Epílogo: Encontro

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"Eu encontrei um amor para mim

Querida, mergulhe de cabeça

E me siga

Bem, eu encontrei uma garota, linda e doce

Eu nunca pensei que você era

A pessoa que me esperava

Pois nós éramos apenas crianças

Quando nos apaixonamos

Sem saber o que aquilo significava

Eu não desistirei de você desta vez

Mas querida, me beije devagar

Seu coração é tudo o que eu tenho

E em seus olhos, você guarda os meus"

Perfect - Ed Sheeran

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Não era a primeira vez que ele entrava naquele complexo, na verdade esteve muitas vezes naquele local, mas em nenhuma outra ocasião se sentiu tão nervoso quanto agora. Suas mãos suavam, estava visivelmente apreensivo, dedos trêmulos, tentando disfarçar a tensão enquanto inutilmente olhava para o jovem que o conduzia. O seguiu em absoluto silêncio, até que o shoji¹ foi aberto e ele deslizou para dentro deixando as sandálias na soleira do aposento.

O líder apontou para o zabuton² a sua esquerda, acomodou-se sobre as pernas muito incerto de como iniciaria aquela conversa. Seu rosto bronzeado estava queimando ruborizado pela situação. Fixou os olhos no chão, analisando os adornos da almofada, seus pensamentos estavam longe, absolutamente perdido no que diria, havia ensaiado muito, e estava prestes a deixar ruir os próprios esforços. Lembrava-se de outra ocasião quando foi até aquela mesma sala pedir Hinata em namoro, na época não se recordava de ter ficado tão incerto com a reação do austero Hyuuga, mesmo diante dos conflitos internos que pai e filha travavam.

- Então... - Hiashi iniciou apontando para o chabudai³ que possuía duas xícaras fumegantes de chá, ele estava oferecendo a bebida ou solicitando que ele começasse a explicação para sua solicitação de uma audiência particular, não soube compreender completamente.

- Senhor Hyuuga... - Coçou os cabelos se sentindo estranho com o coração galopando.

- Chá? - Ele finalmente disse, Naruto assentiu respirando fundo.

A bebida quente desceu por seus lábios queimando sua garganta, o gosto de ervas amargas da emulsão se misturando com o líquido gástrico que estava querendo subir por seu esôfago. O depositou novamente na mesinha, olhando para os entalhes, era muito fácil prestar a atenção em qualquer outra coisa que não fosse nas palavras que precisava pronunciar.

- Senhor... eu...

"Como era mesmo as palavras?"

"O texto que ele havia escrito há meses atrás que foi modificado, reescrito, lapidado, o que Shikamaru havia dito?"

As palavras desapareciam, e não sabia como continuar.

- Acalme-se rapaz, beba mais um pouco de chá. - Hiashi falou tranquilamente, o que o deixou se sentindo um tolo. Bebericou a bebida, buscando dentro do moletom o papel com suas anotações, e tudo que sentiu sobre os dedos foram pedaços de algo molhado. Idiota! Ele havia lavado a jaqueta com as anotações dentro do bolso. Fechou os olhos em reprimenda para a própria atitude descuidada.

(𝓓𝓮𝓼)𝓔𝓷𝓬𝓸𝓷𝓽𝓻𝓸𝓼Onde histórias criam vida. Descubra agora