Capítulo 12

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Pov Ludmilla ❤

Acordei com o som da porta sendo batida com força.

Não lembro quando dormi — talvez nem tenha dormido. Fiquei horas na varanda, olhando para o escuro, esperando algum sinal da Bru.

Mas nada.

Agora, a luz da manhã entrava pelas cortinas e eu me sentia pesada, tensa, com a roupa ainda amassada do dia anterior.

TUM TUM TUM

Matheus: Lud, abre! É sério!

Levantei rápido, coração disparado.
Abri a porta e meu irmão entrou como um furacão.

Matheus: por que você não desceu pra tomar café? Você tá com uma cara…
(ele parou, me analisando de cima a baixo)

Lud: eu… passei mal.

Mentir para o Matheus é como tentar esconder fogo de alguém que sente cheiro de longe.

Matheus: mentira.
(se aproximou)
O que aconteceu?

Engoli seco.

A imagem da Bruna ensanguentada voltou à minha mente tão forte que senti as mãos tremerem novamente.

Lud: nada… só não dormi bem.

Matheus: Lud…
(ele colocou as mãos nos meus ombros)
Se alguém te fez alguma coisa, você me fala. Mãe te bateu de novo? O Léo fez alguma m—

Lud: não!
(interrompi)
Não foi ninguém daqui.

Ele franziu a testa.

Matheus: “daqui”? Como assim?

Eu ia responder — ou inventar algo — mas alguém bateu na porta outra vez.

Dessa vez, mais leve.

Léo: princesa?
(posso entrar?)

Matheus rolou os olhos e sussurrou:

Matheus: ótimo…perfeito.

Lud: Matheus, por favor…

Ele saiu do quarto irritado, trombando com o Léo no caminho.

Léo entrou, preocupado, olhando diretamente para mim.

Léo: você sumiu hoje cedo. Está tudo bem?

Eu não queria mentiras.
Mas também não podia contar a verdade.

Se ele descobrisse sobre a Bruna… sobre o que ela significa pra mim… eu não sabia o que ele seria capaz de fazer.

Léo deu mais um passo na minha direção.

Léo: princes—

Quando ele viu o sangue no chão, perto da varanda, ele congelou.

Léo: …o que é isso?

MERDA.

Eu não consegui limpar tudo à noite. E ali, com a luz do dia, era impossível ignorar.

Meu corpo gelou.

Léo se agachou, tocou de leve na mancha seca.

Léo: Alguém esteve aqui.Foi a Brunna?

Meu coração engasgou, lembrando novamente da sua imagem.

Lud: sim, ela está bem, na medida do possível.

A respiração ficou curta.

TOC. TOC. TOC.

Uma batida urgente na porta.

Meu pai entrou às pressas.

Renato: Lud, minha menina, preciso que fique no quarto hoje. (Olhou para o Léo)
E você, venha comigo agora.

Léo: o que houve?

Renato respirou fundo. Preocupado. Realmente preocupado.

Renato: encontraram rastros de alguém invadindo os muros durante a noite.
(Virou para mim)
E passaram muito perto da sua varanda.

Meu estômago caiu.

Léo ficou rígido. Tentando disfarçar que sabia alguma coisa.

Léo: ela não pode ficar sozinha.

Renato: coloquei guardas na porta dela. E mais dois no corredor. (Olhou pra mim com carinho)
Se ouvir qualquer barulho, qualquer coisa, você grita.

Eu assenti, sem conseguir falar.

Os dois saíram, mas antes de fechar a porta, meu pai adicionou:

Renato: e não abra para ninguém que não seja eu ou seu irmão. Nem para o Léo. (Saiu)

Fiquei em silêncio no quarto.

Com o sangue da Bru no chão.

E um arrepio subindo pela minha espinha.

Mais tarde, tarde da noite

Fiquei presa no quarto o dia inteiro.

Guardas passando o tempo todo no corredor, passos pesados, conversas abafadas. Uma movimentação estranha.

Algo acontecia — e ninguém queria me contar.

Eu tentava me distrair, mas cada barulho fazia meu coração saltar.

Sebastian ficava inquieto, parava na porta às vezes, o que só me deixava pior.

Quando a noite chegou, o castelo ficou silencioso demais.

Às 01h45, ouvi passos no corredor.

Passos leves.

Completamente diferentes dos guardas.

Toquei meus dedos na maçaneta, mas lembrei do aviso do meu pai é de Brunna.

Dei um passo para trás.

O silêncio agora parecia vivo.

Então…

rasp– rasp– rasp

Algo arranhou a madeira da porta.
Três vezes.

Eu tremi inteira.

Lud: Bru?
(sussurrei)

Silêncio.

Fiquei paralisada.

Até que ouvi a voz.

Uma voz baixa.
Feminina.
Mas não era a Bruna.

???: abra a porta, Ludmilla.

Meus olhos se arregalaram.

A voz era gelada, quase calma demais. Não parecia ninguém do castelo.

???: eu sei que você está aí…
Arranhou a porta outra vez.
Eu sei o que você é pra ela.

Meu corpo congelou.

Minha mente gritou.

Não abra.

Dei um passo para trás, depois outro, sentindo o coração explodir no peito.

Sebastian começou a saltar desesperado, como se quisesse me empurrar para longe.

E então…

BOOM

Alguém bateu na porta com força — como se tentasse arrombar.

Eu gritei.

E antes que eu pudesse correr, ouvi voz do Matheus do outro lado:

Matheus: LUD! AFASTA!

A porta se rompeu parcialmente.

Vi o rosto dele surgir entre os entalhes quebrados, ofegante, suado, com uma espada na mão.

Matheus: ela tá aqui.
Olhou para trás, como se alguém fugisse.
Aquela mulher… ela tentou entrar no castelo outra vez.

Meu sangue gelou por completo.

Não era apenas alguém atrás da Bru.

Era alguém atrás de mim.

E essa mulher sabia exatamente quem eu era — e quem a Bruna era na minha vida.

Matheus: Ludmilla, a gente precisa te tirar daqui agora.

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⏰ Última atualização: Nov 19, 2025 ⏰

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