Capítulo 11 - Estranho

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Eu nunca tinha me sentido tão feliz quanto nesses últimos quatro meses. Tanta coisa boa aconteceu que, às vezes, eu me pegava questionando se aquilo tudo não era um sonho. Se fosse, sinceramente, eu jamais iria querer acordar.

Depois do que rolou entre mim e Embry no baile, nossa relação se aprofundou de um jeito que nem eu esperava. Era como se estivéssemos conectados por algo maior, como almas gêmeas que se encontram no caos. Eu comecei a frequentar a reserva mais do que nunca, algo que me fazia sentir parte de algo maior. Os outros garotos adoravam me ver por lá, como se eu tivesse me tornado uma espécie de "princesinha da gangue", como Paul, sempre irônico, gostava de dizer. E eles eram incríveis, cada um à sua maneira, com sua intensidade e lealdade.

Por outro lado, Bella estava cada vez mais imersa no mundo de Edward, e aquilo me incomodava mais do que eu gostaria de admitir. Era como se ela estivesse sendo sugada por ele, perdendo o brilho que tinha antes. Eu odiava aquele vampiro estranho, e não fazia questão de esconder isso, nem dele. Sempre que ele tentava se aproximar de mim, eu fazia questão de cortar pela raiz qualquer tentativa de conversa. Não queria acabar como Bella, obcecada por uma criatura tão fria. Não, eu preferia o calor e a intensidade dos garotos da reserva, onde tudo parecia mais vivo, mais real.

Mas uma coisa me intrigava profundamente: Sam estava diferente, mais distante de todos. Algo nele parecia... partido, de uma forma que eu não conseguia entender. Eu sentia um vazio quando o via assim, até que ouvi falar sobre Leah. A filha de Harry, se não me engano, tinha sido deixada por ele sem explicação.

Eu precisava saber mais.

— Paul, você tem certeza do que está dizendo? — perguntei, olhando nos olhos dele, que apenas cruzou os braços e balançou a cabeça em confirmação.

— Infelizmente sim. Jared me contou, e olha... ele também está estranho, sabe? Ele e Sam se afastaram de todos, e agora faltam às aulas o tempo todo. Algo está acontecendo. — Ele falou com os músculos tensos, algo raro de ver em Paul.

Eu franzi a testa, sentindo uma pontada de preocupação. Não era normal ver Paul tão abalado com algo.

— E você, Paul? Não parece estar lidando bem com isso também... — minha voz saiu mais suave, tentando encontrar alguma brecha no muro que ele sempre erguia ao redor de seus sentimentos.

Ele desviou o olhar por um instante, como se estivesse decidindo o quanto deveria compartilhar. Quando finalmente voltou a me encarar, seus olhos estavam mais sombrios do que de costume.

— Eu só... — ele começou, respirando fundo. — A coisa com Sam mexe com todos nós. Ele é nosso líder, entende? Se ele está mal, nós também ficamos. Mas isso... isso é diferente. E Leah... — Paul fez uma pausa, o maxilar tenso. — Ela não merece isso. Nenhuma garota merece ser deixada sem explicação.

Eu sabia que aquilo tocava algo profundo em Paul. Ele podia ser o tipo impulsivo e explosivo, mas no fundo, havia uma lealdade inabalável dentro dele.

— Talvez você devesse conversar com ele — sugeri, mesmo sabendo que Sam não era o tipo fácil de se abrir.

— Eu já tentei. — Paul me cortou, com uma amargura que eu raramente via nele. — Mas ele está fechado para todos nós. Seja o que for que está acontecendo, ele não vai contar. Não por enquanto.

Ficamos em silêncio por um momento, ambos absorvendo o peso daquela situação. Eu odiava ver a alcateia daquele jeito, como se algo estivesse prestes a explodir. E, de alguma forma, eu sentia que aquilo era só o começo.

Eu me aproximei de Paul, movida pela necessidade de tentar confortá-lo, mesmo sabendo que ele era o tipo que dificilmente se deixava consolar. Encostei meu corpo no dele, em um abraço inesperado. Paul enrijeceu de imediato, mas não se afastou, como se estivesse dividido entre o impulso de fugir e a necessidade de sentir algum tipo de apoio. Eu não o soltei, apertando um pouco mais, e logo senti algo estranho.

Sunlight (HIATOS)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora