Iris

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esperança, coragem, renovação

Rebeca destrancou a porta do apartamento quase sem energia, o corpo exausto após mais um dia que parecia interminável. A rotina de treinos estava mais intensa a cada semana, e as entrevistas, por mais necessárias que fossem, sugavam suas forças. Era como se ela estivesse em um loop infinito de cobranças e expectativas, sem tempo para respirar.

Jogando a mochila no canto da sala, Rebeca se deixou cair no sofá, ainda com as palavras de Lorraine ecoando em sua mente: "Você já provou tudo o que tinha pra provar. Não pra ela, não pra ninguém, mas pra você."

Lorraine sempre sabia o que dizer, mas, mesmo assim, as dúvidas ainda a perseguiam. O peso da última conversa com sua mãe também continuava a apertar seu peito. Ela abriu o celular e encarou a mensagem que havia recebido mais cedo.

"Rebeca, estamos esperando você em casa no fim de semana. Não inventa desculpas. Estamos com saudades"

Sua mãe não tinha perguntado sobre seus planos ou considerado a agenda dela. Ela sempre fazia isso. Era como se suas próprias vontades fossem irrelevantes. Mais uma vez, o sentimento de não ser suficiente para agradar a todos tomou conta de Rebeca.

Ela apertou os olhos, lutando contra a pressão que parecia esmagá-la. As palavras da psicóloga vinham à tona, suaves mas firmes: "Você não precisa carregar o peso de todas as expectativas. É importante respeitar os seus próprios limites, Rebeca. Permita-se ser humana."

Humana. Era isso que Lorraine tinha tentado dizer também, mas parecia impossível. Não para alguém como ela, cuja vida inteira havia sido definida pela perfeição.

O apartamento estava silencioso, quase opressor. Rebeca olhou para o celular novamente, passando os dedos pela tela sem pensar. O contato de Gabi estava lá, entre as mensagens mais recentes.

Por um momento, ela hesitou. Desde que Gabi havia voltado para a Itália, o espaço entre elas parecia crescer, mas era culpa dela. Não de Gabi. Rebeca sabia que era a sua incapacidade de abrir o coração completamente, de compartilhar o que realmente sentia. E isso sempre a fazia se afastar das pessoas.

Mas, naquela noite, a saudade era maior que o medo.

Com dedos trêmulos, Rebeca abriu a conversa e digitou a primeira mensagem.

"Você está acordada?"

Depois de enviar, encarou a tela por alguns segundos antes de digitar outra mensagem, como se as palavras finalmente estivessem transbordando.

Ela sabia que era tarde na Itália, mas esperava que Gabi estivesse acordada. Não sabia exatamente o que queria dizer, mas precisava ouvir a voz dela, sentir a leveza que Gabi sempre trazia, mesmo a distância.

Enquanto esperava, Rebeca apoiou a cabeça no encosto do sofá, permitindo que o cansaço a envolvesse. Ela não tinha todas as respostas, mas, pela primeira vez em muito tempo, estava disposta a tentar encontrá-las, mesmo que isso significasse se permitir ser vulnerável.

Rebeca colocou o celular no colo e apoiou o rosto nas mãos. O cansaço era físico, emocional, mas, por um instante, ela sentiu um fio de alívio. Não sabia exatamente o que iria dizer a Gabi, mas, pela primeira vez em muito tempo, estava disposta a tentar.

Em segundos Gabriela respondeu, como de estivesse esperando por ela também.

"Você tem o direito de ser cuidada também, Rebeca."

As palavras da psicóloga surgiram novamente, e Rebeca respirou fundo, deixando que a possibilidade de compartilhar sua dor fosse um pequeno passo na direção certa.

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⏰ Última atualização: Dec 13, 2024 ⏰

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