Passei o dia todo tentando falar com o Lennon, mas ele não me atendia por nada. Eu tô puto com isso, puto pra caralho.
Lc: Mano, estamos precisando de você. - Diz entrando na minha sala.
Morte: O que foi Lucas? Não estou bom de papo hoje.
Lc: Tô ligado na parada que aconteceu, mas você que é responsável por tudo que acontece no morro, estando bem ou não, bota isso na sua cabeça.
Morte: Qual foi Lucas, vai me dar sermão agora? Eu que sou o irmão mais velho aqui.
Lc: O que adianta ser o mais velho e não saber ser um irmão mais velho? Sempre eu que tenho que tomar conta de você, cuidar das merdas que você faz. Tá na hora de crescer já. - Eu iria falar, mas não tinha o que falar, ele estava certo.
Morte: Já é Lucas. Fala o que eu preciso ir resolver.
Lc: Tem um cara que estava aqui no morro, morando na casa de uma senhora, mas recentemente eles brigaram e descobrimos que ele não era aqui do morro, estava aqui a um mês e meio mais o menos e ainda por cima, a dona da casa não conhece ele, ela estava sendo ameaçada para não xisnovear o meno.
Morte: Onde isso? Bora lá comigo resolver.
Lc: Levamos o cara pro galpão.
Saímos da boca e subimos na moto, o galpão ficava pra cima do morro, então tinha muitos becos.
Vapores: Fala patrão/Eai patrão/ Bom dia chefe. - Falo com todos eles e entro dentro do galpão e vejo o Wl com o cara.
Wl: Bom dia mano. Esse aí é o cara, tô cheio de ódio desse tralha, meteu a porrada na senhora lá.
Lc: Porque ninguém me falou dessa parte? Que caralho em, não servem nem para passar uma informação correta. - Diz olhando para o menino que informou ele do jeito que aconteceu lá, mas pelo visto não tudo né.
Morte: Qual foi da tua, qual teu nome? - Falo com o cara que invadiu a casa da senhora. Ele não responde. - Fala caralho, eu não tô muito bem hoje não, então acho melhor você falar.
Xx: Meu nome é Cláudio.
Morte: E o que você veio fazer aqui?
Cláudio: Isso eu não posso dizer, se não vão me matar.
Morte: Você vai morrer de qualquer jeito se não me falar o que eu quero saber.
Lc: Eu acho bom você ajudar, se não, - pega uma faca - vou começar a fazer do meu jeito.
Morte: Fala o que você veio fazer aqui.
Cláudio: Eu tô devendo o uns cara no Morro do Chapadão, mas não estou devendo porque peguei droga, ou porque fiz alguma coisa com eles que pagaria depois. - Ele para e respira - Eu tenho uma família, esposa e dois filhos, meu mais velho tem um ano e nove meses e a minha mais nova tem seis meses, eu fiquei desemprego tem alguns meses e minha esposa trabalha fazendo unha, mas não dá muito dinheiro, com crianças pequenas, o dinheiro voa rápido, então tive que pegar emprestado com eles. Não consegui pagar e agora eles estão ameaçando matar minha família se eu não pagar, eu juro que não estou mentindo, eu juro pela vida dos meus filhos, que são tudo o que eu mais amo nesse mundo.
Wl: Então qual motivo você teria de bater na tia?
Cláudio: Nesse pouco tempo que eu tive ali, ela me tratou igual filho, eu pedi abrigo dizendo que vim de longe e não tinha como voltar sem conseguir um emprego. Ela me tratou de um jeito que meus pais, minha mãe nunca me tratou, então eu confiei nela, eu contei o motivo de estar aqui, ela ameaçou contar para vocês, discutimos e eu acabei partindo pra cima dela, me arrependo disso, mas eu fiquei com medo pela minha família.
Wl: Sei não em, tô confiando muito não.
Morte: Lucas, desce na casa da tia e pergunta qual motivo da briga, se for verdade ela vai confirmar.
Cláudio: Pode perguntar, eu não estou mentindo. - Ele falava com tristeza no olhar, mas não posso me comover com qualquer historinha.
Lucas vai lá conferir com um dos meninos e eu fico aqui com o Wl.
Morte: O que mandaram você fazer aqui?
Cláudio: Vocês prometem que não vão fazer mal a minha família ou a mim?
Morte: Se você colaborar com tudo, quem sabe. - Falo cruzando os braços.
Cláudio: Está bem, eu falo. Me pediram para vigiar você e sua namorada, querem que eu tente virar próximo dela e tirar alguns segredos do pai dela.
Morte: Do pai dela? O cara é todo fudido.
Cláudio: Não foi isso que eu fiquei sabendo.
Wl: Então conta, queremos saber o que você ficou sabendo daquele bosta.
Cláudio: Como o cara pode ser um bosta, sendo o dono de uma das melhores mafias que existe?
Morte/Wl: Máfia?
Cláudio: Sim, máfia. Querem que eu tire informações dela e que faça ela sair para algum lugar comigo e eles iriam pegar ela.
Morte: Como o pai dela pode ser dono de máfia? O cara trabalha de uber e ainda por cima é porteiro.
Cláudio: Porteiro? Como o senhor Lennon consegue fingir tanto assim? Caramba.
Morte: Lennon? Que doideira é essa, não estou entendendo mais nada.
Cláudio: A menina é a cara da esposa falecida dele, me deram uma foto e olhando a foto dela e da moça, dá para ver que são mãe e filha e ele o pai.
Morte: Sim, ela parece mesmo com a esposa do Lennon, mas ela não é filha dele. Eu sei disso porque o próprio Lennon falou comigo que eles não tiveram filhos.
Cláudio: Então eu já não sei, me passaram isso.
Fico pensando com o que ele falou, não tem como ela ser filha dele. Em um mundo tão grande como esse, a menina vir parar logo aqui? E eu ter apresentado eles sem saber, será que ele sabe disso e por isso quer se reaproximar dela? Se for, tá explicado a viagem .
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No morro da Rocinha
Ficção AdolescenteEla apenas quis ir curtir uma noite no baile com sua amiga, porém tudo deu errado. Ela briga com seus pais e decide sair de casa para viver sua própria vida. Liz aos 20 anos irá enfrentar muita coisa ainda, mas quando ela conhece o dono do morro e c...
