Burguesa
A vida nunca foi fácil, mas quando minha mãe e minha tia mergulharam de cabeça no mundo das drogas, tudo desabou de vez. Cada dia parecia um novo peso jogado nas minhas costas, e eu só conseguia me perguntar: "O que eu fiz pra merecer isso?"
Meu pai? Nunca fez questão de estar presente. Nunca perguntou se eu tava bem, nunca se preocupou se eu tinha comida no prato ou um teto sobre a cabeça. Escolheu uma mulher que só afundou ele ainda mais, e a verdade é que ele nunca tentou sair desse buraco. Mas quer saber? Eu não tinha nada haver com os erros dele. Ele podia ter feito diferente comigo, pelo menos na minha criação, mas preferiu virar as costas.
No meio desse caos, quem sempre esteve do meu lado foi a Musa. Ela era tipo uma irmã pra mim. A gente passou por tudo juntas: fome, medo, risadas... ela era minha fortaleza. Só que quando ela conheceu o Alemão, tudo mudou. Ele começou a querer controlar os passos dela, queria ela mais perto dele o tempo todo. E eu? Tive que aprender a lidar com essa ausência.
Pra "compensar", Alemão fez o Baralho se aproximar de mim. E olha, eu não esperava nada disso, mas acabou que rolou. Estamos junto há 4 anos. E eu posso dizer, sem medo de errar, que Baralho é um dos caras mais tranquilos que já conheci... em algumas ocasiões, pelo menos. Ele tem um jeito que me ganha, me faz rir, me faz esquecer um pouco do peso dessa vida.
Só que ele tem um defeito que me tira do sério: vai muito na cabeça dos outros. Principalmente na do Alemão. Fora da boca, eles são como marido e mulher, de tanto que vivem grudados. É mensagem o dia todo, papo furado, planos. Eles tão sempre se protegendo. "Mexeu com um, comprou briga com os dois". Às vezes eu fico só de longe, pensando se Baralho realmente entende o quanto isso me irrita.
Tem o meu trabalho, eu que oriento e faço as cobranças aqui. Cobrar gente pro Alemão não é brincadeira. Quem não paga, sabe o que acontece. E sou eu umas da quem executa. Já tirei muita gente desse mundo. No começo, o peso na consciência quase me matou, mas com o tempo, você aprende a desligar. Não que eu me orgulhe disso, longe disso. Mas essa foi a vida que me escolheu, e agora eu tô dentro.
Quando olho pra trás, vejo que meus 20 anos de vida foram um caos completo. Mas mesmo assim, eu não trocaria essa vida. Tenho um namorado que me entende (na maioria das vezes), amigas que são mais que irmãs e parceiros que nunca me deixaram na mão.
Só que no fundo, lá onde ninguém enxerga, eu me pergunto: "Até quando?" Porque uma hora ou outra, a conta vai chegar. E talvez, quando chegar, eu não tenha pra onde correr.
↝🍃↜
Hoje completei 24 anos. Não quis fazer festa, mas decidi comemorar em um barzinho com as meninas e os meninos que tão na minha vida a um tempo. Cada um deles foi essencial pra mim em algum momento, e tenho certeza de que nunca vão deixar de ser. Esse pessoal é a melhor amizade que eu poderia ter.
Musa: Nem parece que já tô te suportando há 14 aninhos. Sabe que pode contar comigo pra qualquer coisa, né? Se precisar, tamo aí — Ela me entregou uma caixa grande, toda embrulhada. — Abre só quando chegar em casa, tá? — Assenti e a abracei.
— Sabe que não precisava, né? Só de ter você comigo em tantos momentos já é mais do que suficiente — sorri, emocionada. — Quem diria que a gente ia aguentar tanta coisa juntas, flor. Tristeza, sofrimento... e, principalmente, esses namorados que se acham nossos príncipes encantados. — A gente olhou pro Baralho e pro Alemão, que tavam rindo e fumando.
Musa: Príncipes, Só se for vilões né? Mas é aquilo só temos que agradecer. Conquistamos amizades lindas.
Clara: Conquistaram mesmo, e graças a nós! — Ela chega junto com as meninas, já que estávamos um pouco longe da nossa mesa refletindo umas coisas.
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Obsessão Mortal. (Em Revisão)
Fanfiction+18|| Complexo da maré - RJ. Não existe história leve quando se ama dentro de um sistema sujo. Cada beijo pode ser o último, cada abraço, uma traição. No fim, cada um carrega suas paixões, seus problemas, mas todos vivem dentro do mesmo esquema. Não...
