Capítulo 13 - O que vou fazer da minha vida agora?

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**Julie **

- A Anna está te chamando , ela estava consciente , ouviu tudo que dissemos , e eu sou um idiota , pois a perdi - Diz Lucas chorando e saindo do hospital , e pelo jeito esse não volta mais .

Estou aflita . Aconteceu tanta coisa comigo nesses últimos dias . O que eu vou fazer agora? Digo , a Anna até pode me perdoar , mas não vai ser a mesma coisa , escondi um segredo dela , minha melhor amiga .Lucas foi meio que "banido" do nosso grupo e talvez eu não me acostume com esse fato em minha vida . Quero dizer , sim eu tomei raiva dele , mas nós três somos como uma família , e mesmo sem a gente se pegar , eu tenho um carinho enorme por ele . E pelo seu jeito mesquinho de ser , em dez anos morando nessa cidade ele só tinha a gente , no fim das contas. Moramos por anos na mesma rua , conheço Anna há dez anos e Lucas há sete anos . No início , quando éramos muito pequenas , não podíamos nos ver todo dia . Mas Anna sempre estava na pracinha , ou então na porta da minha casa chutando bola na fábrica abandonada que havia lá. Éramos tão sozinhas que acabamos sendo o porto seguro uma da outra . Sabe , pela minha mãe e pela Anna eu faria tudo , essas duas são minha vida .

Eu estou tão triste , apagada e desorientada . Chorei tanto enquanto estava internada que a médica me passou para a psicóloga do hospital como caso grave . E eu sinceramente acho que meu caso só vai piorar .

Estou com medo de seguir para o quarto de Anna , o médico disse que ela está gravemente fraca , o idiota do pai dela nem apareceu e ela está com um caso sério de anemia e que se não for tratado , pode virar algo muito pior e ela pode vir a ter um sério problema de medula óssea . E como sua mãe sumiu , o médico disse que as chances do pai dela ser compatível é uma em um milhão . Geralmente a compatibilidade é entre primos e irmãos . Mas ela não tem parentes próximos . Seu pai era filho único , então não tem como ela ter primos por parte de pai . E sua mãe teve um casamento rápido com seu pai e sumiu , sem chance de encontrar família por parte dela . Nesse momento odeio que Julie seja filha única. Estou aqui com ela a três dias e ela aina está mal . Não consegue ficar acordada e eu quero morrer , pois sei que a culpa disso é minha .

- Anna , meu amor , está acordada? - Pergunto baixinho para não a acordar , caso esteja dormindo .

- Estou , amiga vem cá , por favor . - diz com os olhos marejados . Não aguento ver ela assim

- Eu sempre estarei contigo , amiga , o que tinha na cabeça pra fazer isso ? Já tem três dias que você está aqui e nada de melhorar . Pensei que fosse te perder . - Nesse momento estou em prantos .

- Amiga , de coração , não espero que me entenda . No momento foi a única coisa que melhorou minha dor . Fazer com que outra parte do meu corpo doesse mais do que meu coração . Ele doía tanto , que não importava o que eu fizesse ou quanto chorasse , aquela dor não me deixava . E a pior dor do mundo foi saber que eu ia te perder . - Ela responde sem me olhar .

- Olha pra mim , me ouve . Presta atenção em mim : Eu sempre estive ao seu lado cada vez que seu pai te bateu , cada vez que sua mãe vinha na sua memória . Quando seu pai dizia palavras amargas e sem sentido a você e quando o Lucas fodia com tudo que você sentia por ele , eu estava lá . Como pôde pensar sequer por um momento que eu não iria estar ao seu lado , que você tinha me perdido ? Acha que vai ser tão fácil assim você se livrar de mim na vida ? Sou a cruz que você vai carregar na sua vida pra sempre . - Digo tentando sorrir , mas a verdade é que aquelas lágrimas que eu tanto segurei ao me dar conta do que me aconteceu vieram a tona e eu chorei como criança .

E então ela fez como qualquer amiga que precisava de apoio e sofria : me deu uma beiradinha de sua cama de hospital e fiquei lá deitada com ela abraçada e chorando até dormir . Ela dormiu e dormindo dizia que me amava . Eu também respondi e adormecemos assim , abraçadas .

- Ei garota , acho linda a amizade de vocês ou seja lá o que for isso , mas ela está mesmo doente e precisa de tratamento , você não pode dormir na cama dela , é um leito de hospital , você sabe como o caso dela é grave . E pelo que você disse , vai ser difícil se o quadro dela evoluir pra algo mais grave . As filas de espera são quilométricas . Tem pessoas na fila a anos , ela não aguentaria . - Diz um enfermeiro abusado .

- Tudo bem eu saio , não precisa falar assim , deixa eu acreditar que ela vai ficar bem . - Respondo com raiva .

- Tanto faz, só não piora a situação . - Assina o prontuário dela e sai. Cara rabugento .

Levantei da cama dela , dormi na pequena poltrona do lado do leito onde ela estava deitada . Adormeci em seguida , foram dias desgastantes . Minha mãe havia vindo ver a Anna hoje , e ficou muito preocupada com ela . Mas ela está maluca também pelo que eu passei , e o que eu menos quero nesse momento é sair falando sobre o que eu passei naquele dia . Queria acordar e ver que tudo isso foi um sonho louco , aliás , um pesadelo sem chance de se repetir . Não bastasse o pesadelo que vivi na vida real, acordo como se tivesse correndo uma maratona e então vejo algo que eu tenho certeza que não tinha como ser um sonho . Vejo relances do meu estupro , e da violência que Miguel sofreu . Espera , nem eu nem ele lembrava de nada , ninguém me contou isso que sonhei .Será que era real ?

Real ou não chorei calada até amanhecer o dia . Ninguém no mundo merecia passar por isso na vida . Vi um cara chamado Otávio e um tal de Luis junto com o Patrick . De onde são esses caras ? Eu só queria poder voltar a dormir em paz . Preciso marcar com a psicóloga . Começo a pensar que me fará bem .

UM AMOR PROIBIDOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora