirius que sempre o fazia sentir assim. Como se, apesar de todos os perigos, você estivesse exatamente onde precisava estar.

Sirius te olhou com aquele brilho intenso nos olhos cinzentos. Ele sempre tinha esse jeito de te observar, como se estivesse tentando ler os pensamentos por trás do seu olhar. Era um homem que tinha visto mais do que a maioria, alguém marcado pelas batalhas e pelas traições, mas que ainda carregava um fogo dentro de si, uma paixão pela vida e por aqueles que amava.

— Você está bem? — você perguntou, quebrando o silêncio enquanto olhava para ele com preocupação genuína.

Sirius soltou uma risada curta, sem humor, antes de dar um gole em sua bebida.

— Bem? Não acho que alguém como eu possa se considerar "bem" — ele respondeu, o tom carregado de sarcasmo. — Mas estou aqui, não estou? Isso já é algo.

Você sabia que ele estava se referindo à pressão de estar constantemente fugindo, sempre à margem da sociedade, sempre sendo caçado. Mas, ao mesmo tempo, havia algo de poderoso nele. Algo que fazia com que, mesmo nas piores circunstâncias, Sirius nunca perdesse sua essência. E era essa força que sempre o atraía para ele.

— E você? — Sirius continuou, seus olhos agora fixos nos seus. — O que o trouxe até mim, além da curiosidade?

Você hesitou por um momento, mas havia algo naquele olhar penetrante que sempre o fazia ser honesto com Sirius. Talvez fosse a conexão profunda que vocês tinham, ou talvez fosse o fato de que ele, mais do que qualquer outra pessoa, entendia o que significava carregar o peso de decisões difíceis.

— Eu... queria te ver — você admitiu, sentindo seu coração acelerar com a sinceridade de suas palavras. — Queria ter certeza de que você está bem, que está seguro.

Sirius arqueou uma sobrancelha, um sorriso pequeno, mas genuíno, surgindo em seus lábios.

— Se preocupando comigo agora, hein? — ele disse em um tom brincalhão, mas seus olhos estavam mais suaves, mostrando que suas palavras o afetaram. — Isso é novo.

Você riu, balançando a cabeça.

— Talvez sempre tenha me preocupado, só não percebi até agora.

Houve um momento de silêncio, mas não era desconfortável. Era como se ambos estivessem absorvendo as palavras não ditas, os sentimentos que sempre estiveram ali, mas que nenhum de vocês havia tido coragem de expressar.

Sirius, de repente, se inclinou um pouco para frente, sua expressão séria, mas não de uma maneira ameaçadora. Ele era intenso, sempre foi, e essa intensidade estava presente em cada gesto, cada palavra que ele dizia.

— (Seu nome), você sabe que... não sou exatamente o tipo de pessoa estável, certo? — ele disse, sua voz rouca, como se estivesse lutando para escolher as palavras certas. — Tenho muitos fantasmas, muitos erros nas costas. Mas com você... é diferente. — Os olhos dele escureceram um pouco, como se estivesse permitindo que você visse uma parte de si que ele raramente mostrava. — Eu me sinto mais... livre.

O peso das palavras dele caiu sobre você como uma onda. A confissão de Sirius, ainda que hesitante, era profunda. Você sempre soube que ele carregava um fardo imenso, que sua vida nunca havia sido fácil. Mas ouvir dele que você era parte de algo que lhe trazia alívio, algo que lhe dava uma sensação de liberdade, significava mais do que você poderia expressar em palavras.

Você sentiu uma necessidade crescente de se aproximar, de mostrar a ele que, apesar de tudo, você estava ali. Não por pena, mas por escolha. Porque Sirius Black, com toda sua complexidade, era alguém que importava para você mais do que qualquer outra pessoa.

— Sirius... — você começou, sua voz um pouco baixa, mas firme. — Eu estou aqui porque quero estar. Porque, independentemente dos fantasmas ou do passado, eu me importo com você. Mais do que deveria, talvez, mas não consigo evitar.

Por um momento, Sirius não disse nada. Ele apenas te olhou, como se estivesse avaliando o peso das suas palavras. E então, sem aviso, ele se levantou, caminhou até você e se inclinou, pegando seu rosto em suas mãos firmes e, sem hesitar, selou seus lábios com os dele.

O beijo de Sirius era tudo o que você imaginava. Intenso, urgente, mas ao mesmo tempo cheio de uma paixão contida que parecia ter sido reprimida por tempo demais. O calor do corpo dele contra o seu era quase esmagador, e você sentiu seu coração explodir de emoção enquanto suas mãos se entrelaçavam nos cabelos desgrenhados dele.

Quando ele se afastou, os olhos de Sirius brilhavam com uma intensidade selvagem, mas havia também uma ternura ali que ele raramente mostrava.

— Eu sempre soube que você era diferente — ele sussurrou, sua voz rouca, mas cheia de sinceridade. — E eu não vou deixar isso escapar, não importa o que aconteça.

Você sorriu, seu coração ainda acelerado, sabendo que, a partir daquele momento, qualquer dúvida ou hesitação havia sido deixada para trás. Estar com Sirius era perigoso, imprevisível, mas também era a coisa mais real que já havia sentido.

E, por mais incerto que o futuro fosse, você estava pronto para enfrentar tudo ao lado dele.

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