** Julie **
Saí em disparada para o quarto da Anna para acordá-la e dar o almoço . Precisava também saber se ela estava bem , se o médico já havia ido vê-la . Se o exame havia saído .
Caminhei até o quarto com a cabeça na minha consulta com a Dra. Sullivan . Tenho algumas observações sobre ela . Eu a achei bem estranha . Fora que parece que eu a conheço . Eu heim. Enfim, ela agiu de um jeito tão estranho durante a consulta . Eu sei que eu falei demais e soltei todos os meus problemas de uma só vez em cima dela . Mas a parte mais forte que eu disse foi sobre os sonhos . Caramba , eu contei cada detalhe e ela achou normal . Nem mudou a expressão . Ah , mas foi só eu mencionar minha melhor amiga , seu rosto mudou de cor . Bastou eu dizer Anna para ela se dispersar . E quando eu disse que ela não merecia ter me visto com o Lucas , porquê ela já havia sido abandonada pela mãe , a Dra. Sullivan ficou quase azul . Como se ela tivesse ficado abalada com o fato . Mas atualmente isso não é uma história comum e cotidiana ? Tanto pai , mãe que abandonam os filhos , que os jogam numa lixeira por aí . O mundo está cruel , infelizmente . Mas aquilo a afetou muito mais do que deveria . Enfim , um dia eu investigo isso com tempo . Agora vamos ao que interessa .
Cheguei até o quarto e Anna dormia profundamente . O médico disse que ela ia melhorar a questão do sono constante e a questão de estar tão pálida e fraca como ela andava nesses últimos dias . Já tem 4 dias que ela está internada . Sete dias desde o estupro . Quem diria . E agora estou olhando Anna deitada ão indefesa e sem poder fazer nada para que ela levante dessa cama . Que sua cor volte para seu rosto e que todo esse pesadelo acabe .
- Princesa , acorda , vai ! Vamos almoçar ? - Falo baixinho para minha amiga Anna.
- Não , eu não estou com fome , me deixe dormir , vai . - Resmunga ela .
- Não dá , anda logo , levanta e come logo essa comida de hospital aqui se quiser sair daqui logo e ir pra minha casa pra eu e minha mãe te enchermos de mimos . - Falei brava . Garota teimosa .
- Se for por isso eu ligo pro meu pai , e peço pra ele me buscar . Meu corpo tá doendo , eu estou cansada , fraca , me deixa dormir , garota chata . - Retruca ela impaciente .
- Nossa a srta Anna mal-humor ressurgiu das cinzas . Olha , você está assim porque a 4 dias não se alimenta direito . Caramba você quase se matou , dá pra entender que você precisa repor força e energia , que você perdeu muito sangue ? Dá pra entender que eu tô aqui dia e noite cuidando de você porque não posso te perder e não aceito que você não se cuide ? Agora senta logo nessa cama e vem aqui que eu vou te alimentar . AGORA . Linda . Te amo . Come logo , macaquinha . - Gritei com ela .
Acho que deu certo meu sermão porque ela levantou e comeu tudinho . Até pediu mais . Só que não tinha , então corri lá na lanchonete e comprei pra ela um salgado e levei escondido . Finalmente ela recuperou o apetite e quis comer , eu não podia estragar isso . Fiquei tão feliz que mal pude acreditar que ela estava dando o primeiro passo para se recuperar . Disse à ela que o médico traria o resultado do exame dela após as 01:00 PM . A hora demorou a passar e então engatamos em uma conversa franca entre amigas .
- Olha , Julie , me perdoa pelo que eu fiz . Mesmo estando desacordada ouvi tudo o que vocês que vinham me visitar diziam e eu sinto muito o tamanho do sofrimento que eu causei . Mas é que a dor foi tão intensa que eu não conseguia me imaginar vivendo pra contar a alguém como foi a dor . Eu sempre ia naquela casa abandonada quando eu estava sofrendo , pois sempre me identifiquei com o lugar . Aí a dor não ia embora não importa o quanto eu chorasse . A dor não se curava , não me deixava voltar pra casa . Aí me cortei . Me senti fraca e desmaiei . E agora estou aqui . - Disse ela se justificando .
