Detroit, Michigan.
Dias atuais.
Quatro dias depois...
🗡️BLAKE WALTON🗡️
Os olhos cadavéricos, assim eram chamados. Sem vida. Vidrados. Vazios. Eses olhos se tornaram meus companheiros constantes, sempre me seguindo, bastando um piscar para que se revelassem.
Eles e escondiam nas profundezas da minha mente e me acompanhavam em meus sonhos. Eu via os olhos cadavéricos dele, no exato momento em que perdera a vida. Vislumbres rápidos surgiam nas sombras mais profundas e, às vezes, no espelho refletindo seu próprio rosto.
Contudo, os olhos cadavéricos que eu encarava agora não eram os de três anos atrás; eram os de um homem que jazia estirado em uma maca, vítima de quinze facadas em seu peito. Vidrados e sem vida, a não ser pelo movimento do meu reflexo estampado neles, mas agora eram apenas um oco vazio.
O corpo estava pálido como pedra, imóvel, incapaz de sentir a agulha atravessando seu peito ou o frio do necrotério; sem perceber o odor nauseante que pairava no ar.
Como estudante de medicina, você acaba se acostumando com muitas coisas; foi isso que aconteceu comigo. Mas eu me acostumei com isso por causa dele.
Asher. Ryder e Kasen.
Entretanto não parei; continuei fechando seu peito com a agulha até que meus dedos ficaram ensanguentados.
De repente, parecia que as luvas já não estavam mais nas minhas mãos e o sangue começou a subir lentamente sobre elas, como se fosse um poder sobrenatural ou uma transformação iminente. As lágrimas surgiram nos meus olhos e rapidamente me afastei do homem na maca.
— Merda! — exclamei ao olhar para as minhas mãos.
Respire fundo. Apenas respire.
Fechei os olhos com força na tentativa de acalmar meu coração que pulsava como o de um animal selvagem: forte, rápido e intenso. Então abri os olhos novamente e olhei para as minhas mãos, vendo as luvas ainda calçadas.
— Eu preciso de ajuda — solucei, ajustando minha postura e o tom da minha voz.
Retirei as luvas cuidadosamente e caminhei em direção à porta, jogando-as no balde de lixo ao lado.
Tirei a bata branca e pendurei-a com cuidado antes de sair para o ar fresco e o aroma familiar do hospital da minha mãe. Era reconfortante saber que ela estava realizando uma cirurgia naquele momento; eu tinha tempo.
Tempo de esfriar a cabeça e tentar afastar os pensamentos sombrios que me assombravam.
Quatro dias se passaram, mas para mim, pareciam uma eternidade. A cidade estava em alvoroço, todos comentando sobre a libertação dos três rapazes que foram levados a julgamento há três anos. Asher, Ryder e Kasen estavam soltos!
Enquanto a comunidade se preocupava com o que isso significava, eu sentia uma raiva ardente dentro de mim.
A revelação de que Asher não estava realmente preso durante todo esse tempo me consumia. Há dois dias, minha mãe descobriu que meu pai havia escondido Asher e o protegido — como isso era possível? Ele estivera tão perto de nós, tão sob nosso nariz.
Com frustração, passei a mão pelo meu rosto, tentando dissipar a confusão que me dominava. A tensão entre meus pais cresceu, uma discussão acalorada sobre segredos e mentiras.
Mas havia algo mais profundo acontecendo ali; no entanto desde que entrei no quarto do Tyler e tentei descobrir o que ele escondia e a origem daquele convite — contínuo sem respostas — tudo parecia mais enigmático do que nunca.
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RomanceDark Romance 🔞 Blake Walton: sempre se escondia no escuro, se tornandom um fantasma aos olhos de outras pessoas mas ela queria ser vista. Mas com medo das consequências. E ele a viu! Asher Sullivan: esquizofrênico, com seus demônios internos e um p...
