"Livro 4 da Série Barcelona"
Velhos conhecidos, desde adolescentes, Fermín e Pilar nunca demonstraram interesse um no outro além da amizade cordial que possuíam por fazerem parte do mesmo ciclo de amizades.
Porém, anos depois e mais velhos, ambos se...
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Alguns Dias Depois
Era engraçado pensar em como tudo parecia tão simples agora, tão... Natural. Fermín e eu tínhamos encontrado uma espécie de equilíbrio improvável nessa coisa que chamávamos de acordo. Nada de cobranças, nada de expectativas, apenas o que queríamos naqueles momentos específicos. E, curiosamente, isso parecia estar funcionando melhor do que qualquer outra coisa que eu já tenha vivido.
Sempre que um dia ruim acontecia, ele estava lá. Como ontem, quando uma sequência de aulas maçantes e um professor irritante quase me fizeram desistir de tudo. Eu saí da faculdade bufando de raiva, e em menos de meia hora, estava no sofá do Fermín, ouvindo ele reclamar de um treino particularmente exaustivo enquanto nós dois terminávamos uma garrafa de suco — já que ele tinha que evitar beber — antes de, bom... Desestressar. Era simples. Prático. Sem complicações.
E o mais estranho? Às vezes, depois de tudo, nós simplesmente ficávamos ali, conversando como se fôssemos amigos de longa data. Sobre a vida, sobre coisas aleatórias, sobre o quanto o Gavi ainda fazia drama com qualquer coisa, ou sobre como a Maya parecia sempre ter a resposta certa para tudo, da minha relação com as meninas... Nenhum de nós se levava a sério demais, e isso tornava tudo mais leve.
Mas, claro, ninguém além dos nossos mais próximos sabia. Bom, até a sexta-feira da pizza. Porque, é claro, naquela noite específica, as coisas precisavam sair do controle de algum jeito.
Estávamos todos na sala do Brad e da Maya. Pizza, risadas e a música ao fundo davam ao ambiente um tom descontraído. As crianças estavam em alguma festa de um colega da história. Eu estava sentada ao lado de Sol e Manu, tentando ignorar o fato de que Fermín estava do outro lado da sala, jogando videogame com Gavi. Era fácil disfarçar. Até que... Não foi mais.
— Então, vocês dois... Estão juntos? — Maya perguntou, largando o pedaço de pizza na borda do prato e nos encarando com um olhar clínico, como se estivesse em seu papel de psicóloga analisando os próprios pacientes.
Meu rosto ficou vermelho antes mesmo de eu abrir a boca. Fermín, do outro lado da sala, soltou um riso baixo e virou o olhar para mim, como se me desafiasse a responder.
— Não exatamente... — Comecei, mas isso só fez Maya erguer uma sobrancelha. Ótimo. Agora eu era um livro aberto.
— Não exatamente? — Brad interveio, rindo enquanto cruzava os braços. — Isso soa muito como um "sim, mas eu não quero admitir".
— É complicado, tá? — Falei, levantando as mãos. — Não é o que vocês estão pensando. A gente só... Tem um acordo.
Maya e Brad trocaram um olhar cúmplice, como se estivessem prestes a me dissecar. Sol e Manu, que obviamente já sabiam, tentaram não rir. Tentaram, mas falharam miseravelmente.