Algumas coisas estranhas acontecem quando o relógio bate em números repetitivos

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Acontecem coisas inexplicáveis envolvendo números repetitivos no local em que tenho que tomar de conta. Faz um pouco mais de um ano que estou lidando com essas coisas, muitas envolve fenômenos atmosféricos, ambientais, zoológico e até, mais corriqueiro, espirituais.

As coisas funcionam bem quando você ignora e tenta se afastar ao máximo de qualquer interação com os fenômenos. Conheci muitas pessoas que estavam trabalhando comigo, muitas passageiras. Algumas desistem por dizer que é "estranho demais", pode ser  perigoso", outros ficam loucas por interagir com as coisas.

Ao longo do dia, exatamente nos números 11:11, 12:12, 01:11, 22:22, etc, precisamos estar preparados para o que está por vir.

Quando fui contratado, disseram que eu precisava levar comigo, além do uniforme padrão de guarda de trânsito, uma lanterna, um relógio... se eu não tiver será entregue e um abafador de sons para usar se for necessário.

Levar outros objetos eletrônicos não é proibido, mas eles não funcionam como deveria, obviamente com exceção do relógio.

Trabalho de doze e doze horas na entrada de uma estrada que cruza a nossa cidade, minha função como guarda é proibir a passagem de carros desavisados que desejam ir por um "atalho".

Estava dentro da minha cabine distraindo a minha cabeça com fotos antigas quando ouvi umas batidas no vidro vindo do lado de fora, toques casuais.

Olhei para o meu relógio e observei do lado de fora, era Seong, alguém que estou familiarizado há muito tempo, costumava trabalhar no meu horário, ele sorriu quando trocamos os olhares para que eu abrisse a porta.

Entrou e ofereceu um cigarro como costuma fazer, tentou falar de futebol e sobre sua família só para quebrar o clima notório e chato. Passou algum tempo dele roendo suas unhas, e eu tentando lembrar onde havia deixado os meus sapatos de corrida quando, de repente, amanheceu. Mirei para o relógio e eram 10:10 da noite.

"Às vezes é curioso como funciona. O Xerife disse que é segredo local, que tem alguma coisa a ver com Deus, por isso que ele esconde." - Havia uma sensação estranha na parte de trás da minha cabeça, alguma parte primata de mim gritando que havia algo terrivelmente errado quando vejo o meu companheiro falando sobre essas coisas, e eu tentando entender.

Não existe tempo específico da duração dos eventos. Esse, por exemplo, em poucos minutos, voltou ao normal à noite com as estrelas no céu e a sensação de estar em um deserto sem fim.

Certas ocasiões aparecem luzes iluminando o céu noturno, objetos sobrevoando como naves de filmes de ficção científica e até criaturas diabólicas batendo asas infernais e berrando beros agoniantes. Dentro da cabine não vai proteger contra um ataque, só aprende a ignorar que as coisas não mexem com você.

Nunca temos certeza se a maioria sabe de nossa existência, às vezes passam despercebidos do nosso local, raríssimas ocasiões interagem, observam por alguns minutos e vão embora ou desaparecem

Houve um leve ruído. Sussurros se aproximando, acompanhados de risos e conversas. Apontei a lanterna em direção a uma breve silhueta. No relógio marcava 11:11. Era um menino, cuja cabeça caiu de lado por cima do ombro como se a guilhotina não tinha bastante terminado o trabalho. Eu não precisava estar dando atenção, mas necessitava matar a curiosidade do meu instinto de sobrevivência em saber do que estava lidando. Notei que havia dezenas de silhuetas, agachadas atrás de pedras, matos e biblilhotando pelas janelas de vidro. Para onde que eu apontasse feixe de luz da lanterna, elas desapareciam rapidamente.

Um dos caras que conheci no turno da manhã falou sobre terremotos, chamado de falecidos, grupo de seres antropozoomórficos vagando aleatoriamente.

Um dos acontecimentos comuns é uma perseguição policial. Não acontece sempre, só uma ou duas vezes ao mês: um carro em fuga e os policiais acabaram caindo de ribanceira abaixo logo após passar por nossa cabine. Os seus "fantasmas", não sei se é essa a palavra certa de falar, costumam passar novamente para repetir o ciclo como um pesadelo sem fim.

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