Capítulo 37

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O quarto parecia envolto em um silêncio quase sagrado, quebrado apenas pelo som ritmado da máquina que monitorava os sinais vitais de Lena. Kara estava sentada ao lado da cama, segurando delicadamente a mão fria de sua amada, sentindo a vulnerabilidade daquele momento tão frágil. As horas pareciam se arrastar, mas Kara não queria sair dali, desejava apenas estar perto, transmitindo força pela simples presença.De repente, um leve movimento chamou sua atenção. Foi sutil, como uma brisa que toca as folhas. Os olhos de Kara se arregalaram e ela se inclinou para mais perto.— Lena? — sussurrou, a voz trêmula pela emoção.Os olhos da mulher que estava há duas semanas em coma começaram a piscar lentamente, encontrando o olhar preocupado e amoroso de Kara. Um sorriso fraco, mas cheio de vida, iluminou o rosto pálido.— Kara... — a voz saiu suave, quase um sussurro rouco que encheu o coração de Kara de esperança e alívio.Lágrimas escorreram pelo rosto de Kara enquanto ela se aproximava, pousando um beijo terno na testa de Lena, sentindo cada momento como se fosse único e indispensável.— Não vou te largar, Lena. Estamos juntas nessa — soava quase como uma promessa sagrada.Lena apertou a mão de Kara, transmitindo a força que ainda lhe restava. Depois de tanto sofrimento, parecia que finalmente a luta pela recuperação começava a mostrar sinais de vitória.Com o coração acelerado, Kara deslizou cuidadosamente a mão pelo rosto de Lena, como uma carícia que dizia tudo aquilo que palavras não podiam expressar. O silêncio foi preenchido por um sentimento profundo de amor e renovação.— Eu te amo. O Pedrinho precisa de você, e eu também — Kara confessou, com a voz embargada pela emoção.O olhar entre elas se tornou intenso, carregado de saudade e esperança. Aos poucos, Kara aproximou-se mais da cama, envolvendo Lena num abraço suave, sentindo o calor do corpo dela, mesmo que ainda fraco.O ambiente, antes marcado pela doença e incerteza, começou a se transformar em um refúgio de amor e força. Ali, naquele quarto de hospital, rodeadas pela fragilidade da vida, Kara e Lena encontraram um novo começo, uma chance para reescrever sua história juntas.As horas seguintes foram de silêncio, mas um silêncio cheio de significado, onde gestos e olhares diziam mais que qualquer palavra. E naquele instante, entrelaçadas, elas sabiam que, acontecesse o que acontecesse, não estariam sozinhas.

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