Ana
Durante a semana toda trabalhei em ritmo lento, minha cabeça não estava funcionando como de costume, eu geralmente estou pensando dez mil coisas ao mesmo tempo, porém ultimamente ando sem foco e mais ansiosa que nunca. Decidi então voltar a fazer terapia, preciso controlar meus medos e essa ansiedade, antes que eu fique maluca.
Estou aqui sentada diante de uma psicóloga que aparentemente é mais jovem que eu, ela fica me encarando como se estivesse me analisando até pelo meu piscar de olhos, por hora decidi não falar pra Melissa, ela ficaria preocupada de ter alguma coisa errada comigo e acho que merecemos uma folga de tanto problema, bom, pelo menos ela terá uma folga.
- Então, Ana... – disse a psicóloga lendo meu nome na ficha – O que está te incomodando?
Fiquei olhando pra ela por longos e aparentemente intermináveis segundos, até conseguir tirar a minha trava e começar a falar.
- Ultimamente? Tudo, tudo anda me incomodando.
- Me explica mais sobre isso.
- Um exemplo? Bom, o fato de você ser mais jovem que eu, me faz questionar se você vai saber me analisar corretamente... – parei olhando pra ela vendo a idiotice que havia falado – Desculpa, sei que foi preconceituoso.
- Tudo bem, aqui estamos em um espaço que você pode falar o que sente e vamos trabalhar nisso. – respondeu ela abrindo um largo sorriso branco.
- Mesmo assim me desculpe, eu costumava ser mais segura... – me calei novamente e ela ficou me encarando esperando que eu concluísse a fala – Eu sabia que era boa em muitas coisas, escrever... Escrever era a minha paixão, agora por horas eu fico olhando a tela do computador e não consigo escrever coisas aproveitáveis.
- Ana, aqui na sua ficha diz que você sofreu um acidente quase que recentemente, isso começou a acontecer depois do acidente?
- Talvez um pouco antes, mas piorou depois dele.
- Você sofre de terrores noturnos, insônia, pesadelos correntes?
- Sim, sim e sim. – respondi com um sorriso forçado nos lábios.
- Quer me contar o que acontece nos seus sonhos? – perguntou ela se aconchegando na cadeira.
Fiquei ali contando mais e mais sobre os meus problemas por uns 50 minutos e no final sem respostas conclusivas fui pra casa, dirigindo pelas ruas já escura de Londres até chegar ao estacionamento do meu prédio.
Ao chegar em casa não encontrei a Mel como de costume sentada no sofá assistindo alguma coisa, olhei para a cozinha e quase morri do coração quando vi a Juh saindo de trás da porta da geladeira aberta.
- ANAAAAA – gritou ela ao me ver.
Eu tinha esquecido completamente que a Juh viria e que eu havia dito que ela poderia ficar aqui.
- Nossa, eu não lembrava que você chegaria hoje. – falei.
- Eu tentei te ligar quando cheguei, mas me confundo com os números daqui, então depois de falar espanhol, italiano, grego, eu finalmente consegui fazer um taxista me trazer até aqui. – respondeu ela mordendo uma maçã.
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O Nosso Para Sempre
RomansaNosso para sempre é a continuação de O Único Destino, conta mais do romance de Ana e Melissa, desta vez em Londres e mostra que em um casamento nem tudo são flores, que morar fora do seu país natal também não é apenas um sonho como se achava ser, en...
