15. O Medo De Ser Perdido

68 7 4
                                        

POV Robert Pattinson

Na manhã seguinte, eu estava sentado na biblioteca, tentando revisar alguns papéis da produtora, mas não conseguia me concentrar. Do lado de fora, o sol iluminava a mansão com sua luz suave, mas o som de um choro distante me tirava da concentração. Era Elena. O som vinha do fundo do jardim, da casa onde Ana e ela estavam hospedadas. Meu peito apertou ao ouvi-la, e quanto mais eu tentava ignorar, mais o choro parecia invadir meus pensamentos.

Algo não estava certo.

O choro era contínuo, e cada vez mais desesperado.

Não consegui resistir à necessidade de ver o que estava acontecendo.

Levantei-me e caminhei em direção à edícula. Ao chegar perto, o som ficou mais nítido, fazendo meu coração bater mais rápido de preocupação.

Bati suavemente na porta.

Depois de alguns instantes, ela se abriu, revelando Ana com Elena nos braços. A pequena estava com o rosto enfiado no pescoço da mãe, o corpo tenso, ainda soluçando.

— Está tudo bem? — perguntei, minha voz mais suave do que eu esperava.

Ao ouvir minha voz, Elena levantou a cabeça lentamente e me olhou com aqueles olhos cheios de lágrimas, o rosto vermelho e inchado de tanto chorar.

A toalhinha presa na chupeta estava amassada, e sua expressão era uma mistura de tristeza e alívio.

Quando ela me viu, seus lábios tremeram como se fosse chorar de novo.

Ana suspirou profundamente, claramente exausta.

— Está dando pra ouvir da mansão, né? — ela perguntou com um sorriso sem graça, mas a culpa estava evidente em sua expressão. — Desculpa, Robert... Ela sempre fica assim quando...

— Ana, está tudo bem — interrompi, tentando tranquilizá-la. — Não se preocupe. Quer ajuda? Eu posso ficar com ela um pouco, se você precisar de um descanso.

Ana hesitou por um momento, claramente dividida entre a necessidade de cuidar da filha e o alívio por ter alguém oferecendo ajuda.

Ela olhou para Elena e depois para mim, e finalmente falou:

— Eu não quero incomodar, Robert. Já fiz você se preocupar demais ontem...

— Você nunca incomoda — respondi, meus olhos fixos nos dela. — Sério, Ana, me deixa ajudar. Você deve estar exausta. Eu fico com ela, e você pode descansar um pouco.

Elena olhava para mim, ainda fungando, mas parecia um pouco mais tranquila com a ideia de eu estar ali.

Ana, por fim, assentiu, parecendo aliviada.

— Está bem... mas só por um tempinho. Eu vou aproveitar para tentar organizar as coisas aqui.

Ela me entregou Elena com cuidado, e eu a segurei gentilmente, sentindo o corpinho quente dela se aconchegar no meu peito.

Foi um gesto simples, mas algo dentro de mim se aqueceu com aquela proximidade. Elena, ainda com a chupeta na boca, olhou para mim com seus olhos brilhantes, como se buscasse conforto.

— Tudo bem, pequena — murmurei para ela, suavemente, enquanto acariciava suas costas. — Está tudo bem agora.

Ana observava a cena com uma expressão de surpresa e, talvez, um pouco de gratidão. Ela sorriu de leve, mais relaxada do que antes.

— Obrigada, Robert... de verdade — disse ela, sua voz carregada de sinceridade.

— Não por isso...

 Sob o Tilintar Dos SinosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora