Negócio de Família

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O casarão vitoriano da família Thompson não é mais o mesmo, com as manifestações que andam ocorrendo durante toda a semana. Todas as luzes continuam piscando, não importa quantas vezes os eletricistas especializados visitem o lugar. A água, tanto de beber quanto para outras utilidades, continua estragando, com um cheiro desagradável e escurecendo na medida em que é trocada. Todas as comidas apodrecem em poucos minutos, e a família não consegue dormir por conta dos sons de gritos, arranhados e correntes sendo arrastadas.


O rapaz jovem aproxima-se da casa, todos os funcionários mostram um pavor genuíno nos seus rostos pálidos, eles estão ainda mais desesperados do que os seus próprios patrões. Reconheceram o carro que parou logo na frente da casa com o cartaz: "Caçadores Paranormais."


"Quem é o comandante da casa?" - o rapaz indagou, enquanto ainda estava ajeitando a sua camisa, parecia desajeitado e observava os rostos que o encaravam. Logo em seguida, aproximou-se uma mulher por volta dos quarenta anos, equipada com jóias por todo o corpo e um vestido longo que ressaltava todas as suas curvas. Todos ali têm algo em comum: a mesma expressão de horror nas suas faces.


"Você é o senhor...?" - ela estreitou os olhos para tentar pronunciar o nome da família do rapaz, que logo a interrompeu.


"Sim, senhora! Apesar da aparência jovem, sou um profissional e sei muito bem o que eu estou fazendo aqui." - ele levantou a voz, usando o máximo que pôde para ser duro. Fechou a cara e estufou o peito ostentando poder.


"Estou desesperada! Tentei todo tipo de profissional... até mesmo o padre ficou surpreso. Nenhum deles conseguiram ajudar-me. Tanto que pude pagar, não adiantou um centavo. Ninguém consegue fazer nada. Você deve ser a pessoa que todos estão falando, o profissional que está ajudando famílias, não é isso?!" - a mulher estava aflita. As duas crianças, provavelmente os seus filhos, um rapaz e uma moça um pouco mais jovem, aproximaram-se da porta, também assustados.


"Olha, moço, as pessoas invisíveis mataram todas as plantas e espantaram o meu cachorro Rufus." - o pequeno começou a chorar após compartilhar alguns acontecimentos, e o rapaz então entrou na casa.


"Ok. Senhora, eu estou sentindo uma atividade maligna. Veja as ondas que o meu rádio comunicador está emitindo, os botões com brilhos vermelhos ainda mais intensos, alertam uma atividade de algo perigoso." - ele ficou aproximando o equipamento em todas as direções enquanto ruídos fantasmagóricos, chiados e algo que poderia ser comparado a um grito embaixo d'água, ficaram emitindo sons agonizantes.


Enquanto o homem estava utilizando os seus materiais: termômetro com sensor, câmera de visão noturna, almofada térmica, comunicadores de rádio, Iluminação infravermelha, luminária lED, etc, as portas da casa começaram a bater em resposta da sua visita, lâmpadas foram explodindo uma atrás da outra, como se fossem faíscas de pólvora quente.


Todos os vidros, tanto das janelas quanto os utensílios, foram arremessados por todas as partes. Nenhum funcionário ficou dentro da casa, com exceção dos próprios moradores sem poder escapar do seu lugar de descanso. O rapaz foi jogando uma água, que estava dentro de um frasco transparente com uma cruz branca, pela residência.

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