"Livro 4 da Série Barcelona"
Velhos conhecidos, desde adolescentes, Fermín e Pilar nunca demonstraram interesse um no outro além da amizade cordial que possuíam por fazerem parte do mesmo ciclo de amizades.
Porém, anos depois e mais velhos, ambos se...
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Sexta-feira, 06 de Outubro, 2023
Era sexta-feira de manhã, e eu não tinha absolutamente nenhuma pressa de começar o dia. Pilar estava encaixada perfeitamente nos meus braços, a respiração dela tranquila, e o cheiro doce do perfume que ainda permanecia na pele dela era o suficiente para me manter ali para sempre. Eu beijava o rosto dela, traçando uma trilha lenta pelo pescoço, enquanto ela se mexia preguiçosamente, tentando se afastar, mas não muito.
— Fermín, a gente tem que levantar... — A voz dela soou baixa, com aquele tom que eu já sabia que era mais para se convencer do que para me mandar fazer qualquer coisa.
— Levantar pra quê? Tá tão bom aqui. — Apertei-a ainda mais contra mim, colando nossos corpos.
Ela riu, virando o rosto para me encarar, os olhos semicerrados de sono.
— Levantar antes que eu volte a estar por baixo...
Fingi me ofender, soltando um suspiro dramático.
— O que você tá insinuando? Que não gosta de sexo matinal? Isso é um ataque pessoal.
Ela arqueou a sobrancelha, divertida, mas com aquele ar de quem não cede fácil.
— Eu gosto, mas atrasa, e nós já estamos atrasados.
— Atrasados pra quê? Sexta-feira é dia de começar o dia devagar, ninguém vai notar.
Pilar revirou os olhos, aquele sorriso pequeno no canto da boca denunciando que, mesmo contrariada, estava se divertindo.
— Fermín, eu tô falando sério...
Ela se mexeu, tentando escapar do meu aperto, mas não facilitei. Só que Pilar era insistente — e, se eu tivesse que admitir, mais ágil do que eu antes das oito da manhã — e conseguiu se desvencilhar.
Quando ela saiu da cama e começou a andar na direção do banheiro, completamente nua, precisei morder o lábio para não falar nada indecente. Não consegui me segurar por muito tempo. Ela me deixava sem palavras.
— Você é um monumento, sabia?
Ela congelou no meio do caminho, virando o rosto para mim com as bochechas corando instantaneamente.
— Você não presta.
— Só tô falando a verdade... — Dei de ombros, rindo quando ela balançou a cabeça e continuou em direção ao banheiro.
Ouvi o barulho do chuveiro sendo ligado e fiquei mais alguns segundos largado na cama, encarando o teto. O sono ainda me puxava para baixo, mas a ideia de organizar minimamente o quarto dela — e de um café forte — me ajudou a criar coragem.
Levantei com preguiça, puxando as duas roupas que estavam espalhadas pelo canto do quarto. Uma camisa minha que Pilar tinha usado e jogado no chão ontem à noite e um vestido dela que estava pendurado na cadeira. Deixei tudo dobrado em cima de uma poltrona no canto e dei um passo para trás, observando como o quarto dela era organizado, mas ao mesmo tempo caótico, de um jeito que combinava perfeitamente com ela.