9 DIAS se passaram desde o meu desabafo na praia, e Embry não havia dado nenhum sinal de vida. Aquilo estava me matando por dentro. Sua presença, antes constante tranquilizadora, havia se transformado em um vazio silencioso e absoluto. Nada de mensagens, e-mails, ligações… Nada. Era como se ele tivesse evaporado, como Edward.
Mas eu me recusava a
acreditar nisso.
Algo dentro de mim, teimoso e visceral, gritava que Embry jamais faria aquilo comigo. Ele viu o estado em que Bella e eu ficamos após o desaparecimento de Edward. Ele escutou meus lamentos, meus desabafos raivosos, minhas juras de ódio contra o vampiro. Ele não faria isso. Mas será que faria?
A verdade é que não sei mais de nada. Antes, eu me iludi pensando ter encontrado meu lugar em um grupo caótico, mas sólido, um refúgio contra a frieza dos vampiros de olhos dourados. A realidade, porém, cuspiu na minha cara.
Nosso grupo foi se desmanchando, peça por peça. Éramos oito. Primeiro Sam saiu, depois Paul e Jared. Sobraram apenas eu, Jacob, Quil e Embry. E agora, Embry escorria entre meus dedos como areia, e eu era impotente para segurá-lo. Senti-me inútil.
Inútil por não entender nada. Inútil por não conseguir salvar minha irmã do abismo. Inútil por não compreender o motivo da partida de Sam, Jared e Paul. Inútil por precisar ser protegida de algo que nem conheço. Inútil por assistir Embry ser arrancado da minha vida sem sequer saber o porquê.
Droga.
Nem percebi o tempo passar. O céu já pintava tons de laranja e roxo, um pôr do sol bonito demais, que destoava brutalmente da bagunça catastrófica da minha mente. Suspirei fundo, tentando me orientar. Onde eu estava? Uma campina que não reconhecia.
Fechei os olhos, tentando me agarrar a um último fio de racionalidade. Respira, Sophia. Só respira. Mas era inútil. A calma era um continente distante, e eu estava à deriva em um oceano de pânico. Cada som da floresta que se aprofundava com a luz do pôr do sol era uma agulha no meu sistema nervoso: o estalo de um galho, o farfalhar de uma folha seca, o uivo distante do vento. Meu desespero não era mais um sussurro interno; era um grito estridente que ecoava em cada célula do meu corpo, um som estrondoso que abafava até o bater do meu coração.
Eu estava perdida. Verdadeiramente perdida. Sem celular, sem direção, sem nada além da minha própria impotência e dos meus pensamentos embaralhados, que giravam em um carrossel macabro de abandonos e desaparecimentos. Era uma maldição. Eu era uma amaldiçoada.
Foi então que o instinto falou mais alto que a histeria.
Um arrepio forte percorreu minha espinha, tão intenso e repentino que meus músculos travaram. O ar, que momentos antes era fresco e puro, pareceu se espessar, carregado com uma energia estranha, predatória. Não era o cheiro de pinho ou de terra molhada. Era algo metálico, doce e perverso, como a memória de um perfume exótico em um quarto fechado.
O silêncio ao meu redor não era mais natural. Era um silêncio consciente, um vácuo que sugava todos os ruídos da floresta. Os grilos haviam parado de cantar. Os pássaros pararam de cantar. A própria noite parecia conter a respiração.
Eu não estava sozinha.
A certeza me atingiu com a força de um choque físico. Alguém, ou alguma coisa estava ali, na periferia da minha visão, espreitando nas sombras que se alongavam. Cada fio de cabelo na minha nuca se eriçou. Meu estômago se contraiu em um nó de gelo. Era um sentimento primitivo, ancestral, algo que eu não sentia, mas agora parece sempre fazer parte de mim.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sunlight (HIATOS)
FanfictionSophia e sua irmã, Bella, se mudam de Phoenix para a pequena e sombria Forks, onde irão viver com o pai na qual não tinham muito convívio. Enquanto Bella se vê atraída pelo enigmático Edward Cullen, Sophia reencontra Jacob Black seu amigo de infânci...
