Eu Tenho Tudo

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Ana

Logo após o Junior ter ido embora, a Mel passou um longo tempo parada na porta do quarto olhando a cama arrumada que não havia sido tocada na noite anterior, o Júnior nunca arrumava a cama, então ela sempre ia lá e fazia a cama reclamando com ele, que sempre prometia que no dia seguinte arrumaria, o que nunca fazia. Era engraçado ver os dois brigando, foi lindo ver como o amor entre os dois aconteceu tão rápido e foi horrivel ver que dois seres maravilhosos são filhos de um homem tão desprezivel e nojento.

- Fiz café- falei entregando uma xícara para ela. 

-Obrigada - ela deu um gole longo e depois me olhando falou:

-Será que um dia vamos ver ele de novo, Ana?

-O Júnior? Claro que sim, sua boba. Ele já tem dezesseis anos, daqui a pouquinho fica maior de idade e vai poder tomar as suas próprias decisões, inclusive voltar para você.

-Enquanto isso ele passa dois anos da vida dele precisando aturar aquele monstro?

- Bom, quanto a isso nós não podemos fazer muita coisa. Ele é o pai né?

- Será? Será que nós não podemos fazer nada?

-Perante a lei, o pai e a mãe tem todo o direito sobre a vida dele no momento.

-Quer saber - disse ela me entregando a xícara ainda pela metade - Eu vou trabalhar.

-Você não vai comer?

- Estou sem fome - disse ela me dando um beijinho com gosto de café e se foi.

Pra falar a verdade, eu também estava morrendo de saudades do Júnior, ele tinha se tornado a minha companhia e um grande amigo, mesmo achando que eu nāo tinha jeito pra cuidar de um adolescente, me apeguei a ele mais do que deveria, ficava me imaginando mãe e me perguntando se o meu filho seria tão inteligente e esperto quanto ele. Com esse pensamento eu fico me perguntando como o pai dele não reconhece a sorte que é ter dois filhos perteitos, agora me pego triste por lembrar que eu nunca terei o que ele não agradece por ter. Meu devaneio foi interrompido pelo bip do meu celular.

[08:15] Juh: Adivinha?
[08:15] Ana Moura: Olha quem deu o ar da graça, é como aquele ditado "quem é vivo sempre aparece"
[08:15] Juh: Para de ser dramática.
[08:15] Juh: Eu tenho uma surpresa.
[08:15] Ana Moura: O que?
[08:16] Juh: Se é surpresa eu não posso contar nė? Dãã
[08:16] Ana Moura: Então para quê falar que tem uma surpresa? Só faz a bendita surpresa.
[08:16] Juh: Tinha esquecido como você é chata, enfim. Faz um jantar, tô em Fortaleza.
[08:16] Ana Moura: Sério? Chegou quando?
[08:17] Juh: Você é uma péssima amiga! Eu postei no meu story que estava de volta há uns 20 minutos. 
[08:17] Ana Moura: Quem está sendo dramática agora?
[08:17] Juh: Jantar. Hoje. Na sua casa. Às 19 horas. Eu levoo vinho. E eu não aceito um não como resposta.

Pensei que não seria uma boa ideia fazer um jantar de boas vindas pra Juh nesse atual momento, mas conhecendo a Juliana o "Eu não aceito um não como resposta" é exatamente isso, se eu arrumasse qualquer desculpa ela apareceria do mesmo jeito, então apenas concordei e não posso negar que eu estou bem curiosa pra ver a tal surpresa.

[08:18] Ana Moura: Aiai, combinado então.

Já que nós teriamos visita, achei melhor fazer uma faxina na casa, mas antes achei melhor avisar pra Mel que teríamos a presença da Juliana no jantar, é certo que ela não iria se agradar muito com a idéia, mas é sempre melhor avisar.

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