22| EU DEVERIA TE DEIXAR IR?

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"EU QUERO TE ABRAÇAR QUANDO NÃO DEVERIA, QUANDO ESTOU DEITADA AO LADO DE OUTRA PESSOA, VOCÊ ESTÁ PRESO EM MINHA CABEÇA E EU NÃO CONSIGO TE TIRAR DAQUI, SE EU PUDESSE FAZER TUDO OUTRA VEZ, EU SABIA QUE VOLTARIA PARA VOCÊ." SELENA GOMEZ

Ísis estava com seus pensamentos longe o bastante para que a vitória no primeiro jogo da Espanha na Euro parecesse pequena demais para ela se importar

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Ísis estava com seus pensamentos longe o bastante para que a vitória no primeiro jogo da Espanha na Euro parecesse pequena demais para ela se importar. Ela ainda podia sentir suas pernas cansadas de correr pelo campo e seu rosto quente, havia sido um bom jogo, ela havia feito dois gols se mostrando finamente uma figura importante para a seleção, mas ela não pensou nisso. Na noite anterior as garotas praticamente obrigaram Ísis a ir até um bar que não ficava muito longe do hotel, algumas ali não conhecia Ísis tão bem para saber que ela estava no mundo da lua desde o dia anterior, mas Irene havia notado e não tardou em chamar a loira para acompanha-las até o bar, sabendo que Ísis não estava bem. Ela sentiu junto com as meninas fazendo um rápido brinde com elas que pareciam completamente felizes por terem conseguido passar pelo primeiro jogo, as coisas poderiam ser diferentes naquele ano

De acordo com o passar do tempo Ísis se sentira mais leve, talvez por conta dos drinks que a loira bebia enquanto escutava as conversas estranhas de suas companheiras de time. Foi quando ela se pegou olhando para uma mulher encostada no bar, ela tinha um olhar gentil que parecia brilhar para qualquer um, aquilo chamou a atenção de Ísis. E no segundo seguinte a loira havia se levantado de fininho da mesa indo em direção a mulher, ela não estava a procura de um amor, e sim de algum tipo de alívio que a tirasse daquele incômodo que se fazia presente em seu peito por incontáveis horas. Ela passou horas conversando com a ruiva que parecia encantada com Ísis, a julgar pela forma como ela a encarava. As jogadoras nem mesmo perceberam quando Ísis não estava mais presente, mas elas também sabiam que não precisavam se preocupar, afinal estavam falando de Ísis

No final daquela noite Ísis tinha seus olhos presos a um ponto fixo na parede do quarto da mulher ruiva deitada ao seu lado completamente nua, assim como ela. Diferente da mulher ao seu lado da qual ela nem mesmo se lembrava o nome, Ísis estava apoiada em seus ante-braços sentindo o frio do quarto em seu corpo, mas ela não se importava com os arrepios que subiam por sua espinha quase a forçando a se embrulhar ao lado da mulher adormecida. Ela achou que uma noite como aquelas poderia apagar todo o desconforto de seu corpo, mas Ísis se enganou, ela ainda pensava no dia anterior, em Alexia. A forma como ela avistou a castanha assim que seu acidente aconteceu ainda permanecia em sua cabeça, como ela parecia apavorada mas ao mesmo tempo não parecia entender o que havia acontecido, e como seus olhos brilhavam com lágrimas prontas para cair

E Ísis simplesmente achava aquilo o cúmulo, ela se sentia furiosa por não conseguir lidar com seus próprios sentimentos quando se tratava de Alexia. Já havia se passado tanto tempo que Ísis havia se esquecido de como era sentir aquilo, mas quando seus olhos encontravam Alexia tudo parecia voltar em um passe de mágica e Ísis achava aquilo completamente patético e inrritante. Por isso ela tentava ao máximo ser indiferente com Alexia, com a esperança de que aquilo algum dia fosse embora de seu corpo por completo. Ela se pegou olhando por alguns segundos a ruiva ao seu lado, ela era gentil, e também tinha uma paixão recém descoberta pela Europa, era uma mulher legal. E Ísis se sentia um tanto quanto triste por ter feito tudo aquilo pensando em outra pessoa, ela não deveria ter o feito, mas fez enquanto olhava nos olhos verdes da ruiva ao seu lado, que eram tão semelhantes ao do fantasma que perseguia Ísis há anos

UNTOUCHABLE | Alexia Putellas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora