Flor Que Se Foi (Cristopher)

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Florença - Itália (13/02/2014)

Eu estava fazendo 17 anos nesse dia. Acordei com os pássaros cantando e minha mãe me acordando cantarolando a música de aniversário. Ela estava ao lado da cama com um bolo feito de panquecas, calda de chocolate e uma pequena vela em cima. Eu amava olhar para ela, sempre com um sorriso amoroso e com as bochechas vermelhas, iguais a uma rosa; não é à toa que se chama Rosa.

- É simples, mas é de coração! - falava Rosa em um tom triste e amoroso.

Eu a abracei, como se nunca mais a fosse abraçar. Depois de abraçá-la, senti que não a teria comigo para sempre... Ela chorou e riu com uma expressão meiga.

- Coma! Se não, vai esfriar.

Ela disse isso, me deu um beijo na bochecha e saiu. Eu desci e me arrumei para a escola, e saí de casa. O céu estava tão azul que parecia pintado à mão, e o ar fresco trazia um leve aroma de flores recém-desabrochadas, me preenchendo com uma sensação de liberdade. Quando estava prestes a chegar na escola, vi meu pai de longe; parecia brigar com alguém. Andei um pouco mais para frente e vi que era meu tio Marcos.

Meu pai tinha o rosto contorcido de raiva, enquanto meu tio exibia aquele sorriso frio e provocador que sempre fazia meu estômago revirar. Eu ignorei, até porque se eu me metesse, quem ia apanhar seria eu. Mal cheguei à escola e já tive minhas orelhas apertadas pelos meus amigos (explicação: na Itália é comum puxar a orelha do aniversariante em forma de "boa sorte" ou "uma vida longa"; agora, voltando à história).

Eles deixaram minhas orelhas vermelhas. Lorenzo, meu primeiro amigo desde a infância, tirou um pequeno cupcake da bolsa e Alessandro, meu melhor amigo que fiz na adolescência, colocou uma vela.

- Assopra e faz um pedido! - disseram os dois.

Eu fechei os olhos e, por um momento, fiz o pedido, mas o pedido não foi para mim...

- O que pediu? - perguntou Lorenzo.

- Se eu falar, não vai se realizar!

- Ah, com certeza ele pediu para beijar Aurora! - disse Alessandro, dando um leve empurrão em mim.

Depois disso, entramos na escola; todos me tratavam muito bem, até porque tinham medo do meu pai... mas eu fingia que era porque gostavam de mim. Até os garotos que não gostavam de mim me desejaram "feliz aniversário". Estava tudo indo muito bem, mas o sentimento de que algo ia arruinar esse dia crescia no meu peito. Fiquei o resto da manhã inquieto.

Quando o sinal bateu para irmos embora, percebi que Lorenzo e Alessandro faziam de tudo para me atrasar e eu não chegar em casa. Me obrigaram até a mudar a minha rota para voltar para casa e me seguiram até lá, mas quando cheguei e abri a porta, percebi o porquê.

Minha família e meus colegas estavam todos lá; a casa estava decorada para a festa e a mesa estava cheia de comidas só das que eu gostava, claro! E minha mãe estava olhando para mim, toda sorridente. Fui até ela e a abracei, e depois outras pessoas invadiram o abraço até meus amigos entrarem no abraço, menos meu pai e meu tio Marcos...

Depois de comer quase tudo que tinha na festa e passar a noite toda jogando com meus amigos, pensava que não podia melhorar, até alguém bater na porta. Quando a abri, vi que era Aurora, que segurava um presente e uma carta. Ela parecia tímida; suas bochechas estavam vermelhas, igual a uma maçã.

- Oi, Chris! Eu vim te desejar um feliz aniversário e... e... te dar isso - falou ela, estendendo o presente e a carta.

Eu peguei o presente e a carta e, quando ia agradecer, ela me beijou na bochecha e foi embora. Eu fiquei parado na porta, sem reação, enquanto meu corpo fervia, quando ouvi um:

- Viu! Eu falei que ele tinha desejado isso! - disse Alessandro, que arrancou risadas de todos.

Quando todos foram embora, eu e minha mãe ficamos arrumando a casa. Quando fui jogar o lixo fora, meu pai e meu tio estavam discutindo de novo:

- Você tem que obrigá-lo a fazer isso! É herança da família; ele não vai sentir saudades dessa vaca! - disse Marcos.

Fiquei assustado com o que ele falou, mas não entendi o que ele quis dizer. Joguei logo o lixo fora e voltei para dentro de casa. Quando terminei tudo, fui tomar banho; estava exausto, pensando que o dia tinha sido tão bom pela primeira vez em anos... Depois de terminar o banho, tentei sair do quarto, mas a porta estava trancada. Achei estranho; eu não a havia trancado.

Quando um barulho de vidro sendo quebrado invadiu toda a casa, que logo foi substituído pelos gritos de dor da minha mãe, entrei em desespero e tentei de tudo para abrir a porta, mas nada funcionou. Dei passos para trás e me joguei contra a porta, derrubando-a. Corri para o andar de baixo, de onde vinham os gritos. A casa estava irreconhecível. Pedaços de vidro espalhados reluziam à luz da lua, enquanto manchas escuras no chão contavam uma história que eu não queria acreditar. Cada passo que eu dava era acompanhado pelo som esmagador de destroços sob meus pés...

Peguei um vaso de vidro que havia no aparador da sala para me proteger. Quando cheguei à cozinha, meu pai estava em frente da minha mãe, que estava caída no chão; suas mãos estavam ensanguentadas... Eu gelei, meu sangue esfriou, minha mente foi a mil em um minuto. Empurrei meu pai da frente da minha mãe, que logo caiu no chão e começou a rir insanamente.

Quando consegui ver minha mãe, ela tinha sido esfaqueada na barriga e no peito; suas lágrimas ainda caíam. O luto e as lágrimas invadiram todo o meu ser; cai de joelhos e comecei a chorar.

Eu a abracei e chorei, mas ainda meu peito ardia de raiva e tristeza. Eu gritava pelo meu pai para obter respostas, mas ele continuava no chão, rindo, chorando e falando: "eu fiz isso por mim e por você!"

Isso me ardia de raiva, mas a dor era maior, muito maior. Eu nunca mais ia vê-la sorrir quando eu chegasse da escola, nunca mais teria seu abraço quente, nunca mais teria um colo confiável para chorar... Eu perdi tudo... Eu perdi o que me mantinha vivo, a única que me amou de verdade...

Eu me levantei, peguei o vaso de vidro e ia jogá-lo no meu pai, quando ele reagiu, me jogou no chão e me prendeu, gritando:

- ACORDA, CHRISTOPHER!

Christopher abriu os olhos, angustiado e suando frio. Percebeu que tinha desmaiado da última missão e que tudo isso foi apenas uma lembrança... Olhou para trás e viu Tyla, que o observava intrigada. Ela passou a mão pelo rosto de Christopher e limpou sua lágrima.

- Está bem? Precisamos ir! - perguntou Tyla, preocupada.

Christopher abaixou a cabeça, respirou fundo e abriu um sorriso forçado.

- Estou bem... - disse Christopher.

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A missão: Casal Killer Onde histórias criam vida. Descubra agora