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No dia seguinte, ela soube que Sasuke recebeu uma detenção - mais uma para a conta. Minerva o questionou se ele queria bater o recorde de detenções da escola e a resposta dele foi “é culpa do gato, senhora.” Devia limpar e polir todos os caldeirões das aulas avançadas de Poções conforme suas especificações depois do período da tarde. Sasuke cumpriu sem reclamar. Do seu jeito. Levou seus livros, seu caderno, penas e pergaminhos dentro da mochila e quando se viu sozinho, revisou e fez seus deveres enquanto trabalhava. A punição era puramente física, então seu cérebro estava livre para trabalhar.

E este era um bom momento de continuar exercitando suas aptidões para a magia não-verbal e a magia sem o uso de uma varinha, já que não havia ninguém o questionando sobre suas ações e nem o condenando por ser estrangeiro, nascido-trouxa e da Sonserina.

Ele é consciente de que existem bons jovens em Hogwarts, mas parece que a sua bússola interna só aponta para o lado desigual da balança e nem se surpreende mais.

Quando acabou os deveres do dia, estava na metade dos caldeirões, de modo que retomou a leitura do livro que buscou na biblioteca sobre Alvo Dumbledore e Nicolau Flamel.

Nesta tarde, especificamente, Sasuke lia sobre as proezas mágicas de Dumbledore as quais lhe conferiram o título de Bruxo mais Poderoso da sua Época e tão importante para a comunidade naqueles dias sombrios quanto o famoso Menino que Sobreviveu.

E o seu envolvimento profissional com Nicolau Flamel por meio de trabalhos que entraram para a história, desenvolvendo projetos e pesquisas incríveis - Flamel era o mais famoso alquimista de todos os tempos, criador da pedra filosofal e, até 1992, imortal. Ele e a esposa.

Seu coração palpitava de alegria enquanto fazia a pena anotar as informações mais importantes que ele encontrava enquanto lia.

Tal como o Sr. Akin de Palmares e os outros Protetores Perpétuos, aquelas personalidades inspiram Sasuke e moldam o tipo de bruxo que ele quer se tornar. De alguma forma, o garoto sente, a cada página devorada pelos seus olhos ávidos por mais saber, Dumbledore é tão semelhante em estilo e personalidade ao Sr. Akin de Palmares que suspeitou de uma amizade secreta entre eles.

Secreta porque é de conhecimento comum que alguns bruxos europeus veem os bruxos brasileiros e sulamericanos como bárbaros e selvagens dada duas das três origens mágicas serem os indígenas e os africanos, entre outros aspectos provocados pelos séculos de relações instáveis.

Sasuke pensa em tudo isso como recalque, inveja e até mesmo um sentimento de impotência ante às proezas latinas, porque graças a essa tríade, os bruxos brasileiros são hábeis a realizar feitiços se valendo de meios não convencionais, como cantos, danças, movimentos de mãos, instrumentos musicais, rituais diversos e, é claro, magia não-verbal e manual;

Conseguiu aprender muito de tais aspectos únicos e fantásticos da Magia Brasileira e Latina em 5 anos e meio de estudos incontestavelmente exaustivos e intensos ao lado do seu mestre amoroso, mas rígido - para a sua idade e para o seu começo conturbado - e continuava aprendendo porque trouxera todo o material de ensino, pesquisa e consulta que o Sr. Akin de Palmares usava e a esposa doou a Sasuke como parte da sua nova realidade educacional.

“É mais fácil que os porcos voem do que um europeu aprenda o nosso jeito, Sasuke. Porém, nós podemos aprender o jeito deles. Aprenda e se torne o que nasceu para ser: o maior de todos. E retorne para o seu lugar de direito, Sasuke Uchiha.” foi um dos últimos conselhos dados pelo Sr. Akin de Palmares antes de morrer e era a razão da determinação e do esforço constante em estudar.

Porém, a continuidade do seu treinamento acontecia longe dos olhares. Eles não entenderiam. Quando enfim conseguiu se converter em animago e viu em qual animal se transfigurou - uma Águia Real ou Harpia, uma ave brasileira de propriedades mágicas pouco conhecidas -, sentiu um grande orgulho da sua origem. Ele interpretou aquilo como um sinal de que era este, de fato, o seu caminho. Sasuke alongou o corpo e buscou outro caldeirão, faltavam poucos e ele estava com fome.

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