Meus dedos batucam a mesa se vidro. O sangue derrama pelos cortes abertos,
Minha boca trêmula
Pronunciando coisas desconexas enquanto a ansiedade toma conta de mim. Ele me olha, ao longe sem entender provavelmente. Eu nem mesmo me entendo.
Meu pé bate incansavelmente contra o cão, desnudos e machucados. Eu me sinto perdida, solitária, envolvida em uma bolha de angústias.
Eu a encaro, meus passos vacilantes, não quero que ela fuja, seus olhos estão tão perdidos, vejo ali algo compreensível. Não há mais ego em mim, então caminho. Me aproximo vendo seu estado, ela me ignora de primeira, mas as lágrimas me falam tudo que preciso saber sobre ela. Meus braços calorosos a abraçam sem se importar se a conheço. Seu soluço é escutado, as lágrimas molhando meu manto. Eu vejo alguém quebrado, me dói no peito tanta dor, tanto sofrimento.
Eu não sei dizer nada, chorar é minha única saída para aliviar, ele não me entenderá mesmo se eu explicar, como posso continuar? Eu não sei mais levantar.
Meus dedos tomam o seu rosto em minha mão, eu sorrio, mesmo que meus olhos ameaçam a me trair. Ali está uma filha quebrada.
Meus dedos traçam um caminho lento em seus cabelos bagunçados, limpo suas lágrimas derramadas, afasto os maus presságios.
-Filha, não há o que temer no mundo, o que é seu está guardado.
-Mas pai... eu já tentei de tudo! Eu não sou o suficiente. - Seus dedos cobrem o rosto, o sangue de seus braços ainda parece molhado.
-Ninguém deve se esforçar para se encaixar aos outros, vocês não são quebra-cabeças, eu os criei completos.
-Mas o que isso quer dizer? - Ela me encara em uma curiosidade infantil.
-Quer dizer que você não precisa de aprovação das outras pessoas, pare de se cobrar tanto, quando você entender que é a pessoa que tem que se valorizar, esses cortes não fazeram sentido mais.
Ela cobre seus pulsos com as mãos, mas o sangue já está espalhado. A vergonha é grande, ela se rejeita novamente, mas ele insiste.
-A cortes mais profundos em você, esses foram os únicos visíveis, não te julgo e nem devo. Errar está em seu DNA, e sentir dor faz parte do processo de crescimento. Você sempre terá uma segunda chance, basta você concede-la à si mesma.
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A Pintora De Telas Em Branco.
PoetryEsse, é um livro de POEMAS com profundidade e reflexões, recheados de sentimentos que não possuem definição prévia. Você teria coragem ver as diversas nuances das minhas verdades e convicções? Minha alma é colocada a prova a cada poema escrito, tu...
