ZURIK - O PLANETA AMIGÁVEL
Sei que toda história só tem uma boa narrativa quando existem dois polos: O bom e o ruim, então okay, eu aceito ser o seu lado mal, porque a verdade é que não importa o que eu faça, você me escolheu como o vilão, então eu não posso me desculpar, não por querer ser melhor, melhor para você e apenas você e não para o mundo.
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Zurik era facilmente um planeta considerado amigável, todas as relações intergalácticas que existiam conheciam Zurik, isso porque ele era cede da maioria dos acordos, tinha tecnologia razoável se comparada a Tecnotec, uma rede de apoio gigante para os mais diversos seres que vinham refugiados de outros planetas, a regra era clara: Nenhum planeta ou ordem tem o direito de atacar Zurik, a menos que queira iniciar uma guerra, o que quase nao acontecia ja que as maiores potencias planetárias com tecnologia avançada faziam parte do conglomerado que protegia Zurik.
Havíamos chegado ao planeta fazia pouco mais de dois dias, tentei encontrar Reinkar o líder da parte Oeste de Zurik mas, infelizmente ele não estava por aqui, ao invés disso estava na maior parte do tempo com Leay, uma amiga de longa data. Iven por sua vez estava andando pelo planeta, era a primeira vez em que ela tinha a oportunidade de vir até aqui sem ser em alguma missão.
- Então... Você sabe de alguma coisa a respeito de Clara? - perguntei a Leay, estavamos voltando de uma feira que acontecia nas ruas.
Zurik era um planeta de refugiados então era bem comum feiras de especiarias acontecerem com frequência, o sistema de trabalho era como qualquer outro, a diferença é que esteticamente Zurik era um planeta desleixado, havia casas antigas e acabadas, algumas pichadas com algum tipo de “arte” protestante, haviam tecnologia para todos, mas, obviamente, a parte mais avançada se limitava a um grupo especifico de pessoas o que gerava revolta.
Moradia, alimentação e saneamento faziam parte da ética de Zurik, o planeta a princípio seria bem conservado se não fossem os protestantes, alguns refugiados chegavam no planeta e pensavam que podiam mandar, mas, claramente o governo de Reinkar não deixaria que isso acontecesse, ele criou uma redoma de exilados onde todos os que fizessem mal ou violasse alguma lei de Zurik seria punido com a prisão, isso diminuiu os ataques, mas infelizmente alguns danos ao patrimônio já haviam sido cometidos.
- Soube que ela supostamente entrou em contato com Reinkar, mas voce sabe... ele não me contaria uma coisa dessas – Leay respondeu parando em frente a uma estátua dos fundadores do acordo de paz – Havia um burburinho de que ela estava a caminho de um planeta onde foi cede de um dos centros de pesquisa delas, mas nao me recordo o nome agora... A única coisa que sei é que ele irá para Atlântida após o Tecno Cross.
- Porque ele esperaria o evento passar para ir até lá? - perguntei, havíamos voltado a andar em direção a cede.
- Não sei, aliás você vai participar do evento esse ano?
- Tudo indica que sim, estou sem projetos por enquanto e Iven fica me cobrando uma ida até Tecnotec – dei de ombros afinal, era verdade...
- Você e Kendra já se entenderam? - um fato que esqueci de mencionar era que Leay estava na invasão ajudando na proteção de Arthorios quando eu – supostamente – abandonei o planeta.
- Bom... já tentei conversar com ela mas você sabe... ela não me escuta.
- Sei bem disso – ela sorrio e continuamos andando.
Leay era o tipo de pessoa que você facilmente se encantaria, não só pelo rostinho de adolescente que ela tinha, traços finos, cabelos razoavelmente longos e castanhos, olhos grandes e pele branca que nem neve, uma verdadeira boneca, pelo menos para quem apenas a visse e não a conhecesse.
Em alguns planetas Leay era conhecida como o Demônio Alvo, ela era rápida com as armas, principalmente as de longa distância, em combate ela sempre era a estrela final, maior numero de mortos nas invasões, ao passo em que ela também fazia os melhores acordos de paz.. Enfim, uma contradição e tanto...
Contradição essa que a levou até Arthorios, ela estava no lado aliado do nosso planeta, na época haviam especulações de que os pais de Kendra haviam adotado Leay para que ela se tornasse auxiliar de Kendra futuramente, outros boatos diziam que Leay na verdade era apaixonada por Kendra, o que teria gerado um desconforto em algumas pessoas ja que Leay tinha dezoito anos na época enquanto Kendra devia ter por volta dos seus doze a treze anos, sempre me perdia na cronologia das idades.
De qualquer forma Leay foi recrutada pouco tempo depois por Reinkar, ela aceitou vir para Zurik e se tornar o braço direito dele, principalmente nas negociações.
Chegamos até a porta da cede, era um prédio luxuoso no meio de Zurik, lá ficava desde os escritórios até os cômodos de pessoas importantes – lugar esse que eu ocupava as vezes- subimos e cada uma foi para o seu cômodo, eu dividia o meu com Iven.
- Ja arrumou tudo? - perguntei assim que fechei a porta do quarto e dei de cara com nossas malas prontas.
- Você quem disse que partiríamos hoje, eu só resolvi adiantar – ela falou se jogando na cama – Descobriu alguma coisa?
- Infelizmente não, Reinkar saiu em expedição e a única coisa que sei é que ele estará em Atlântida após o evento de Tecnocross.
- E nós iremos, certo? - podia ver a felicidade emanando de Iven, uma coisa que sempre achei incrível nela, o que ela sente é praticamente visível em qualquer lugar.
- Iremos sim! Vamos para Tecnotec assim que sairmos daqui.
Houve uma pequena comemoração da parte da garota e logo ela voltou ao seu comunicador, em dado momento o meu também emitiu um som, era uma notificação avisando que um número de IP havia me adicionado, mas, por hora eu não conseguiria ver já que eu estava fora de Tecnotec.
O decorrer da tarde foi mais tranquilo que o esperado, descansamos um pouco e logo Leay se juntou a nós, conversamos sobre várias coisas, na maioria Iven e Leay compartilhavam experiencias ou falavam sobre algum tipo de técnica estranha com armas.
Ao cair da noite nos despedimos de algumas pessoas conhecidas, estranhamente Leay havia saído um pouco antes para atender a uma chamada, era Reinkar, obviamente não soube o motivo da conversa, mas Leay voltou com um envelope dizendo que era a mando de Reinkar, ele também havia dito que me encontraria após a visita em Tecnotec, de primeiro momento apenas agradeci e me despedi de Leay seguindo logo após em direção a nave, em poucos dias ocorreria o Tecnocross e eu precisava me preparar.
Deixei o envelope de lado e foquei na rota que seguiríamos, apesar de estar quase acostumada com viagens assim era sempre um risco que corríamos, cada milímetro percorrido do espaço era uma brecha para ataques, e posteriormente em alguns casos, uma certeza de morte.
Definida a rota deixei Iven no comando e segui para o meu compartimento, peguei minhas coisas e foquei nos papeis que Leay havia me entregado, no começo não entendi muito, pareciam copias de diários de registro, algumas frases pareciam transcrições de áudio, até que aos poucos percebi que aquilo era parte da pesquisa de Clara e Marina, não haviam muitas informações apenas pedaços delas, havia um resumo breve da pesquisa onde dizia que dois bebes foram usados, e os dois – provavelmente – eram filhos das cientistas, havia sobre os métodos que utilizavam e sobre o desenvolvimento de alguns momentos de cada bebê.
Havia algo sobre uma ligação de sangue onde os componentes tecnológicos presentes no sangue de cada bebe tinha a capacidade de ter uma ativação de memória, era como um chip de memória só que presente no sangue e quando em contato com um componente semelhante ele se ativava e liberava cada memoria vivida que foi armazenada ou “esquecida” nos individuos, de qualquer forma tudo aquilo era bizarro e muito doido.
Minha mente voltou a conversa que tive com Kendra, o quão insano seria se eu fosse um suposto Andróide? E mais... Eu tinha uma ou um irmão por aí, tudo o que eu havia vivido até o momento era uma mentira? Meu nome, meu rosto, minhas ações, até mesmo minha personalidade, era eu ou um chip idiota? E se tudo o que aconteceu na época da invasão de Arthorius fosse por culpa do chip ou da minha existência? Se isso for verdade quantas vidas foram perdidas na tentativa de ajudar no experimento? Quantas pessoas custaram a minha existência? E se no fundo Kendra tenha razão em me odiar afinal, eu seria a vilã da história mesmo que eu não quisesse esse papel, talvez eu já seja a vilã da história de algumas pessoas eu só não sabia que havia um preço alto pela minha vida, coisa que eu descobriria mais pra frente.
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Vidas Opostas
Ciencia FicciónQuando amamos alguém ou algo que valha mais do que a nós mesmos nós lutamos por aquilo, mesmo que isso custe nossas vidas ou mesmo que isso nos cause dor, porque quando amamos algo verdadeiramente nós nos sacrificamos por aquilo, seja uma amizade, u...
