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Há três anos...
Detroit, Michigan.

🗡BLAKE WALTON🗡️

Passo o pente da raiz até a ponta do meu cabelo diante do espelho. Pego o rímel e passo um pouco nos cílios. Entretanto, procuro minha fita vermelha favorita.

Vasculho os armários e não a encontro. Minha penteadeira treme quando bato a gaveta com mais força enquanto procuro a fita.

Solto um suspiro longo e irritado.

— Onde eu coloquei? — murmuro, ficando estressada por não achar.

Procuro novamente, puxando minha mochila escolar, mas não encontro. Vejo de novo nos armários, mas não está aqui.

Me agacho, baixando-me para ver se está por debaixo da minha cama, mas nada. Porém, ouço o barulho da maçaneta da minha porta sendo aberta e fechada e me viro para ver quem era.

Asher está parado, olhando para mim, em confusão.

— O que está fazendo? — ele pergunta.

Solto um suspiro me levantando.

— Estou procurando... — paro ao ver minha fita em suas mãos. — Por que você está com isso? — pergunto franzindo a testa.

Então minhas sobrancelhas suavizam.

— Eu esqueci no seu quarto na noite passada — lembro.

Ele acena com a cabeça e caminha lentamente, me entregando a fita e se senta na minha cama.

Durante os anos que Asher passou a morar conosco, desde que foi adotado pelo meu pai, ele passou de um menino para um jovem adulto. Nós tínhamos diferenças de três anos, mas aos dezenove anos, Asher parecia não mudar com o tempo. Seu queixo esculpido, cílios longos e a heterocromia em seus lindos olhos.

Sem perceber, o olho mais do que deveria e disfarço ao voltar minha atenção ao espelho prendendo meu cabelo.

— Não o faça — ele pronuncia.

Eu o olho.

— Está lindo solto — ele declara e eu sorrio.

Ele era tão lindo. Todas as garotas do meu colégio queriam beijá-lo. Ele é conhecido como o mini criminoso de quem todo mundo quer um pedaço.

Fico enjoada e talvez com ciúmes, especialmente quando as garotas entram em detalhes na sala de aula, no refeitório ou nos corredores sobre todas as coisas que queriam fazer com ele em quatro paredes.

Mas elas ficam com medo de dizer qualquer coisa na cara dele. Primeiro, porque elas sabem de quem ele é filho e pela sua má fama no colégio. Segundo, porque elas têm medo dele.

— Você está me encarando demais. Está assim tão encantada? — caçoa, me fazendo rir.

— Você não é tão especial quanto pensa — falo e ele ri, parecendo entender o que quis dizer.

— Você vai sair? — ele pergunta.

— Não — respondo.

Ele me encara por longos segundos. Talvez ele ainda visse a tristeza em meus olhos. Instantaneamente meus dedos vão de encontro ao meu antebraço e eu os aperto com tanta força que sinto o prazer e a dor se misturarem pelo meu corpo.

Eu pertenço em uma das escolas de balé mais prestigiadas da nossa cidade: Detroit Academy of Ballet. Na semana passada nós apresentaríamos "O Lago dos Cisnes".

Eu estava tão feliz porque fui selecionada para o papel da Odette, ensaiando todos os dias. Porém, no dia do espetáculo eu não entrei no palco; a madame Dupont não aceitou. Ela simplesmente mudou de ideia dizendo que foi um erro.

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