Capítulo 39

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A atmosfera no quarto de hospital, que por semanas foi de vigília silenciosa, transformou-se em um canteiro de obras para o futuro. O sol agora subia mais alto no céu de National City, e o som da cidade lá fora parecia uma melodia distante, celebrando o retorno de Lena Luthor.
​Cicatrizes e Promessas
​Os dias que se seguiram foram marcados por pequenas vitórias que pareciam monumentais. A primeira vez que Lena conseguiu segurar um copo de água sem que as mãos tremessem; o primeiro passo, incerto e pesado, apoiada no ombro firme de Kara; a primeira risada real quando Pedrinho insistiu que ela precisava usar uma capa de papelão para recuperar seus superpoderes.
​No entanto, a mente de Lena era um labirinto complexo. Em uma tarde chuvosa, enquanto Kara organizava uma pilha de flores frescas trazidas por Kelly e James, Lena quebrou o silêncio que a acompanhava há horas.
​— Kara... o que aconteceu com o projeto da L-Corp enquanto eu estava... fora? — A pergunta saiu cautelosa.
​Kara parou o que estava fazendo e sentou-se na poltrona ao lado da cama. Ela sabia que esse momento chegaria. Lena, a estrategista, a mente brilhante, não conseguiria ficar apenas no papel de paciente por muito tempo.
​— Alex e Brainy cuidaram de tudo — Kara explicou, pegando a mão de Lena. — Eles mantiveram a empresa funcionando sob um protocolo de emergência. Mas, honestamente? Nada disso importou para nós. A única coisa que importava era você.
​— Eu sinto como se tivesse perdido o fio da meada da minha própria vida — confessou Lena, desviando o olhar para a janela. — O mundo continuou girando, National City enfrentou ameaças, e eu... eu estava presa em um vazio.
​— Você não estava presa, Lena. Você estava lutando — corrigiu Kara com firmeza, mas doçura. — E você venceu. O mundo pode ter continuado a girar, mas ele girou um pouco mais devagar para quem ama você.
​A Chegada de J’onn
​Uma batida suave na porta interrompeu o momento. Não era Alex, nem os enfermeiros. J’onn J’onzz entrou no quarto com uma expressão solene, carregando uma pequena caixa de madeira.
​— Lena. É bom ver que a sua força de vontade continua sendo a coisa mais potente desta cidade — disse o marciano com um aceno respeitoso.
​— J’onn. Obrigada por tudo o que fez pela segurança do Pedrinho — Lena respondeu, sua voz ganhando uma autoridade que ela pensou ter perdido.
​J’onn colocou a caixa sobre a mesa de cabeceira.
— Vim trazer algo que estava guardado no DEO. Quando você caiu, isso estava com você. Achei que gostaria de ter de volta, agora que está pronta para olhar para frente.
​Dentro da caixa estava o medalhão que Lena usava no dia do acidente — um dispositivo que ela mesma projetara para monitorar sinais vitais, mas que agora parecia apenas uma joia comum. Para Lena, porém, era um lembrete de sua vulnerabilidade.
​O Próximo Passo
​Quando J’onn saiu, o silêncio que ficou era diferente. Era um silêncio de decisão. Lena olhou para o medalhão e depois para Kara, cujos olhos azuis brilhavam com uma compreensão que não precisava de palavras.
​— Eu não quero mais construir muros, Kara — disse Lena subitamente. — Minha vida inteira foi sobre defesas, escudos e segredos. Mas o jeito que você me trouxe de volta... o jeito que o Pedrinho me olha...
​— O que você quer dizer, Lee?
​Lena sorriu, um sorriso pequeno, mas que iluminou seu rosto de uma forma que Kara não via há anos.
​— Quero dizer que, quando eu sair daqui, a L-Corp vai mudar. Eu vou mudar. Quero construir algo que não seja apenas para proteger o mundo, mas para torná-lo um lugar onde crianças como o Pedrinho não precisem ter medo de perder suas mães.
​Kara sentiu o peito aquecer. Ela se inclinou e beijou a testa de Lena, sentindo a pele agora quente e cheia de vida.
​— Então temos um plano — sussurrou Kara. — Mas primeiro...
​— Primeiro? — Lena arqueou uma sobrancelha.
​— Primeiro, você termina essa sopa horrível do hospital. Porque amanhã, o médico disse que se você conseguir caminhar até o final do corredor, nós vamos levar o Pedrinho para tomar sorvete.
​Lena soltou uma risada genuína, a primeira de muitas que ainda viriam. O caminho da recuperação era longo, e as cicatrizes físicas e mentais ainda estavam lá, mas sob o céu de National City, ela finalmente entendeu que não precisava carregar o peso do mundo sozinha.

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⏰ Última atualização: Jan 26 ⏰

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