34 - Perfect

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[ Perfect - Simple Plan ]

POV NARRADOR

Aon Phetpailin sempre foi um homem duro, tanto na vida quanto com sua família. Patriarca de uma dinastia que parecia inquebrável, ele governava a família com mão de ferro e um coração endurecido pelas ambições da vida. Sua esposa, Pohn, igualmente implacável, sempre soube cuidar dos interesses de Aon, garantindo que seu império permanecesse intacto. Por isso, ele tolerava suas maneiras frias e e seus ações manipuladoras.

Na visão tradicional e pouco evoluída de Aon, a forma como Pohn criava Kornkamon era apenas uma mãe ensinando modos à sua filha. Ele fazia vista grossa para os métodos cruéis e doentios que Pohn usava, acreditando que a disciplina rigorosa era necessária para moldar uma líder digna do nome Phetpailin, por mais dura que a realidade pudesse parecer.

A ganância de Aon era insaciável. Seu desejo por poder e controle o tornava um homem imponente, que raramente demonstrava qualquer sinal de fraqueza ou emoção. No entanto, havia um tempo em que os resquícios de compaixão e carinho ainda habitavam seu coração. Esses sentimentos começaram a se dissipar com a morte precoce de seu primogênito, Kanon, o menino dos seus olhos.

Kanon era o herdeiro perfeito aos olhos de Aon. Forte, inteligente e carismático, ele possuía todas as qualidades que Aon valorizava. Mas sua vida foi tragicamente interrompida, deixando um vazio no coração do pai que jamais seria preenchido. Com a morte de Kanon, qualquer vestígio de ternura que Aon pudesse ter se esvaiu, transformando-o em um ser ainda mais rígido e frio.

Essa perda não apenas endureceu o coração de Aon, mas também intensificou seu desejo de moldar Kornkamon para assumir o papel que Kanon deveria ter ocupado. Pohn, vendo a obsessão do marido, aproveitou-se da situação, usando-a para justificar seus próprios atos cruéis.

Kornkamon cresceu sob a sombra de um pai que raramente lhe demonstrava afeto, e de uma mãe que via nela apenas uma ferramenta para alcançar seus objetivos. A pressão era imensa, e a cada dia que passava, Aon se afastava mais da filha, incapaz de ver nela a herdeira que tanto desejava. Em vez disso, ele via apenas uma constante lembrança do filho perdido, um reflexo do que nunca poderia ser.

Aon nunca se preocupou em entender os sentimentos de Kornkamon ou em oferecer-lhe apoio emocional. Para ele, as emoções eram uma fraqueza que não podia se dar ao luxo de demonstrar. Sua prioridade era manter o controle, garantir que sua família permanecesse poderosa e que o império que havia construído continuasse a prosperar.

A dinâmica familiar era tóxica e sufocante, e Kornkamon, presa nesse ambiente hostil, lutava para encontrar sua própria identidade.

Certo dia, Aon Phetpailin acordou sentindo-se um pouco mal. Uma dor de cabeça intensa e uma fadiga inexplicável o fizeram decidir não ir trabalhar naquele dia. Passou algumas horas da manhã em seu quarto, tentando se recompor. Mas a dor persistia, e ele finalmente decidiu que precisava encontrar algum remédio para aliviá-la.

Levantou-se lentamente e se dirigiu ao quarto de sua esposa, Pohn, com quem não dividia mais a cama há muitos anos. O relacionamento entre eles havia se tornado frio e distante, e eles preferiam manter certa distância um do outro. Entrou no closet de Pohn, onde ela costumava guardar alguns medicamentos.

Enquanto procurava pelo remédio, algo chamou sua atenção: uma porta entreaberta, revelando um cofre do qual ele não tinha conhecimento. Intrigado, Aon aproximou-se e tentou abri-lo de todas as formas possíveis, mas sem sucesso. Determinado a descobrir o que havia dentro, chamou um especialista para fazer o serviço.

Pouco tempo depois, o profissional contratado conseguiu abrir o cofre. Aon observava ansioso enquanto a porta larga se abria lentamente. Dentro, encontrou uma coleção de documentos, joias, dinheiro vivo e algo que chamou ainda mais sua atenção: um diário. Ao abrir o diário, viu uma letra vagamente reconhecível. O nome na primeira página fez seu coração parar por um momento: Kanon Phetpailin.

Ecos da Tormenta (MonSam)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora