30. A Tempestade Durante a Bonanza- Parte 2

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POV Robert Pattinson


Alguns dias depois, eu estava sentado no escritório da produtora, a luz suave do entardecer entrando pela janela e iluminando os papéis espalhados sobre minha mesa. Estava tentando finalizar o máximo de trabalho possível antes de me afastar para o tratamento. A dor de cabeça estava presente, mas controlável. Meu pensamento, no entanto, não conseguia escapar dos ataques que Ana e Elena vinham sofrendo. A tinta, os comentários maldosos... tudo isso estava pesando muito em mim.

Enquanto folheava alguns contratos, a porta se abriu e Michael entrou, sem dizer uma palavra. Ele se sentou à minha frente, o que era raro. Normalmente ele estava sempre em movimento, ocupado com algo. A tensão no ar era palpável.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntei, minha voz mais baixa do que de costume, minha mente ainda um pouco perturbada pelas últimas semanas.

Michael hesitou por um segundo, o que também era incomum para ele, e depois respirou fundo.

— Não... — ele começou, seus olhos fixos nos meus. — Quer dizer, sim. Eu preciso falar com você.

Me endireitei na cadeira, tentando ler a expressão dele. Michael raramente mostrava emoções, então o fato de ele estar sentado ali, com uma expressão séria, me dizia que algo estava acontecendo.

— Diga logo, Michael. — Eu estava sem paciência. Não podia mais me dar ao luxo de ficar em suspenso.

Ele abaixou os olhos por um momento antes de levantar a cabeça novamente.

— Quero me desculpar... por ter sido tão grosseiro com a Ana. — Aquelas palavras me pegaram de surpresa. — Eu percebo que exagerei e que o jeito que eu a tratei... foi injusto.

Olhei para ele por um momento, absorvendo o que ele dizia. Havia sido um longo caminho para Michael chegar até ali.

— Não é a mim que você deve desculpas, Michael. É a ela. — Falei sem rodeios, me inclinando um pouco para a frente na cadeira. — Você tem que falar com ela diretamente. Ela merece isso.

Michael assentiu, um pouco desconcertado. Eu sabia que essa não era uma situação confortável para ele, mas Ana merecia ser tratada com respeito, e era isso que eu exigiria de qualquer pessoa ao nosso redor.

— Vou falar com ela, sim. — Ele suspirou, se levantando da cadeira. — Só queria que você soubesse... e espero que você melhore, Rob. Quero que você fique bem.

Fiquei em silêncio por um momento, observando Michael. Ele nunca foi de mostrar preocupação de forma tão explícita, e isso me fez perceber o quanto tudo estava pesando, não só para mim, mas para todos ao meu redor.

— Obrigado, Michael. — respondi, meus olhos fixos nos papéis à minha frente, tentando não demonstrar a montanha de emoções que aquele simples gesto havia causado em mim.

Cheguei em casa, exausto, mas aliviado por ter finalizado as pendências no escritório. Sabia que Ana estava na casa de Rebeca com Elena, então o silêncio na casa era quase um alívio. Sem muito o que fazer além de tentar relaxar, resolvi ir direto para o banheiro e tomar um banho.

Ao entrar, me deparei com o espelho grande acima da pia. Parei, sem intenção, me olhando por um momento. O reflexo me mostrou um homem que eu quase não reconhecia. O rosto estava abatido, as olheiras escuras, e a palidez na pele era evidente. Era impossível ignorar o quanto  a doença já estava cobrando seu preço.

Passei a mão pelo cabelo e, de repente, lembrei que logo iria perder tudo.

Senti um aperto no peito.

A ideia de ficar careca me incomodava mais do que eu queria admitir.

Mais do que isso, comecei a pensar se Ana ainda me amaria quando eu estivesse irreconhecível.

 Sob o Tilintar Dos SinosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora