MIA
Rael me levou até o postinho de saúde, onde eu começaria a trabalhar. O prédio era pequeno e simples, e eu logo percebi que a equipe também era reduzida. Havia apenas uma secretária na recepção e uma ajudante que ficaria comigo para auxiliar nos atendimentos. O peso da responsabilidade caiu sobre mim naquele instante.
Eu nunca tinha trabalhado nessa área antes. Não sabia exatamente o que me esperava, mas tinha prometido a mim mesma que daria o meu máximo. Ainda assim, a insegurança apertava meu peito.
Rael percebeu meu nervosismo e parou ao meu lado antes de ir embora.
Cobra: Vai dar tudo certo, ruiva
- Ele colocou a mão no meu ombro, me olhando nos olhos -
Você é forte, é inteligente. Não ia te colocar aqui se achasse que não conseguiria.
Mia: Eu só... não quero decepcionar ninguém.
- murmurei, mexendo nas mãos -
Cobra: Não tem como, Mia. Faz no seu tempo, aprende no seu ritmo. Tá todo mundo aqui pra te ajudar.
Assenti, respirando fundo. Ele tinha razão.
Mia: Obrigada, Rael.
Ele deu um meio sorriso e passou a mão no meu rosto rapidamente, ele se aproximou mas antes de me beijar se afastou, era perceptível que ele tava tentando respeitar meu tempo.
Cobra: Se precisar, é só me ligar.
Vou te buscar á tarde - eu assenti -
Depois disso, ele foi embora para resolver seus negócios.
[...]
O dia passou tranquilamente. Atendi alguns moradores, tentando me acostumar com a rotina do lugar. Sempre que a insegurança batia, eu me lembrava do que Rael disse. Eu aprenderia no meu tempo.
De vez em quando, recebia mensagens da professora das crianças dizendo que tudo estava bem. Isso me trazia certo alívio.
Até que, no meio da tarde, ouvi o som de fogos estourando no céu.
Meu corpo travou. Meu coração disparou no mesmo instante.
Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, a secretária Joana, saiu correndo da recepção e falou, apavorada:
Secretária Joana: Gente, é invasão! Vamos nos esconder numa sala!
Senti o chão sumir sob meus pés.
As crianças.
Minha mente foi tomada pelo medo. Eu precisava saber se Natan e Mavie estavam seguros.
Meu celular vibrou e eu atendi no mesmo segundo.
Cobra: Mia, calma. As crianças estão protegidas. Eu tô resolvendo tudo.
Fechei os olhos, sentindo uma lágrima de alívio escapar.
Mia: Rael, pelo amor de Deus, o que tá acontecendo?
Cobra: Depois eu explico. Só se tranca aí dentro e não sai até alguém do morro ir buscar vocês.
Eu assenti, mesmo sabendo que ele não podia me ver.
Minha respiração ainda estava acelerada, mas ouvir sua voz firme me deu um pouco de paz.
Mesmo assustada, eu sabia que Rael não deixaria nada acontecer com a gente, mas eu ainda estava preocupada de algo acontecer com ele.
Espero que ele fique bem.
[...]
COBRA
Não acredito que logo hoje, no dia em que a Mia ia começar a trabalhar e as crianças estavam na escola, o filho da puta do Jacaré resolveu invadir o meu morro.
Mas quando eu pegar ele, vou destroçar aquele desgraçado.
Jacaré é meu inimigo desde o dia em que assumi o morro. Nunca aceitou que esse lugar passou a ser meu, principalmente depois que comecei a fazer mais dinheiro do que ele. O problema é que ele não tem limites. Faz acordo com qualquer um, seja policial, inimigo, traidor, isso não importa. Tudo pra tentar me derrubar.
E o pior de tudo? Ele não respeita ninguém. Nem os moradores, nem as crianças. Toda vez que tenta invadir, é um banho de sangue. Mas dessa vez... dessa vez, eu não vou deixar que nenhum inocente morra por culpa dele.
Assim que os fogos foram lançados, liguei pra Mia. Eu sabia que ela estaria preocupada com as crianças, e com razão. Tudo ainda era muito recente pra ela. Não queria que esse lado da minha vida a assustasse mais do que já assustava.
Quando atendeu, ouvi a tensão na sua voz. Ela estava com medo, e tudo que eu queria era estar lá agora, puxá-la pra perto de mim, abraçá-la, beijá-la, dizer que tudo ficaria bem.
Mas eu não podia.
Agora, minha prioridade era resolver isso. Nem que eu perca minha vida, mas eu vou cuidar deles.
Comentem muito amigas! 🫶
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FUJA
Jugendliteratur🥇 LACTOFILIA Mia, filha e esposa de dois magnatas policiais, cansada de sofrer, se vê sem escolha quando decide fugir com seus dois filhos, mas ela acaba em maõs que querem justiça!
