capítulo 16 - A calma que antecede a tempestade

428 46 7
                                        

— Já chega, Bella! — minha voz ecoou pelo ambiente no mesmo instante em que minha mão bateu contra a mesa, o som seco e alto quebrando o silêncio sufocante.

Bella sobressaltou-se, seus olhos desfocados voltando lentamente para mim, como se estivesse emergindo de um pesadelo.

— Sophia… por que está falando assim? — sua voz era fraca, hesitante, como se realmente não entendesse.

Revirei os olhos, sentindo um nó de frustração crescer em minha garganta. Ela não pode estar falando sério.

— Bella… você não tá vivendo! — minha voz tremeu, carregada de um desespero que eu não conseguia mais conter. — Pelo amor de Deus, já faz três meses! Três meses que você está assim, presa nesse buraco escuro, vivendo como um zumbi! Você não vive, Bella, você só sobrevive!

Minha respiração estava acelerada, meu coração martelando contra o peito. A verdade era cruel, mas eu não podia mais engolir as palavras. Eu não aguentava mais vê-la desse jeito.

Se ao menos ela chorasse na minha frente, se gritasse, se descontasse a raiva em alguma coisa, talvez fosse mais fácil suportar. Mas não. O sofrimento de Bella era silencioso, corrosivo, um veneno que se espalhava pela casa, impregnando cada canto com sua tristeza sufocante.

Eu preferiria ser torturada mil vezes, ser cortada até os ossos, do que vê-la assim por mais um dia.

As noites eram um inferno. Seus gritos perfuravam a escuridão, me fazendo acordar sobressaltada, o coração disparado. Eu ficava ali, imóvel na cama ao lado, ouvindo seus soluços abafados contra o travesseiro, sentindo-me impotente.

Durante o dia, a ausência dela era ainda pior. Bella estava ali, mas ao mesmo tempo, não estava. Seu olhar vazio, sua pele pálida demais, os olhos inchados que ela tentava esconder com desculpas fracas.

E agora, ali estava ela, sentada à mesa, encarando o nada como se estivesse esperando que ele voltasse. Como se Edward Cullen fosse apenas reaparecer e restaurar a alma que ele havia arrancado dela.

— Bella, olha pra mim! — minha voz saiu quase como um pedido.

Ela piscou, finalmente focando em mim, mas não disse nada.

— Você vai se deixar morrer por ele? É isso? — continuei, a raiva misturada com a dor transbordando. — Porque é isso que parece! Você acha que ele ia querer isso? Você acha que ele se importa?!

Bella estremeceu, como se eu tivesse acabado de desferir um golpe certeiro.

— Não fala assim… — murmurou, a voz quebradiça.

— E como quer que eu fale?! Com cuidado? Com delicadeza? Porque nada disso adiantou nos últimos três meses! Eu tô cansada, Bella! Eu tô exausta! Eu só quero minha irmã de volta!

O silêncio que se seguiu foi pesado. Ela abaixou a cabeça, seus dedos tremendo levemente sobre a mesa. Por um momento, achei que fosse chorar.

Mas não. Bella não chorava na minha frente.

Eu suspirei fundo, tentando acalmar a tempestade dentro de mim.

— Você precisa reagir, Bella. Por favor… — minha voz agora era um sussurro, quase uma súplica.

Ela ficou quieta, mas algo na sua expressão mudou. Talvez, só talvez, minhas palavras tivessem chegado até ela.

Mas eu sabia que ainda havia um longo caminho pela frente.

                             ^×^×^

Após minha conversa com Bella, ela havia prometido que sairia com a Jessica para assistir a um filme. Mas eu sabia que essa decisão não vinha de uma real vontade de se divertir. Era apenas mais uma tentativa desesperada de nos convencer—eu e nosso pai—de que ela estava melhorando. De que não precisávamos nos preocupar tanto.

Sunlight (HIATOS)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora