Pov Ludmilla ❤
A noite caiu pesada sobre o castelo.
Depois da notícia do lenço encontrado no bosque, eu simplesmente não consegui ficar parada. Passei horas andando de um lado para o outro dentro do meu quarto, sentindo o coração bater tão rápido que parecia querer arrebentar minhas costelas.
Léo tentou ficar comigo, mas eu pedi para ele sair. Eu precisava ficar sozinha. Precisava pensar.
Ou tentar.
A cada sombra que mexia na parede, eu achava que era ela. A cada ruído do corredor, o meu corpo inteiro travava.
A Bru nunca deixaria um lenço cair. Nunca. Ela era rápida, discreta, cuidadosa. Aquilo só podia significar que…
Me sentei no chão, encostada na porta, respirando fundo.
Lud: Bru… onde você está?
As horas passaram devagar. Muito devagar. Lá fora tudo estava quieto, silencioso demais. Até o Sebastian, encolhido no canto da cama, parecia sentir o meu medo.
Quando o relógio tocou duas da manhã, algo mudou no ar.
Eu senti.
A chama da vela tremeluzia de um jeito estranho, como se um vento gelado tivesse atravessado o quarto — mas a janela estava fechada.
Foi aí que ouvi.
Um toque leve, quase imperceptível, na porta da varanda.
toc… toc…
Fiquei congelada.
Ninguém naquela casa usaria a varanda para me chamar.
Ninguém.
Lud: …Bru?
O silêncio respondeu.
Me levantei devagar, cada passo parecia ecoar. Minhas mãos tremiam quando segurei a maçaneta.
Tive medo de abrir.
Tive medo de não abrir.
Puxei a porta.
E meu coração parou.
Lá estava ela.
A Bruna.
Encostada no parapeito da varanda, o rosto meio escondido pela lua. Suja, ofegante, com um corte no ombro que manchava a roupa. Mas viva.
Viva.
Lud: meu Deus… BRU!
Joguei-me para frente, abracei ela com força antes mesmo que minha mente pudesse registrar tudo. Ela deixou escapar um gemido de dor, mas retribuiu o abraço, enterrando a cabeça no meu pescoço.
Bru: eu tô aqui, meu amor…
(falou com a voz fraca, quase sem ar)
Me afastei só o suficiente para segurar o rosto dela com as duas mãos.
Lud: você tá ferida! Bru, você tá sangrando—
(ela colocou o dedo nos meus lábios)
Bru: shh… não faz barulho. Eles podem estar perto.
Meu sangue gelou.
Lud: quem?
Ela olhou para trás, para a escuridão do jardim.
Bru: os homens do seu “noivo”…
(ela cuspiu a palavra como veneno)
…e mais alguém. Uma mulher.
Meu estômago revirou.
Lud: uma mulher? Quem?
Bruna respirou fundo, com dificuldade.
Bru: não sei o nome. Mas…
(aproximou a boca do meu ouvido)
Bru: ela sabia de mim. Sabia de você. Sabia do que você é pra mim.
Meu coração pulou na garganta.
Lud: ela te machucou?
Bru: tentou…
(ela deu um sorriso torto)
mas você sabe como eu sou difícil de pegar.
Mesmo ferida, ela tinha aquele brilho nos olhos.
Lud: Bru, por favor, entra. Você precisa de ajuda, precisa de curativo, precisa descansar—
Bru: não posso ficar.
(seu olhar ficou sério de repente)
Eu vim só para te ver. Para ter certeza que você está bem.
Meu peito apertou.
Lud: não… Bru, pelo amor de Deus, você não vai sair daqui desse jeito.
Ela pousou a mão no meu rosto.
Bru: eu tenho que ir, Lud… se me acharem aqui, eles vão atrás de você.
Lud: eles já estão atrás de mim!
Silêncio.
Um silêncio pesado.
Bru: eu sei. Por isso… preciso descobrir quem está por trás disso. Eu prometi que ia te proteger, lembra?
Ela tentou se afastar, mas eu segurei seu braço com força.
Lud: Bru, você não vai sumir de novo. Eu quase enlouqueci hoje. Eu achei que—
(minha voz falhou)
Ela aproximou a testa da minha.
Bru: eu sei… eu senti.
Seu dedo passou devagar sobre minha bochecha.
Eu sempre sinto você.
Meu corpo estremeceu.
Bru: eu volto, meu amor.
Lud: promete?
Bru: prometo.
E dessa vez vou voltar inteira.
Ela beijou minha testa — lento, profundo, como se quisesse deixar um pedaço dela ali.
Quando começou a se afastar, ainda na varanda, ouvi um galho quebrar na mata escura.
Bruna arregalou os olhos.
Bru: merda.
Lud: Bru, entra agora!
Bru: não… não posso. Se te verem comigo, é o fim.
Ela correu até o muro, apesar do ferimento, e antes de saltar, olhou pra mim pela última vez naquela noite.
Bru: não saia amanhã. Por nada. Confie em mim.
E desapareceu na escuridão.
Eu fiquei ali, na varanda, com a lua iluminando o sangue no chão.
De mãos tremendo.
Pulso acelerado.
E a certeza de que algo muito maior estava vindo.
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A Princesa
Fiksi PenggemarMuitos pensam que ser uma princesa é difícil, mais e se for o meu caso é muito fácil. Sou basicamente a princesa esquecida, eu sou a filha mais nova dos meus pais e normalmente costumam ser os mais mimados mas no meu caso é um pouco diferente. .... ...
