Tom Kaulitz, o famoso guitarrista da Tokio Hotel volta para sua casa em Los Angeles para mais um compromisso de sua agenda a seguir. O que parecia apenas mais um show normal começa a ser um novo capítulo de sua vida, na qual ele nunca tinha vivencia...
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Entro no quarto e vejo a Clara na varanda olhando para a vista, vou até ela e me preocupo ao ver ela chorando
Tom: Amor o que foi? - Digo agachando para ficar da mesma altura e ela limpa as lágrimas assustada
Clara: Não foi nada, besteira minha - Diz ainda sem olhar para mim
Tom: Me conta, quero te ajudar - Logo depois ela se vira para mim querendo chorar de novo
Clara: Eu to com medo Tom, tô com medo de ser a mãe que eu tive, não quero ser igual a ela - Ela diz chorando e me puxando para um abraço
Tom: Amor se você quiser pode me contar o que você passou, durante todo esse tempo nunca soube nada dos seus pais, claro só se você estiver pronta - Ela sai do abraço e respira fundo antes de começar a falar
Clara: Eu vou te contar, preciso desabafar com alguém. Minha mãe é uma pessoa muito complicada, quando eu era criança minha relação com os meus pais sempre foi maravilhosa, mas quando eu cresci parecia que eles tinham perdido o "encanto" - Ela diz com aspas - por mim. Meu pai sempre foi de boa, mas minha mãe mandava na casa e ele nunca se metia. Quando eu tinha uns 12 tudo começou a mudar, minha mãe investiu dinheiro em um negócio que não deu certo e ela ficou em uma depressão profunda, ela mudou completamente e parecia que queria culpar qualquer um que via pela frente só pra não sentir toda a culpa sozinha, desde aquele dia ela começou a me destratar, falava que tudo era culpa minha, que não queria ter engravidado e que se eu não tivesse nascido nada daquilo teria acontecido - Ela começa a chorar e eu pego em suas mãos, logo respira e volta a contar - Eu passava o dia inteiro na escola e quando voltava ia trabalhar em uma lanchonete porque me sentia culpada por ela ter perdido aquele dinheiro e queria recompensá-la, eu voltava pra casa mais ou menos umas nove horas da noite e quando chegava em casa fazia o jantar na força do ódio por que ela sempre estava do lado pra dizer "não faz mais que a sua obrigação" "vê se melhora, o jantar de ontem estava horrível" "quando acabar não quero ver nenhuma louça na pia", esse tipo de coisa, cara eu tinha 12 anos de idade. Depois de uns anos ela se recuperou da depressão mas a nossa relação já estava tão desgastada que quando raramente ela vinha se aproximar e me afastava, depois de uns 2 anos eu me formei e falei para eles que queria fazer faculdade fora, eu não aguentava mais morar lá e sabia que não teria dinheiro para me sustentar, falei que queria fazer jornalismo para ser jornalista esportiva e minha mãe surtou, eu lembro de ver meu pai feliz na hora porque foi ele que me apresentou o futebol, mas depois de ver o show que ela deu ele ficou calado, como ele sempre fazia, mas depois de eu insistir muito ela cedeu, dizendo que pelo menos não teria que me aguentar todos os dias. Quando eu vim para cá ela tentou me ligar algumas vezes no começo mas eu nunca fiz questão de atender, até hoje não tenho mais contato, as vezes meu pai me manda mensagem dizendo que me viu na tv e estava orgulhoso de mim, eu choro sozinha mas não consigo responder, eu tenho muita vontade de falar com eles mas eu não consigo, eu não me permito - Ela diz e chora, chora tudo que estava querendo chorar enquanto falava e eu me sinto culpado de ter deixando ela passar por isso sozinha
Tom: Me desculpa por ter deixado você passar por isso tudo sozinha, eu não fazia ideia - A levanto da cadeira e a abraço forte sentindo suas lágrimas molharem minha camiseta
Clara: Tudo bem, você não sabia, e eu não conseguiria contar de qualquer forma, você é a primeira pessoa que eu conto
Tom: Fico feliz de você confiar em mim, mas de qualquer forma o jeito que você lida com isso e a forma que te machuca já me mostra o quão esforçada você vai ser para ser a mãe que você nunca teve, eu não tenho dúvidas que você vai ser a melhor mãe que nosso filho vai poder ter
Clara: Você acha? - Ela diz olhando para mim e eu sorrio
Tom: Nunca tive tanta certeza - Passo minha mão em seu rosto e a dou um selinho demorado