CHARLOTTE
Assim que deixo os meninos com Zaquel saio completamente desorientada de casa. Estou super atrasada e nem sei se peguei a bolsa certa hoje. Simplesmente perdi a hora e agora estou quase voando em direção ao trabalho.
Chego no grande prédio esbaforida e sem folego, agradeço a todos os deuses quando o elevador já está no térreo me esperando se não seria mais tempo perdido. Peço para que ele vá direto até o último andar e assim que ele para eu saio desesperada. Mas logo respiro aliviada, ele também se atrasou.
Vou até a copa onde bebo bastante água, me recomponho e coloco o café para ser feito. Deixo minha mesa arrumado, organizo a agenda e verifico os e-mails. Hoje é mais reunião de alinhamento, então acredito que o dia será tranquilo.
Encho uma caneca com muito café, coloco um pouco de açúcar e sigo para a minha mesa. Queria aprender a tomar café puro, mas tentei uma vez e quase coloquei tudo para fora. Eita coisa horrível.
Assim que já estava organizada e verificando algumas coisas o Zaquel me liga para me mostrar os gêmeos engatinhar.
- Oi meus amores. Mamãe está morrendo de saudades. - digo e assim que eles ouvem minha voz pelo aparelho ficam me procurando, acabo sorrindo.
O apito do elevador informa que há alguém chegando então me prontifico a desligar o aparelho não antes de mandar muitos e muitos beijos para os meus meninos.
Theodoro Boyce entra como se estivesse foragido. Óculos escuro na cara e mão na testa. Cabelos desgrenhados e uma roupa nada formal para um cabeça de empresa.
- Bom dia. - fico de pé e o saúdo e ele somente ergue uma mão acenando nem ao menos olhando para mim
Acho esquisito seu comportamento. Será que aconteceu algo? E se for com o senhor Boyce? Meu coração se aperta pensando na possibilidade daquele pobre velhinho está na pior.
Caço algum pretexto para entrar na sala. Pego a agenda e uma xícara de café e logo estou a postos batendo em sua porta. Ouço um entre e logo o faço.
Ele se encontra com a testa na mesa fria, seus ombros largos jogados para frente sem postura alguma. Coço minha garganta e ele ergue a cabeça em minha direção com dificuldade.
- Em que posso ser útil. - ele diz e parece que a própria voz o incomoda
- Eu trouxe um café e vim te passar a agenda de hoje. - deposito o café na mesa - Desculpe a intromissão, mas esta tudo bem? - questiono
Theodoro retira o óculos e encontro seus olhos vermelhos, mas não me parece de choro e sim de uma noite mal dormida. Semicerro meus olhos começando a entender a situação.
- Sim estou bem. Mas esse café é muito bem vindo no momento. - diz dando um sorriso e eu reviro meus olhos
Isso tudo porque está de porre.
Abro a agenda com ódio da sua falta de responsabilidade e profissionalismo e começo a passar as reuniões do dia.
- Chega chega. - ele pede e eu o encaro - Não teria como transferir para outro dia essas reuniões?
O olho dentro de seus olhos e sorrio.
- Infelizmente não temos essa possibilidade. Então acho melhor o senhor se recompor o quanto antes e se necessário tomar um litro de café. Pois seu dia será longo.
