51 Morte

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Passei o dia todo tentando falar com o Lennon, mas ele não me atendia por nada. Eu tô puto com isso, puto pra caralho.

Lc: Mano, estamos precisando de você. - Diz entrando na minha sala.

Morte: O que foi Lucas? Não estou bom de papo hoje.

Lc: Tô ligado na parada que aconteceu, mas você que é responsável por tudo que acontece no morro, estando bem ou não, bota isso na sua cabeça.

Morte: Qual foi Lucas, vai me dar sermão agora? Eu que sou o irmão mais velho aqui.

Lc: O que adianta ser o mais velho e não saber ser um irmão mais velho? Sempre eu que tenho que tomar conta de você, cuidar das merdas que você faz. Tá na hora de crescer já. - Eu iria falar, mas não tinha o que falar, ele estava certo.

Morte: Já é Lucas. Fala o que eu preciso ir resolver.

Lc: Tem um cara que estava aqui no morro, morando na casa de uma senhora, mas recentemente eles brigaram e descobrimos que ele não era aqui do morro, estava aqui a um mês e meio mais o menos e ainda por cima, a dona da casa não conhece ele, ela estava sendo ameaçada para não xisnovear o meno.

Morte: Onde isso? Bora lá comigo resolver.

Lc: Levamos o cara pro galpão.

Saímos da boca e subimos na moto, o galpão ficava pra cima do morro, então tinha muitos becos.

Vapores: Fala patrão/Eai patrão/ Bom dia chefe. - Falo com todos eles e entro dentro do galpão e vejo o Wl com o cara.

Wl: Bom dia mano. Esse aí é o cara, tô cheio de ódio desse tralha, meteu a porrada na senhora lá.

Lc: Porque ninguém me falou dessa parte? Que caralho em, não servem nem para passar uma informação correta. - Diz olhando para o menino que informou ele do jeito que aconteceu lá, mas pelo visto não tudo né.

Morte: Qual foi da tua, qual teu nome? - Falo com o cara que invadiu a casa da senhora. Ele não responde. - Fala caralho, eu não tô muito bem hoje não, então acho melhor você falar.

Xx: Meu nome é Cláudio.

Morte: E o que você veio fazer aqui?

Cláudio: Isso eu não posso dizer, se não vão me matar.

Morte: Você vai morrer de qualquer jeito se não me falar o que eu quero saber.

Lc: Eu acho bom você ajudar, se não, - pega uma faca - vou começar a fazer do meu jeito.

Morte: Fala o que você veio fazer aqui.

Cláudio: Eu tô devendo o uns cara no Morro do Chapadão, mas não estou devendo porque peguei droga, ou porque fiz alguma coisa com eles que pagaria depois. - Ele para e respira -  Eu tenho uma família, esposa e dois filhos, meu mais velho tem um ano e nove meses e a minha mais nova tem seis meses, eu fiquei desemprego tem alguns meses e minha esposa trabalha fazendo unha, mas não dá muito dinheiro, com crianças pequenas, o dinheiro voa rápido, então tive que pegar emprestado com eles. Não consegui pagar e agora eles estão ameaçando matar minha família se eu não pagar, eu juro que não estou mentindo, eu juro pela vida dos meus filhos, que são tudo o que eu mais amo nesse mundo.

Wl: Então qual motivo você teria de bater na tia?

Cláudio: Nesse pouco tempo que eu tive ali, ela me tratou igual filho, eu pedi abrigo dizendo que vim de longe e não tinha como voltar sem conseguir um emprego. Ela me tratou de um jeito que meus pais, minha mãe nunca me tratou, então eu confiei nela, eu contei o motivo de estar aqui, ela ameaçou contar para vocês, discutimos e eu acabei partindo pra cima dela, me arrependo disso, mas eu fiquei com medo pela minha família.

Wl: Sei não em, tô confiando muito não.

Morte: Lucas, desce na casa da tia e pergunta qual motivo da briga, se for verdade ela vai confirmar.

Cláudio: Pode perguntar, eu não estou mentindo. - Ele falava com tristeza no olhar, mas não posso me comover com qualquer historinha.

Lucas vai lá conferir com um dos meninos e eu fico aqui com o Wl.

Morte: O que mandaram você fazer aqui?

Cláudio: Vocês prometem que não vão fazer mal a minha família ou a mim?

Morte: Se você colaborar com tudo, quem sabe. - Falo cruzando os braços.

Cláudio: Está bem, eu falo. Me pediram para vigiar você e sua namorada, querem que eu tente virar próximo dela e tirar alguns segredos do pai dela.

Morte: Do pai dela? O cara é todo fudido.

Cláudio: Não foi isso que eu fiquei sabendo.

Wl: Então conta, queremos saber o que você ficou sabendo daquele bosta.

Cláudio: Como o cara pode ser um bosta, sendo o dono de uma das melhores mafias que existe?

Morte/Wl: Máfia?

Cláudio: Sim, máfia. Querem que eu tire informações dela e que faça ela sair para algum lugar comigo e eles iriam pegar ela.

Morte: Como o pai dela pode ser dono de máfia? O cara trabalha de uber e ainda por cima é porteiro.

Cláudio: Porteiro? Como o senhor Lennon consegue fingir tanto assim? Caramba.

Morte: Lennon? Que doideira é essa, não estou entendendo mais nada.

Cláudio: A menina é a cara da esposa falecida dele, me deram uma foto e olhando a foto dela e da moça, dá para ver que são mãe e filha e ele o pai.

Morte: Sim, ela parece mesmo com a esposa do Lennon, mas ela não é filha dele. Eu sei disso porque o próprio Lennon falou comigo que eles não tiveram filhos.

Cláudio: Então eu já não sei, me passaram isso.

Fico pensando com o que ele falou, não tem como ela ser filha dele. Em um mundo tão grande como esse, a menina vir parar logo aqui? E eu ter apresentado eles sem saber, será que ele sabe disso e por isso quer se reaproximar dela? Se for, tá explicado a viagem .

No morro da Rocinha Onde histórias criam vida. Descubra agora