Eu nesse momento estava em prantos , a ideia de perder Anna pra sempre corroía todo o meu ser . Essa dor me apunhalava no peito que eu sequer conseguia imaginar o mundo sem Anna em minha vida . Eu chorei em desespero sem conseguir falar e isso fez ela chorar ainda mais junto comigo , eu não conseguia falar , então a abracei e em meio a soluços eu disse :
- Você me perdoou e eu também te perdoo , eu sempre vou estar com você . Eu te amo e não aguentaria a vida sem você aqui . Eu não aguentaria não ter sua voz estridente falando comigo , nem sobreviveria a uma vida sem você . Você é a irmã que eu nunca tive , a irmã que eu sempre quis ter e Deus me deixou escolher . Então só me promete que vai lutar pela sua vida e pela nossa amizade , que nunca mais na sua vida vai tentar se matar , e que nunca vamos parar de nos falar sem conversar e explicar todos os motivos , pra não ter nunca mais desentendimentos e enganos entre nós , promete ?
- Prometo . Minha primeira amiga , minha irmã . Sempre que estive sozinha você me ajudou e me deixou feliz e esteve ao meu lado . Claro que prometo . - Ela responde sorrindo .
- Não deixarei jamais que quebre essa promessa .
Nesse momento palavra nenhuma se fez necessária naquele quarto de hospital . Tudo que fazia sofrer havia se dissipado e Anna e eu estávamos bem como antes . Segurei sua mão e permaneci ao seu lado até quando a Dra. Marin entrou dentro do quarto para entregar o resultado do exame .
- Boa tarde mocinha , como você está hoje ?
- Melhor , fui torturada hoje para me alimentar , sinto até que minhas forças voltaram . - Diz ela fazendo cara feia pra mim , como se eu fosse culpada por a querer bem .
- Ah , então a mocinha não ia comer ? Quer passar o resto da vida nesse hospital ? Esteve certa na tortura , da próxima vez me chame que eu trago as algemas para ajudar a torturar - Responde dizendo pra mim a ultima parte . Super divertida ela .
- Então nesse momento estou aqui para pegar mais informações sobre a Anna . Julie , você pode me acompanhar ? - Diz a dra. Marin.
- Claro . - Respondo , já sentindo que isso não era bom sinal .
Andei em silêncio ao lado da dra. Marin por um tempo que pareciam anos de espera . Quando finalmente ela me olhou séria , e eu soube que não era nada bom .
- Olha eu preciso do telefone do pai dela , e também da mãe dela . Precisamos de telefones de amigos , parentes, conhecidos . Todos que queiram bem a Anna , pois infelizmente a anemia dela não foi curada , e ela está com um quadro inicial de leucemia . Ela precisa de uma doação de medula o mais rápido possível , e a chance de ser compatível está mais provável entre membros da mesma família . - Ela me dá a notícia trágica .
Eu chorei , encostei na parede e desci ao chão por não sei quanto tempo , minha amiga podia morrer . Ninguém sabia da mãe dela , ela só tinha o pai . Eu não sei o que fazer . Passei os telefones que tinha pra dra. e voltei pra ficar com ela . Ela estava dormindo de novo . Liguei pra minha mãe e chorei pra ela toda minha dor . E eu mal sabia a batalha que eu tinha pela frente agora .
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UM AMOR PROIBIDO
ChickLitUm mergulho na vida de Julie , uma garota feliz e extrovertida que está prestes a ver seu mundo mudar radicalmente . Um passado conturbado e cheio de surpresas e armadilhas do destino , com mortes , amigos correndo perigo e no meio de tudo isso o r...
