O novo, mesmo causando receio, não deve ser deixado de lado. Raquel pensou muito na proposta de Mayumi sobre ela conhecer melhor o seu primo, chegando a conclusão de que Johnny era interessante o bastante para investir.
Com isso, ele escolheu uma sorveteria para sair com a jovem. Marcaram de se encontrar em uma praça próxima dali e por ser sábado, estava relativamente cheio. Johnny passou alguns minutos sentado em um banco, mexendo no celular. No entanto, alguém se aproximando chamou a sua atenção.
Seria mentira se revelasse que não notou a beleza dela, somado a isso, a companhia agradável. Raquel o instigou a ponto dele pedir ajuda a sua prima, coisa que nunca chegou a acontecer e por questões óbvias. Johnny era um homem extremamente bonito e chamava atenção por onde fosse. Se relacionar com alguém era comum e em sua maioria, sem seriedade alguma.
Contudo, gostou muito de Raquel e achou necessário fazer alguma coisa. E com isso veio o convite para um passeio.
— Oi! Você está linda.
Foi um comentário simples e superficial, mas para uma garota que passou anos de sua vida odiando sua aparência devido a padrões de beleza irreais, aquele elogio foi considerado especial.
— Muito obrigada. Ah, eu gostei da sua jaqueta. Ficou muito bem em você.
A timidez era palpável e até óbvia. Sendo o primeiro encontro de Raquel, sua ansiedade estava quase consumindo-a, mas ainda sim, quis agir como sempre. Engraçada, educada e, claro, evidenciando que o interesse também vinha de sua parte.
— Valeu — Johnny ficou de pé, ajeitando a jaqueta e olhando ao redor quando um grupo de crianças passou correndo e gritando. — Nossa.
— Vamos então?
— Sim, claro — deu alguns passos e ocupou o espaço ao lado esquerdo de Raquel. A diferença de altura fazia a menor ter que erguer quase sempre a cabeça para olhar melhor o rosto de Johnny. — Bom, você está bem?
— Sim, graças a Deus. E você?
— Também — Johnny deixou um riso pequeno escapar. Não era deboche, muito menos ironia, mas Raquel não se distanciava muito do que ele normalmente se sentiria atraído. Dali poderia vir uma amizade, da mesma forma que poderia vir um romance. — Você não está achando estranho esse nosso passeio, certo?
— Posso ser sincera? — disse amena, notando Johnny aquiescer breve. — Um pouco. Até alguns meses atrás eu nem sonhava em ter um encontro com alguém e agora estou aqui com você.
— Mas é por algum motivo que você…
— Minha mãe é bem preocupada e conservadora. Não gosto de discutir com ela. Fora que, também não tenho tanta facilidade assim para me interessar de forma amorosa — engraçado como dialogar era fácil e bom. Talvez porque fosse Johnny alguém agradável, ou porque Raquel estava mesmo interessada nele. — Então se eu fizer algo idiota e falar alguma bobagem, releva.
— Na verdade, eu vou deixar tudo na lista da vingança.
— Você tem uma lista assim?
— Tenho — afirmou sério, mas era apenas brincadeira. — Então tome cuidado.
— Isso foi bem idiota, Johnny.
— Eu sei — enfiou as mãos nos bolsos da jaqueta, sorrindo para ela enquanto algumas mechas de seu cabelo grande caíam sobre seus olhos puxados. — Mas você riu, é isso que importa.
Por mais que fosse apenas um pequeno interesse, Raquel adorou passar a tarde com Johnny e conhecer ele melhor. Estava em sua segunda graduação, já que a primeira foi em artes visuais para contrariar sua família, enquanto estudava o que mais amava. Fazer administração foi uma forma de apaziguar a ira de seu pai.
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Entre nós
Детектив / ТриллерRaquel e Henrique são amigos de longa data que dividem sentimentos bons entre si. Entretanto, tal sentimento passa a mudar e a ganhar proporções catastróficas à medida que vão crescendo e se afastando um do outro.
