Cap 38: Causa e Consequência.
Lovers by Luna
Doarda •
Eu sinceramente não acredito que disse aquilo. Quando cheguei em casa, apenas me tranquei no quarto e comecei a chorar até desidratar. Algo dentro de mim, uma chama, se apagou no mesmo instante que eu disse aquilo. Possível voltar no tempo e nunca ter dito aquilo? Será que é a coisa certa a se fazer? Me acalmo um pouco e entrelaço meus dedos, começando a rezar. Toda vez que eu orava por algo que fiz, eu me sentia culpada se oque fiz foi algo errado. E quando era certo, eu me sentia livre. E essa é minha única aproximação com Deus. Senti meu coração tão apertado que achei que iria sair do tórax. O peso que havia em meus ombros, ficaram cada vez mais pesados. Eu tenho que ir no psicólogo amanhã, preciso dormir, mas esse é o problema. Eu sabia perfeitamente que não iria conseguir dormir. Dormir sabendo que Sofia estava com saudade, ou que me amava, acalmava meu coração e eu conseguia dormir leve como uma pena. Me levanto e abro minha bolsa, procurando pelo meu pelúcia, eu precisava ouvir a voz de Sofia, eu vacilei muito. Abraço a barriga dele e a voz de Sofia sai abafada.
Narrador ~
Sentada no canto da cama, com o rosto enterrado entre as mãos, ela sentia o peito apertar como se uma mão invisível estivesse esmagando seu coração. Pedir um tempo pra Sofia, parecia, no momento, a única coisa a se fazer.
Mas agora, cada lágrima que escorria, era um lembrete cruel sobre oque ela tinha acabado de fazer. Doarda vacilou com a única pessoa que realmente a entendia, que a amava. Sofia era o porto seguro dela, a risada fácil que ela soltava nos dias ruins, o abraço que sempre fazia ela acreditar que o mundo é menos cruel. E Duda sabia que o problema não era Sofia, era ela mesma. Duda achou que só precisava de espaço, mas nem ela acredita nisso mais. As mensagens de Sofia ainda estavam lá, estocadas no celular. Mensagens doces, preocupadas, tentando entender, mas Duda não tinha coragem de falar com ela agora. Era doloroso não conseguir responder nenhuma mensagem, pelo maldito medo da rejeição. No fundo, ela só queria uma coisa: Voltar no tempo. Mas agora tudo que restava era o silêncio, o travesseiro molhado de lagrimas e o desejo insuportável de que Sofia pudesse perdoar seus erros.
Duda é uma baita idiota.
♤
– Como vai, Duda? – Meu psicólogo, David, me pergunta enquanto estou sozinha na sala, sentada no sofá.
– Mal. – Falo, abraçando meus joelhos e evitando seu olhar.
– Hum, posso saber oque aconteceu? – Ele pergunta cruzando as pernas e me olhando atentamente.
– Eu... acho que vacilei com a Sofia. Tipo, eu pedi um tempo pra ela.. – Ele arregala os olhos.
– Como assim?
– É que.. a gente já tava brigando, mas, eu não conseguia parar de pensar besteira, sabe? Coisas negativas. Aí eu pedi um tempo, e ficar longe dela tá me fazendo muito mal, e imagino que pra ela também. – Meus olhos se enchem de lágrimas. Minha vida está uma bagunça.
– Você sente que isso é certo? – Pergunta e eu falo que não. – Duda, quando percebemos que fizemos borradas, principalmente com a namorada, devemos correr atrás e pedir desculpas. Oque acha?
– Bom. Mas não tenho coragem pra fazer isso. – Suspiro.
– Oque te impede? – Ele diz a coisa mais sábia que já disse hoje. Oque me impede? Oque me impede de correr atrás do amor da minha vida? Oque me impede de ser melhor? Oque me impede de ser a melhor namorada do mundo?
– Não sei, mas será que essa dependência é saudável? – Pergunto
– Talvez sim, talvez não, mas essa decisão é totalmente sua. – Pisco.
– Bom, sua sessão acabou. Pensa bem antes de agir, tá? Tenta falar com ela hoje. – Assenti e sai do consultório. Meu pai já estava me esperando na recepção. Era incrível como o doutor David era sábio.
– Oi filha, como foi a sessão? – Ele solta o telefone e se levanta, me guiando até a saída.
