Capítulo 21.

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“Não há, nunca houve, nem nunca haverá um homem que seja sempre censurado, ou um homem que seja sempre louvado.”
— Buda.

QUÂNTICO, VIRGÍNIA.
VIOLET P.O.V.

Estava cantarolando "A Million dreams" enquanto assistíamos o filme, esse era definitivamente o meu favorito, não importava quantas vezes eu assistia, sempre reagia como se fosse a primeira vez. O filme fazia eu me sentir confortável, era aconchegante.

O frio começou a entrar na sala pela fresta aberta da janela, estava 6° graus aqui. Cruzo meus braços na tentativa de me aquecer.

— Está com frio? - Reid pergunta

— Bastante - eu respondo — Vou pegar um cobertor, pode ser?

— Tudo bem - Spencer me dá um sorriso lateral

Me dirijo até o meu quarto, pegando meu cobertor de cima da cama e volto a sala, onde Spencer tinha fechado a janela.

— Você fechou a janela? - pergunto

— Fechei, estava ventando muito - ele fala dando de ombros

— Aqui, peguei para nós dois - falo entregando-o o cobertor

— Obrigado! - Reid sorri

Volto a me sentar no sofá ao lado de Spence. O mesmo cobertor cobria nós dois, forçando-me a me aproximar de Reid, não que fosse ruim, claro, mas ele poderia achar invasivo.

Perco-me em meus pensamentos e quando me dou conta, o filme já está no fim e Spencer cochilou.

— Spence, ei - chamo baixinho o balançando

— An? oi - ele acorda um pouco assustado

— Você quer ir para o quarto? - sinto que a pergunta fez Reid estremecer, não entendi

— Como assim? - ele pergunta um pouco assustado

— Ir dormir no quarto, você quer? - refaço a pergunta

— Ah! Não precisa, eu posso ir pra casa - ele nega

— Que nada! Você acabou de sair do hospital, dorme aqui, não tem problema algum - digo

— Tudo bem, mas eu posso dormir na sala, não precisa se preocupar - Ele diz meio envergonhado

— Tá maluco? Minha cama é grande o suficiente para nós dois - falo rindo da ideia absurda de Spencer

— Nós dois? - ele fala confuso

— Claro, o que tem de ruim nisso? nossa própria festa do pijama - rio e me levanto

— Tudo bem! - ele aceita por fim e se levanta com um pouco de dificuldade

— Está doendo? - pergunto preocupada

— Não dói, só é um pouco difícil de levantar - ele explica

Desligo a tv e recolho a coberta do sofá. Nós vamos em direção ao meu quarto e assim que entramos, me jogo na cama.

— Ai, muito melhor que uma cadeira de hospital - eu rio e ele também

— Isso eu posso concordar

— Vem, deita - me ajeito na cama e dou espaço para o Spencer

Ele se deita ao meu lado e é estranho, um silêncio paira sobre nós, talvez porque fosse novidade, ou porque ele tem vergonha, não sei, só sei que é estranho.

— Então... Spencer, quais seus hábitos para dormir? - pergunto tentando puxar assunto

— Você está perguntando isso? - ele ri

— Estou tentando puxar assunto, me deixa - eu rio

— Eu durmo normal, ambiente escuro, sem som, normal - ele explica de forma breve

— Pois bem, eu também! - não era verdade

Eu consigo dormir no claro, no escuro, na festa, no ônibus, no carro, qualquer lugar era lugar de dormir, mas o escuro silencioso é o melhor, obviamente.

Eu me deitei virando meu corpo para Spencer, possibilitando dessa forma olha-lo nos olhos, eu gostava de seus olhos, eram um castanho bonito, seus cabelos estavam um pouco desgrenhados, mas belos, sua boca... estava rosada, mas não vem ao caso, Spencer era muito bonito, não é como se eu já não tivesse reparado na beleza dele, mas dessa vez, após sair do hospital, ele parece mais bonito, parece diferente, bem diferente.

— Porquê está me encarando? - ele pergunta

Eu estou? Meu Deus! Eu estou.

— Ah, nada, desculpa - eu desvio o olhar

— Não tem problema - ele solta um riso anasalado

— Boa noite Spencer - eu digo o encarando

— Você já vai dormir? - ele pergunta

— Você não? - respondo

— Não sei se consigo - Spencer diz enquanto me encara

— Porque? - pergunto genuinamente

— Não sei... Está um pouco calor aqui - ele responde

Não está calor...Nem um pouco, não entendo, será que é algo a ver com o tiro? Os remédios? Deve causar calor...

— Sério? Estou morrendo de frio! - exagero um pouco

— Não é nada demais, não se preocupe - Ele fala desviando o olhar

Bocejo duas vezes seguidas e entendo o recado, preciso dormir, preciso muito dormir. Como uma pena, sem uma palavra se quer, meu corpo adormece totalmente, talvez eu devesse ter dito algo a Spencer antes, mas não consegui.

𝑽𝑰𝑶𝑳𝑬𝑻 - 𝐒𝐩𝐞𝐧𝐜𝐞𝐫 𝐫𝐞𝐢𝐝Onde histórias criam vida. Descubra agora