Capítulo 11

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Pov Ludmilla ❤

A noite caiu pesada sobre o castelo.

Depois da notícia do lenço encontrado no bosque, eu simplesmente não consegui ficar parada. Passei horas andando de um lado para o outro dentro do meu quarto, sentindo o coração bater tão rápido que parecia querer arrebentar minhas costelas.

Léo tentou ficar comigo, mas eu pedi para ele sair. Eu precisava ficar sozinha. Precisava pensar.

Ou tentar.

A cada sombra que mexia na parede, eu achava que era ela. A cada ruído do corredor, o meu corpo inteiro travava.

A Bru nunca deixaria um lenço cair. Nunca. Ela era rápida, discreta, cuidadosa. Aquilo só podia significar que…

Me sentei no chão, encostada na porta, respirando fundo.

Lud: Bru… onde você está?

As horas passaram devagar. Muito devagar. Lá fora tudo estava quieto, silencioso demais. Até o Sebastian, encolhido no canto da cama, parecia sentir o meu medo.

Quando o relógio tocou duas da manhã, algo mudou no ar.

Eu senti.

A chama da vela tremeluzia de um jeito estranho, como se um vento gelado tivesse atravessado o quarto — mas a janela estava fechada.

Foi aí que ouvi.

Um toque leve, quase imperceptível, na porta da varanda.

toc… toc…

Fiquei congelada.

Ninguém naquela casa usaria a varanda para me chamar.

Ninguém.

Lud: …Bru?

O silêncio respondeu.

Me levantei devagar, cada passo parecia ecoar. Minhas mãos tremiam quando segurei a maçaneta.

Tive medo de abrir.

Tive medo de não abrir.

Puxei a porta.

E meu coração parou.

Lá estava ela.

A Bruna.

Encostada no parapeito da varanda, o rosto meio escondido pela lua. Suja, ofegante, com um corte no ombro que manchava a roupa. Mas viva.

Viva.

Lud: meu Deus… BRU!

Joguei-me para frente, abracei ela com força antes mesmo que minha mente pudesse registrar tudo. Ela deixou escapar um gemido de dor, mas retribuiu o abraço, enterrando a cabeça no meu pescoço.

Bru: eu tô aqui, meu amor…
(falou com a voz fraca, quase sem ar)

Me afastei só o suficiente para segurar o rosto dela com as duas mãos.

Lud: você tá ferida! Bru, você tá sangrando—
(ela colocou o dedo nos meus lábios)

Bru: shh… não faz barulho. Eles podem estar perto.

Meu sangue gelou.

Lud: quem?

Ela olhou para trás, para a escuridão do jardim.

Bru: os homens do seu “noivo”…
(ela cuspiu a palavra como veneno)
…e mais alguém. Uma mulher.

Meu estômago revirou.

Lud: uma mulher? Quem?

Bruna respirou fundo, com dificuldade.

Bru: não sei o nome. Mas…
(aproximou a boca do meu ouvido)

Bru: ela sabia de mim. Sabia de você. Sabia do que você é pra mim.

Meu coração pulou na garganta.

Lud: ela te machucou?

Bru: tentou…
(ela deu um sorriso torto)
mas você sabe como eu sou difícil de pegar.

Mesmo ferida, ela tinha aquele brilho nos olhos.

Lud: Bru, por favor, entra. Você precisa de ajuda, precisa de curativo, precisa descansar—

Bru: não posso ficar.
(seu olhar ficou sério de repente)
Eu vim só para te ver. Para ter certeza que você está bem.

Meu peito apertou.

Lud: não… Bru, pelo amor de Deus, você não vai sair daqui desse jeito.

Ela pousou a mão no meu rosto.

Bru: eu tenho que ir, Lud… se me acharem aqui, eles vão atrás de você.

Lud: eles já estão atrás de mim!

Silêncio.

Um silêncio pesado.

Bru: eu sei. Por isso… preciso descobrir quem está por trás disso. Eu prometi que ia te proteger, lembra?

Ela tentou se afastar, mas eu segurei seu braço com força.

Lud: Bru, você não vai sumir de novo. Eu quase enlouqueci hoje. Eu achei que—
(minha voz falhou)

Ela aproximou a testa da minha.

Bru: eu sei… eu senti.
Seu dedo passou devagar sobre minha bochecha.
Eu sempre sinto você.

Meu corpo estremeceu.

Bru: eu volto, meu amor.

Lud: promete?

Bru: prometo.
E dessa vez vou voltar inteira.

Ela beijou minha testa — lento, profundo, como se quisesse deixar um pedaço dela ali.

Quando começou a se afastar, ainda na varanda, ouvi um galho quebrar na mata escura.

Bruna arregalou os olhos.

Bru: merda.

Lud: Bru, entra agora!

Bru: não… não posso. Se te verem comigo, é o fim.

Ela correu até o muro, apesar do ferimento, e antes de saltar, olhou pra mim pela última vez naquela noite.

Bru: não saia amanhã. Por nada. Confie em mim.

E desapareceu na escuridão.

Eu fiquei ali, na varanda, com a lua iluminando o sangue no chão.

De mãos tremendo.

Pulso acelerado.

E a certeza de que algo muito maior estava vindo.

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