Capítulo 10

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Point of View Ludmilla

Me levantei sentindo os meus músculos agradecerem depois de muito tempo sentada.

Léo me acompanhou assim que me dirigi à saída.

- Cuidado com a princesa ( ouvi falarem)

Pov Ludmilla ❤

Assim que todos começaram a se levantar, fiquei sentada por alguns segundos, observando a confusão agradável do povo indo embora da Arena. Aplaudiam, riam, comentavam como Matheus tinha sido impecável. E realmente tinha sido — quando meu irmão se concentra, ele parece outra pessoa.

Senti o Léo encostar a mão na minha cintura.

Léo: vamos?

Lud: vamos… só preciso respirar um pouco ainda.

Ele riu baixo, daquele jeito que sempre me faz olhar para ele.

Léo: você enterrou a cara no meu braço como se fosse morrer, princesa.

Lud: desculpa se não gosto de ver meu irmão quase decapitando alguém.

Léo: ele não decapitou…

Lud: mas teria, se deixassem.

Ele deu de ombros. Para ele aquilo tudo era normal. Para mim, nem tanto.

Caminhamos para fora da Arena, quando ouvi alguém me chamar.

Matheus: Lud!

Me virei. Ele vinha caminhando em passos largos, ainda sem camisa, suado, com o rosto vermelho do calor e da adrenalina.

Lud: parabéns, campeão.
(levantei a mão para bagunçar o cabelo dele, mas ele pegou meu pulso no ar)

Matheus: o que aconteceu no seu rosto?

Suspirei.

Lud: nossa mãe aconteceu.

O maxilar dele travou na hora.

Matheus: eu vou falar com ela. Isso não vai ficar assim.

Lud: ela não merece a sua energia, Matheus.

Matheus: mas ela tem que aprender a parar.

Lud: ela não aprende, Matheus… mas eu aprendo a não me importar.

Ele soltou meu pulso devagar, ainda me olhando como se quisesse quebrar algo ou alguém.

Matheus: vem cá.
(ele me puxou para um abraço forte)

Eu fiz uma careta.

Lud: você está fedendo.

Matheus: obrigado.
(ele soltou uma risada e me ergueu como se eu pesasse nada)
Mas você é minha irmã, tem que aceitar.

Léo observava de longe, sorrindo. Acho que ele gosta de ver como eu e Matheus somos próximos.

Mais tarde, no caminho de volta

Preferi ir montada no meu cavalo outra vez, o Léo me acompanhando ao lado. Estava um clima agradável, o vento leve batendo no rosto, e o sol começando a descer.

Léo: princesa…

Lud: hum?

Léo: quero te perguntar uma coisa… mas não sei se devia.

Eu o encarei de lado.

Lud: quando você começa assim eu fico nervosa.

Ele riu um pouco, mas não era uma risada completa. Parecia pensativo.

Léo: a carta da Bru. O que tinha nela?

Meus dedos gelaram no mesmo instante.

Lud: quem disse que era da Brunna?

Léo: você ficou pálida quando saiu da cozinha… e parecia preocupada.

Droga.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, pensando na Bru, e na sensação horrível de estar sendo observada a cada passo.

Lud: era só… saudade.
(respondi)

Léo me olhou como quem sabe que estou mentindo, mas escolheu não insistir.

Léo: você sabe que pode confiar em mim, né?

Engoli seco.

Lud: sei… ou pelo menos tento saber.

Ele se aproximou um pouco mais, cavalos quase encostando.

Léo: vou te proteger, se precisar. Não importa de quem.

A frase ficou ecoando na minha cabeça como um aviso.

Ou como uma promessa.

Assim que entramos pelo portão, percebi algo estranho.

Os guardas estavam… inquietos.

Olhares cruzados. Sussurros. Um clima pesado.

Léo pareceu notar também. Ele desceu do cavalo primeiro e esperou que eu descesse.

Léo: fica perto de mim.

Lud: aconteceu alguma coisa?

Ele não teve tempo de responder.

Um guarda correu até nós, ofegante.

Guarda: Senhor Léo… O Rei pediu sua presença imediata na sala privada.

Léo ficou rígido.

Léo: o que houve?

O guarda olhou para mim rapidamente, como se medir se devia falar.

Guarda: encontraram algo… na floresta. Perto do rio.

Lud: algo?

O guarda hesitou — e isso me deu medo.

Guarda: encontraram… marcas. De luta.

Léo: e?

O guarda baixou a voz.

Guarda: sangue. Muito sangue.

Meu coração deu um salto.

Lud: de quem?

O guarda engoliu seco.

Guarda: ainda não sabemos… mas havia…
(ele olhou para mim de novo)
havia um lenço.
…um lenço que parecia… feminino.

O chão sumiu sob meus pés.

Meu corpo gelou inteiro.

Bru.

A palavra explodiu na minha cabeça antes mesmo que pudesse controlar.

Lud: qual era a cor do lenço?

O guarda respirou fundo.

Guarda: rosa claro.

Exatamente a cor que a Bru sempre usava.

Meus joelhos quase cederam.

Léo segurou meu braço na hora.

Léo: princesa… respira.

Mas eu não conseguia.

Senti a dor subir pelo meu corpo como fogo.

Porque eu sabia.

Eu sabia.

A Bru tinha vindo atrás de mim.

E algo — ou alguém — tinha encontrado ela antes.

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