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Ela observou as raízes descendo pelo teto e pelas janelas - o salão da Lufa-lufa fica um andar abaixo do Salão Principal e abaixo dos jardins, portanto, duas coisas são comuns: cheiro de comida bem feita pelos elfos e flores nascendo no teto e no alto dos móveis - e suspirou confortada.

Há poucas plantas por causa do inverno rigoroso, a luz esbranquiçada do sol pálido deixava a madeira amarelada da mobília com um brilho esmaecido, mas o calor vindo do fogo criava um ambiente aconchegante. Dizia "bem-vindo a todos, não importa quem." A lareira estalando perto dos sofás onde ela se encolheu combina com o Natal. Cobriu o rosto com as mãos. Poucos alunos iam e vinham pelo salão circular com janelas circulares que mostravam os campos cobertos pelo frio tapete invernal, nenhum notara a garota na poltrona, chorando baixo.

Ela foi muito idiota, não pensou direito e se deixou levar pela conversa interessante. Agora vai ser piada. Todos os sonserinos fazem isso com os lufanos. Transformam-nos em chacota para toda a escola, humilham por não ser uma casa expressiva como a Grifinória e seus guerreiros. E segundo Hinata, cujo julgamento é um dos mais confiáveis para Naruto, falta muito pouco para Sasuke ser um sonserino digno de Salazar. Porém não no mau sentido, pois ele só humilhava "quem merecia".

Talvez ele fosse a nova "versão" de Sonserinos, inspirados por bruxos como Horácio Slughorn, Draco Malfoy e Severo Snape, ex-diretor de Hogwarts. A maioria ainda cultuava a questão purista do sangue, mas não como antes. O elitismo não era mais uma característica sonserina - existiam elitistas nas outras casas, embora eles se mantivessem às sombras. Um sonserino verde e prata, não só verde e tampouco apenas prata, como Sakura gosta de comparar.

Ela diz que todos os estudantes de cada casa se definem pelas cores dos brasões.

Grifinórios rubros, dourados ou ambos.

Corvinos cerúleos, bronzeados ou ambos.

Lufanos negros, amarelados ou ambos.

É um jeito interessante de observar os extremos e os medianos de cada casa.

Seus olhos se prenderam no fogo por alguns minutos, devaneando sobre como seria o encontro, aonde eles iriam e o que fariam. Sasuke seguraria sua mão? Provavelmente não. Rosamund Weasley lhe disse que ele não faz o tipo romântico - ela saiu com Sasuke por dez dias, mas os dois terminaram porque não tinham muito em comum. E o pai de Rosa - Carlinhos Weasley - ficou furioso por saber que a filha se envolveu com um sonserino muito estranho.

Duas garotas conversavam com o Frei Gorducho sobre Sasuke do outro lado do salão.

Que coincidência terrível.

-Ele é do Brasil... Tem o olhar vazio, mas certa calidez ao falar... Parece cordial. - comentou ao fantasma ao seu lado, Lea Blanche enrolava a ponta do xale no dedo enquanto Rosamund falava, a primeira Weasley não-grifinória em gerações. Naruto saiu do sofá para ir ao seu dormitório.

Sasuke já deve ter voltado e visto a mesa vazia.

Provavelmente está furioso.

O fantasma notou a garota roliça indo embora e flutuou atrás dela.

-Srta. Uzumaki. - é o Frei Gorducho, o fantasma da casa Lufa-lufa, sempre com sua tacinha etérea cheia de vinho. Naruto o cumprimentou sorrindo. - Há um rapaz do lado de fora, esperando-a.

-Como? - estagnou no lugar e lentamente voltou seus olhos para a porta circular do salão, como se pudesse ver através das paredes. Não, não é ele. Não faz sentido que seja ele. É só alguém querendo tirar dúvidas consigo. Muito comum acontecer no dia a dia. Sempre aparece alguém de outras casas querendo estudar sobre Herbologia, Adivinhação ou Runas Antigas. - Quem é?

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