026

168 20 3
                                        

— Por que você está dormindo no chão?

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.


— Por que você está dormindo no chão?

Era uma pergunta fácil de responder, fácil até demais, segundo ele. Estava coberto por uma fina camada de tecido que usara como cobertor durante a noite.

Sahira o encontrou coberto dos pés à cabeça. Pensou que ele estivesse morto, mas mesmo assim tocou seu ombro com uma colher que encontrou por perto. Ao ver Aonung levantar a cabeça, eliminou a ideia de assassinato.

Ele sentia uma dor intensa na cabeça, lembrava-se de pouco ou quase nada. Foi difícil demais se levantar da cama, e havia uma dor estranha na perna direita, exatamente no tornozelo. Assim que conseguiu sair da cama, viu que o membro estava cuidadosamente enfaixado. Estava frio demais para ser verão, e ela notou que estava coberta por uma grande manta.

Ela sequer sabia onde estava, não lembrava nem como havia chegado ali. A cama era estranha e parecia presa ao chão, com várias camadas de... palha? Não sabia ao certo o material — só sabia que era esquisito. Não era desconfortável, mas era estranho.

Acordou assustada e examinou o cômodo em que estava. Era uma casa pontuda demais, com um teto alto e afunilado. Havia várias decorações de madeira penduradas que batiam umas nas outras com o vento que entrava por uma grande janela. O sol ainda nem tinha nascido direito, era muito cedo.

A cama era grande, bem maior que ela. Embora, pensando bem, tudo era maior que ela. Mal se levantou e quase tropeçou em algo que estava enrolado sobre si mesmo. Então lembrou que Aonung também existia e presumiu que era ele.

Passou ao lado dele com um pouco de dificuldade — o tornozelo ainda doía. Sem sequer encostar um dedo nele, muito menos fazer barulho, notou um conjunto de facas, colheres e garfos pendurados. Pegou o menos ameaçador só para verificar se Aonung estava vivo.

Sentou-se à beira da cama baixa enquanto o observava. Estava cutucando o ombro dele com a colher. Ele ergueu a cabeça para vê-la, afastando uma parte da manta. Ela estava com o cabelo completamente bagunçado e com uma ou outra farpa presa nele, mas nada além disso. Quando ele percebeu que ela estava sóbria, se cobriu novamente até a cabeça.

— Onde estamos?

— Em casa, Sahira — respondeu, fechando os olhos para tentar voltar a dormir.

Aquilo não era uma casa. Ela o olhou com dúvida. Aquilo era a casa dele?

— Que casa? — voltou a perguntar. Mais uma vez, Aonung enfiou a cabeça para fora para encará-la.

Ela tinha olheiras enormes, bem evidentes, embora, segundo Aonung, isso era o de menos.

— Na casa onde vamos ficar por alguns dias enquanto estivermos aqui — esclareceu, revirando os olhos.

Cobriu-se novamente até a cabeça, tentando fechar os olhos para dormir outra vez. No entanto, ela continuava falando.

Será que ela não entendia que ele não queria conversar e só queria dormir? Ele não respondia às perguntas por um motivo simples: se fosse responder, ia acabar sendo grosso e era justamente isso o que ele mais queria evitar.

𝐎𝐧𝐞 𝐋𝐚𝐬𝐭 𝐓𝐢𝐦𝐞 | 𝐀𝐎𝐍𝐔𝐍𝐆Onde histórias criam vida. Descubra agora