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Detroit, Michigan.
Dias atuais.

Sim, você não é ninguém para mim
Mas as palavras são venenosas
Eu vejo os olhos deles
Eu sou dessas, então quebre sua cabeça
Entenda que sou mais foda do que todas, todas essas vadias
Erika Lundmoen - Yad

🗡BLAKE WALTON🗡️

Meu rosto ainda ardia de vergonha, como se estivesse em chamas, e a sensação de constrangimento quase me fazia explodir após ter presenciado o Lee aos beijos.

Quando entrei na sala, o professor ainda não havia chegado, o que era um alívio. Escolhi um lugar no fundo, como sempre fazia; talvez por eu ter dificuldade em me socializar com meus colegas ou talvez porque eles me tratassem como se eu fosse um fantasma.

No meio deles, eu era apenas uma sombra que seguia os passos dos meus irmãos populares, sempre parecendo um zero à esquerda.

Cerca de trinta minutos se passaram até que o professor de Histologia, entrou na sala e começou sua aula. No entanto, as palavras dele logo se tornaram distantes, como um eco que não conseguia alcançar minha mente sobrecarregada.

Ele falava sobre os tecidos do corpo humano, mas eu mal conseguia me concentrar; meus pensamentos eram um turbilhão, especialmente quando ouvi alguns colegas comentando sobre o caos de três anos atrás e os eventos que marcaram aquele dia.

Fitei o quadro à frente enquanto o professor explicava a matéria. Ele começou a escrever no quadro negro com um giz que rangia ao entrar em contato com a superfície, criando um som familiar que ecoava na sala.

Por sorte, o ambiente não estava tão cheio quanto de costume; a agitação típica dos jovens adultos parecia mais contida nesse momento.

Enquanto estava absorta em meus pensamentos, meu celular vibrou sobre a carteira, interrompendo meu turbilhão interno. Curiosa, peguei o aparelho e olhei para a tela, onde uma mensagem aguardava na barra de notificações. Assim que li o conteúdo, franzi as sobrancelhas, tomada por uma mistura de confusão e apreensão.

A mensagem vinha de um número desconhecido, e a incerteza do remetente só aumentava minha inquietação.

Número Desconhecido: O que você está fazendo agora?

Franzi o cenho, um arrepio percorrendo minha espinha. Fiquei alguns segundos encarando a tela, perdida em um mar de incertezas, enquanto a identidade do remetente permanecia envolta em mistério.

Número Desconhecido: Não vai me responder?

A insistência desconhecida fez meu coração acelerar, um turbilhão de emoções fervia dentro de mim. Meus dedos hesitaram, mas a curiosidade venceu a razão e as palavras começaram a fluir como um rio rebelde.

Eu: Quem é você?

Mal tive tempo de respirar antes que a mensagem fosse lida, seguida pelo incessante sinal dos três pontos que dançavam na tela, como se o desconhecido estivesse deliberadamente prolongando minha agonia.

Número Desconhecido: Resposta errada.

Senti como se meus pulmões estivessem sendo comprimidos, cada letra digitada parecia uma batalha contra a ansiedade crescente. A tensão era palpável; quem estaria do outro lado da tela?

Eu: Eu não sei quem você é. Então diga a porra do seu nome.

Se eu tivesse mais força nos dedos, talvez o meu celular tivesse se despedaçado sob a pressão das minhas emoções. As mensagens eram um jogo de gato e rato; ele escrevia e parava, os três pontos aparecendo e desaparecendo como fantasmas em uma névoa.

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