– Me leva pra casa da Sofia? – Pergunto fazendo cara de coitada. – Por favor, pai! Eu vacilei muito com ela! – Novamente meus olhos lotam de lágrimas.
– Hum, certo. – Fomos até o carro. Agora preciso colocar na minha cabeça que tá tudo bem, e que vai ficar tudo bem. – Filha, tem certeza que está tudo bem?
– Tenho. Só preciso ir pedir desculpas pra Sofia. – Suspiro.
– Oque você fez? – Pergunta cruzando os braços.
– Vacilei com ela. Pedi um tempo. Mas eu estava errada. Não sei se consigo ficar longe dela. – Meu coração acelera, e eu percebo o qual apaixonada sou pela minha namorada.
– Essa é minha garota! – Ele dispara pro condomínio de Sofia. Eu amo meu pai, apenas pelo simples fato dele me apoiar em todas as ocasiões possíveis. Mas faz questão de esfregar na minha cara que estou errada. Olho pra janela, vendo as folhas das árvores caírem e ficarem amareladas, os prédios ficando cada vez mais altos, o céu mais cinzento, as cores do céu de tardezinha, o laranja se misturando-se com o azul, e como é domingo, dá pra ouvir o som dos bares com pagode alto. Meu pai estaciona na frente do predio e me desejar boa sorte. Saio do carro, tendo um leve choque térmico quando entrei em contato com a Brisa quente da tarde.
– Duda! Vou te esperar. – Meu pai avisa e eu assinto com a cabeça. O recepcionista me deixa entrar e em seguida vou até o elevador, era estranho vir aqui de novo. A porta se abre e vou andando com passos rapidos até o seu apartamento. Apertei a campainha e dei de cara com a irmã dela, Samanta.
– Ah, oi Duda! – Samanta diz. E nossa como elas são parecidas.
– Sofia está? – Pergunto com um pouco de medo.
– Na verdade não. Ela saiu pra comprar.. – Ela desvia o olhar. – algumas coisas. Já já ela chega, então, entra. Fica esperando lá no quarto dela, beleza? – Ela diz e eu entro lá. Fazia tempo que eu não ia pra casa da Sofia. O cheiro do aroma do quarto de Sofia me faz ter vários deja vús de quando entrei no seu quarto pela primeira vez. É uma mistura de Lilases e Cravo. Sento na cama de casal de Sofia, e sinto que está tudo tão... arrumado? Sofia é bagunceira, não faz sentido seu quarto estar perfeitamente organizado. Ouço a porta da casa abrir e a voz de Sofia calma ecoar pela casa. Ela abre a porta do quarto e seu cheiro entra pelas minha narinas.
– Oque está fazendo... aqui? – Seus olhos estão arregalados e ela esconde algo atrás dela. Samanta aparece por um momento, mas some inesperadamente, Sofia para de esconder suas mãos.
– A gente pode conversar? – Pergunto e ela entra no quarto e tranca a porta. A mais alta se senta ao meu lado. – Sobre aquilo que eu disse... eu acho que me arrependo agora. Eu achei que era o certo a se fazer, mas até o David, disse que era errado isso, e sei que ele está certo. E eu não sei se consigo ficar longe de você. Você é meu porto seguro, Sô.. – Falo tudo que vem em mente e ela faz carinho na minha nuca.
– Tenho uma coisa muito importante pra te dizer. Eu ia tentar falar por mensagem, mas como você tá aqui.. – Ela suspira e expira. – Duda, eu vou ficar em Recife por um tempo. Preciso organizar algumas coisas da loja da minha irmã, e não sei se vou voltar muito cedo. É começo de dezembro, eu acho que só volto em janeiro. Não vou conseguir passar o Natal e o Ano Novo com você. E eu vou sair hoje pro aeroporto, mas eu prometo.. – Ela diz cuidadosamente. – Prometo que vou te ligar todos os dias e todas as noites pra saber se você está bem. – Meus olhos se enchem de lágrimas e ela me abraça. Não aguento segurar as lágrimas dessa vez e começo a ter uma crise de choro. Será doloroso ficar sem minha Sofia.
— Eu te amo. – Sofia diz baixo no meu ouvido.
...
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Minha Versão de Você
FanfictionSofia Santino tem 17 anos e está no terceiro ano do ensino médio, ela conhece uma garota chamada Doarda, que mudou sua vida. A história fala sobre autoconhecimento, como ajudar alguém que esteja ruim da cabeça, amadurecimento e claro, um romance gra...
