twenty, part two

88 3 4
                                        

Lilimar

A luz suave entrava pelas frestas da cortina. Eu me encolhi, buscando o calor do Jace... mas só encontrei o espaço vazio ao meu lado.

Abri os olhos, devagar. O travesseiro ao lado ainda estava amassado, e dava pra sentir o perfume dele no lençol. Mas ele não estava mais ali.

Me sentei na cama, confusa. O quarto estava silencioso. O celular no criado-mudo, intacto.

Olhei ao redor como se ele fosse aparecer a qualquer momento. Talvez tivesse ido buscar água? Café?

Esperei. Dez minutos.

Nada.

Me levantei devagar, vesti uma roupa qualquer e saí do quarto.

Foi aí que encontrei a Sabina no corredor, com o rosto sério e o celular na mão.

— Amiga... — ela começou.

— O que foi?

— Vem. Você precisa ver isso.

Entramos juntas no quarto. Ela fechou a porta atrás de nós e abriu o notebook.

— Não surta, tá? Mas... olha isso.

Na tela, uma matéria de fofoca. Enorme. Com fotos.

Minhas fotos.

E prints das mensagens que mandei pro Jace no início. Intimidade escancarada como se fosse parte de algum show.

Li as palavras em silêncio, o estômago revirando.
"Nova ficante de Jace Norman tem passado ousado..."
"Veja as mensagens que ela usou para conquistá-lo..."

Senti minha garganta fechar. O mundo girava.

— Lili? — Sabina se ajoelhou na minha frente. — Fala alguma coisa. Tô aqui.

— Isso... isso é real? — consegui dizer.

Ela assentiu.

— O Noah viu também. Ele tá surtando. Ele acha que foi a Isabela. E... o Jace saiu. Tipo, saiu mesmo, sem falar nada.

Aquelas palavras doeram mais do que a exposição.

— Ele foi embora?

— O Noah foi atrás dele. Eles se trancaram no quarto por uns minutos. Depois o Jace saiu direto. A cara dele tava... puta, Lili, tava transtornado. Mas não parecia com você. Parecia com o mundo.

Fiquei em silêncio. As lágrimas começaram a escorrer, silenciosas.

— Eu juro que se eu ver aquela Isabela de novo eu...

— Não, Sabina. Não é isso. Não é raiva. É vergonha. Eu... eu só queria que ele me notasse. Eu nunca pensei que... — desabei.

Ela me puxou pra um abraço apertado.

— Você não fez nada errado. Entendeu? Nada. Isso aqui é culpa de quem espalhou. Só.

— Mas o mundo não pensa assim.

— O mundo que se exploda.

Minutos depois, Noah entrou no quarto. Ele já tinha chorado também, dava pra ver.

— Posso?

Assenti.

Ele se sentou ao meu lado na cama, o rosto abatido.

— Lili... me desculpa. Eu devia ter protegido melhor você. Eu fui um idiota.

— Você não tem culpa. Ninguém imaginava isso.

— A Isabela tava rondando ontem. Eu deixei o notebook aberto. Fui pegar bebida. Foi a brecha pra ela entrar no meu quarto e fazer o que fez. Eu tenho quase certeza.

— O Jace acha que foi ela?

— Acha. E foi atrás dela.

— Ele disse alguma coisa?

— Ele disse que ia resolver. E que ela não vai tocar em você de novo.

Senti o peito apertar. O mesmo peito que ele tinha abraçado horas atrás. Onde eu me sentia segura.

— Mas... ele foi embora.

— Só pra consertar tudo. E você vai ver.

Meia hora depois, eu ainda estava ali, sentada, quando o celular apitou.

Era uma notificação de vídeo. Postado por ele.
Apertei o play com as mãos trêmulas.

"Oi. Não costumo falar sobre minha vida pessoal. Mas hoje é diferente...

Estão circulando prints e mensagens da pessoa com quem estou me relacionando. Coisas íntimas que só dizem respeito a nós dois.

O que ninguém contou é que, quando ela me mandou aquilo tudo... eu ainda não merecia ela. Eu nem a conhecia

Ela se entregou, teve coragem. Me fez rir. Me fez querer conhecer ela de verdade.

E eu... fui o sortudo que ela escolheu.

Então não se enganem. Isso não é um escândalo.
Isso é o começo de uma história real.

Lilimar, eu escolho você. Agora e depois."

Soltei o celular no colchão e tapei a boca com as mãos.

— Ele... ele postou isso... — a voz saiu falha.

— Ele está apaixonado por você, Lili — Sabina sussurrou atrás de mim.

A porta abriu devagar. Era ele.

O Jace.

Os olhos dele me encontraram. O meu rosto ainda molhado. O peito ainda exposto.

— Você postou aquilo... por mim?

— Não. Postei por nós.

— Eu... eu me senti tão exposta, Jace. Tão suja. Como se tivessem arrancado algo de dentro de mim e jogado pra todo mundo ver...

— Eu sei. Eu vi. Mas ninguém tem o direito de usar isso contra você. Ninguém.

— Você não tem ideia do quanto eu quase desisti de tudo hoje. De mim, de você, de nós

Ele se aproximou. A voz firme.

— Mas não desistiu.

— Porque você apareceu. Porque você me escolheu. Mesmo assim.

— Sempre vou escolher você.

E então tudo desabou.

Me joguei nos braços dele. E chorei.

Mas dessa vez, não era só dor. Era alívio.

Era certeza.

Era amor.

Nudes - Jace NormanHistórias para pegar e não largar. Descubra agora